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Chade: ataque mortal na ilha de Koulfoua, no Lago Chade

08/12/2015
Equipes de MSF estão prestando apoio ao Ministério da Saúde chadiano

Foto: MSF

Um ataque suicida triplo na ilha de Koulfoua, na região do Lago Chade, no Chade, matou 30 pessoas e feriu mais de 200 no dia 5/12. Equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) presentes na área se mobilizaram imediatamente para oferecer apoio ao Ministério da Saúde chadiano.

Os ataques ocorreram aproximadamente às 10h do sábado (5/12) em áreas comerciais. Os feridos tiveram de ser evacuados de barco, na medida em que não havia fácil acesso à ilha remota e isolada. Primeiramente, eles foram levados a Guitté, uma cidade na costa do Lago Chade. Quarenta e dois pacientes foram transferidos ao hospital distrital de Mani, uma cidade na fronteira com Camarões. As pessoas mais gravemente feridas que precisavam de cuidados cirúrgicos avançados – 36 no total, incluindo 14 crianças – foram transferidas de ambulância para a capital, N’djamena.  

“Esse é um dos maiores ataques que testemunhamos na região nos últimos meses”, diz Federica Alberti, coordenadora-geral de MSF no Chade. “Em Mani, o hospital não tinha espaço ou medicamentos e equipamentos suficientes para lidar com o número de feridos. Uma equipe de MSF composta por um cirurgião, um médico, um enfermeiro e dois logísticos chegaram domingo à tarde (6/12) para apoiar o Ministério da Saúde local e as equipes agora estão trabalhando 24 horas para oferecer cuidados vitais.”

Símbolo que proíbe a entrada de armas em instalação de MSF no Chade (Foto: Ricardo Garcia Vilanova)MSF estruturou três tendas com um total de 30 leitos para expandir a capacidade do hospital de Mani. No domingo à tarde, a equipe ajudou os funcionários do hospital na oferta de cuidados cirúrgicos a 37 pacientes feridos. A equipe de logística de MSF também garantiu a disponibilidade de eletricidade e água corrente para apoiar as atividades médicas.

Em N’djamena, para onde as 36 pessoas mais gravemente feridas foram transferidas, MSF está apoiando o hospital geral e o hospital Liberty. As equipes também estão apoiando o hospital materno-infantil onde 11 crianças estão em estado grave. As equipes de MSF doaram medicamentos essenciais e suprimentos cirúrgicos para ajudar o Ministério da Saúde na resposta nos três hospitais.

MSF atua no Chade desde 1981, e atualmente mantém programas médicos regulares em Abéché, Am Timan e Moissala. Em março de 2015, na região do Lago Chade, MSF lançou uma resposta de emergência para atender pessoas deslocadas pela violência perpetrada pelo grupo Estado Islâmico da África Ocidental, também conhecido como Boko Haram. As equipes agora estão baseadas em Baga Sola e Bol. Em N’djamena, MSF também apoiou hospitais do Ministério da Saúde após ataques suicidas a bomba que aconteceram nos dias 15 de junho e 11 de julho. Desde abril deste ano, MSF tem treinado funcionários do Ministério da Saúde no manejo de vítimas em massa a fim de aumentar sua capacidade de resposta em situações de emergência. Um treinamento similar foi realizado recentemente no hospital regional de Abéché, e kits cirúrgicos foram doados.

Atualmente, as equipes de MSF estão presentes em várias localidades nos quatro países que fazem fronteira com o Lago Chade. No norte da Nigéria, MSF está oferecendo cuidados médicos essenciais aos deslocados e às comunidades locais nos estados de Borno e Yobe. MSF está administrando instalações de saúde em Minawao, Mora, Mokolo e Kousseri, no norte de Camarões. Cuidados médicos vitais também estão sendo oferecidos na região de Diffa, no Níger.

 

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