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Chade: ainda sem comida e abrigo apesar do crescente influxo de refugiados

19/03/2003
Com a tomada do poder na República Centro-Africana, no dia 15 de março, a situação dos 30 mil refugiados centro-africanos do Chade está mais precária a cada dia. Mesmo com o agravamento da crise, agências de ajuda humanitária parecem relutantes em agir.

De acordo com a coordenadora de emergência de Médicos Sem Fronteiras no Chade, Sonia Payrassol, “a vitória do General Bozizé não é motivo de celebração para os refugiados no Chade, já que não trará de volta as casas e a colheita que foram queimadas e não vai acabar com o medo de retornar à República Centro-Africana neste momento.”

Somada à extrema insegurança na República Centro-Africana e às freqüentes represálias de caráter étnicas, a guerra ampliou o que já era um brutal conflito de terras entre lavradores e pastores. Para os refugiados no Chade, a maioria lavradores, o fim da guerra civil entre o ex Presidente Patassé e o novo autoproclamado Presidente Bozizé está longe de significar o retorno para casa.

Ao contrário, o influxo de refugiados no Chade continua e as suas condições estão se deteriorando. Segundo Payrassol, “os mais ricos são evidentes porque possuem colchões e panelas, mas mesmo eles não têm nada para comer. A quantidade de comida distribuída aos refugiados até agora tem sido muito pouca.”

Além disso, quase todos os refugiados estão desabrigados e permanecem espalhados no entorno dos povoados dormindo nas ruas. Muitos desses povoados tiveram sua população dobrada ou mesmo triplicada num período de seca quando, mesmo em circunstâncias normais, comida e água são escassas. Um exemplo é a vila de Koumba que possui um único poço e observou um crescimento populacional de 300 para 2.100 habitantes. E o influxo de refugiados não dá sinais de queda. Só na vila de Maro, mais de mil refugiados chegaram nos últimos dias.

Desde o início da crise, em novembro de 2002, MSF vem fazendo constantes apelos por ajuda, mas continua sendo a única organização que reagiu seriamente, oferecendo assistência médica e construindo campos de trânsito, com capacidade para até 2 mil pessoas, nas vilas de Gore e Danamadji, próximas a fronteira da República Centro-Africana com o Chade. Os dois campos já estão lotados.

Comida e abrigo são urgentemente necessários para 26 mil refugiados, mas ainda não há nada na área e o tempo é curto. Dessa forma, MSF faz novamente um apelo às agências internacionais para que cumpram com seus deveres e prestem assistência integral e de forma rápida no sentido de evitar um agravamento da situação.