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Chade: Doenças se alastram e alimentos estão em falta

07/05/2012
A prioridade de MSF é reduzir a taxa de mortalidade entre as crianças com desnutrição; uma em cada quatro crianças está desnutrida

Mesmo em um bom ano de colheitas, a população do Chade tem dificuldade de conseguir alimentos suficientes para a temporada entre abril e setembro, e muitas crianças acabam ficando desnutridas. E como já era de se esperar, 2012 não está sendo um “bom” ano. Em 2011, as chuvas não vieram, e os preços dos alimentos subiram excessivamente – segundo o Ministério da Agricultura do país, os valores aumentaram 25% em relação ao mesmo período do ano passado. No Chade, bem como em outros países da região de Sahel, um pouco menos de chuva do que o esperado – ou preços de alimentos um pouco acima da média – já é o bastante para desestabilizar o país e levá-lo a uma grande crise nutricional.  

Reduzindo o número de refeições

Na cidade de Biltine, no leste do Chade, algumas pessoas já estão recorrendo a seus últimos suprimentos alimentares, ainda que abril mal tenha terminado. “Muitas famílias têm apenas o suficiente para duas semanas, e tiveram que reduzir o seu número de refeições diárias. E a variedade de alimentos também diminuiu”, disse o Dr. Kodjo Edoh, coordenador de projeto de MSF no Chade.

Os alimentos não são os únicos recursos escassos. A falta de água também ameaça a população da região de Biltine. “Algumas pessoas têm que caminhar por horas até chegar à fonte de água mais próxima”, disse o Dr. Edoh. “Isso é uma grande preocupação: a escassez de água tem ligação direta com a desnutrição infantil.”  

Em fevereiro, uma equipe de MSF descobriiu que uma em cada quarto crianças com menos de cinco anos de idade em Biltine estava com desnutrição severa. Em resposta, MSF iniciou um propgrama nutricional de emergência em abril, no qual foram admitidas 67 crianças apenas na primeira semana. Oito dessas crianças estavam com desnutrição severa em estado tão grave que foram internadas e estão recebendo cuidados médicos intensivos. O programa vai continuar pelos próximos nove meses.

A necessidade de distribuição de alimentos é urgente

“Nossa prioridade é reduzir a taxa de mortalidade entre crianças com menos de cinco anos de idade que estão com desnutrição severa, por meio da oferta de cuidados médicos  e de nutrição terapêutica”, disse o Dr. Edoh. O médico também está esperando que a distribuição geral de alimentos para a população de Biltine, feita pelo Programa Mundial de Alimentos, comece o mais rápido possível. “Nós precisamos garantir que os outros 75% das crianças da região não fiquem desnutridas também”, disse o médico. “Precisamos urgentemente dessas distribuições de alimentos.”

Em grande parte do Chade, a assistência médica não está disponível, o que faz com que as pessoas fiquem especialmente vulneráveis à desnutrição e a surtos de outras doenças. No projeto mais antigo de MSF em Am Timan, no sudeste do país, as taxas de desnutrição estão aumentando rapidamente, uma situação que ficou ainda pior em função de um surto de sarampo.

“Entre janeiro e março deste ano, nós internamos 1,6 mil crianças com desnutrição – quase o dobro do mesmo período do ano passado. Para piorar a situação, ainda estamos no meio de um surto de sarampo. Estamos muito preocupados, porque o sarampo aumenta a vulnerabilidade das crianças à desnutrição”, concluiu o Dr. Edoh.  

Um aumento nos casos de meningite foi registrado em 12 distritos do Chade, dentre os quais sete tiveram que declarar surtos da doença, como ocorreu em Am Timan. Em todo o país, quase 3,2 mil casos de meningite foram registrados até o final de abril; 145 pessoas morreram. MSF organizou campanhas de vacinação em Oum Hadier, Moissala, Massakory e Lere, beneficiando aproximadamente 640 mil pessoas com idades entre um e 30 anos. Além disso, MSF enviou equipes para oferecer cuidados e suprimentos médicos para o tratamento de meningite.

Ninguém espera que 2012 seja bom para o Chade. No entanto, equipes de MSF estão fazendo todo o possível para que a situação não se torne ainda pior.