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Centro de Saúde de Marcílio Dias, na Maré, passa a oferecer atendimento aos sábados

23/05/2005
Além de atendimento médico, de enfermagem e de psicologia, o centro de Marcílio Dias oferece atividades para jovens como capoeira e reuniões terapêuticas. O objetivo é garantir acesso à saúde para pessoas que trabalham ou estudam durante a semana

Era uma quarta-feira quase três horas da tarde quando a pequena Vitória, de apenas quatro anos de idade, começou a sentir os primeiros sinais de uma bronquite. Tosse seca e respiração ofegante. A mãe, Teresa Petrônio, não pensou duas vezes. Correu ao Centro de Atenção Integral à Saúde de Marcílio Dias e pediu uma nebulização para a menina. “Essas bronquites não tem hora de chegar. Por isso é que quando soube que o posto está aberto aos sábados fiquei até mais tranqüila”, desabafa.

Desde o início de março de 2005, o Centro de Atenção Integral à Saúde de Marcílio Dias, no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, tem um novo horário de funcionamento, abrindo agora também aos sábados, além dos outros cinco dias da semana. “Sábado é um dia muito mais parado na comunidade. As crianças não vão à escola e muitas pessoas que trabalham durante a semana ficam em casa nesse dia. Foi por isso que pensamos em abrir aos sábados”, conta Andréa Chagas, psicóloga do centro de saúde e responsável pelo posto aos sábados.

Além dos atendimentos de saúde, que incluem consultas médicas e atendimentos de enfermagem, o centro de Marcílio Dias oferece ainda atendimento psicológico, entre outras tantas atividades como aulas de hip hop, capoeira e takendo. Há ainda um grupo de jovens onde os adolescentes se reúnem, com o acompanhamento da psicóloga Andréa Chagas, para discutir temas de seus interesses, como sexo, gravidez na adolescência, doenças, relação com a família, etc. “Existem os adolescentes que estudam duro durante a semana e que aos sábados precisam de um espaço para desaguar suas tensões, quer seja numa das atividades que oferecemos quer seja no grupo terapêutico. Só no primeiro dia, apareceram mais de 70 adolescentes no centro para as atividades que oferecemos”, diz Andréa.

Outro público que passou a freqüentar o centro de saúde é o de pessoas – homens, em sua maioria – que trabalham fora durante a semana e não têm tempo para cuidar da saúde. “Eu hoje estou tendo a possibilidade de tratar homens, chefes de família, que nos dias de semana não tinham como comparecer”, lembra Andréa.

Além disso, com a abertura aos sábados, o centro de saúde de Marcílio Dias passa a cumprir melhor as diretrizes do Programa Saúde da Família. “Aumentamos o serviço oferecido, mas sem precisarmos aumentar o número de profissionais de saúde”, conta Mauro Nunes, coordenador de saúde de Médicos Sem Fronteiras no Brasil. “As pessoas que trabalham aos sábados recebem uma folga durante a semana, ou quem não pode vir durante a semana compensa no sábado”, explica ele, que acredita que, com isso, o centro de Marcílio Dias vai estar incentivando outros centros municipais de saúde a abrirem suas portas para as comunidades também aos sábados.