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RDC: Mais de uma centena de mulheres foram estupradas após ataque armado na província de Kivu do Sul

14/05/2015
Equipes de MSF ofereceram cuidados médicos e acompanhamento às vítimas

Foto: Leonora Baumann

Equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) na região de Shabunda, localizada no leste da República Democrática do Congo (RDC), ofereceram cuidados médicos para 127 mulheres que haviam sido estupradas na cidade de Kikamba após um ataque realizado por dezenas de membros de milícias armadas.

MSF ofereceu assistência médica às vítimas de violência sexual e um conjunto de procedimentos foi implantado para monitorá-las, a fim de garantir que sua privacidade seja respeitada. Houve também saques e confrontos armados durante o incidente, em que pelo menos duas pessoas ficaram feridas por tiros. Essas vítimas também foram tratadas e enviadas para dois hospitais da região, que também recebem assistência da organização.

Na noite de 1º de maio, de acordo com relatos feitos à equipe de MSF por habitantes de Kikamba, aproximadamente 60 homens armados atacaram o vilarejo. Os agressores saquearam casas, agrediram homens e estupraram um grande número de mulheres nas primeiras horas da manhã seguinte. Eles também fizeram cerca de 30 crianças de prisioneiras, usando-as para transportar os bens roubados durante a fuga, libertando-as depois disso. Após receber o alerta, a equipe de MSF chegou 24 horas depois para prestar assistência médica às vítimas.

Embora uma grande parte da população tenha buscado refúgio na floresta, temendo a ação dos agressores armados, muitas vítimas visitaram o centro médico depois de saberem sobre a chegada da equipe de MSF. Diversas mulheres do grupo relataram terem sido estupradas pelos agressores. Nos dias seguintes, mais de 100 mulheres foram ao centro, afirmando que elas também haviam sido vítimas de agressão sexual. As vítimas de estupro têm idade entre 14 e 70 anos.

“Agressões sexuais em larga escala ligadas às ações de grupos armados, infelizmente, não são excepcionais dentro do contexto da RDC”, explicou Francisco Otero, coordenador-geral de MSF em Kivu do Sul. “Nesse evento, muitas vítimas chegaram bem rápido até nós, em busca de assistência médica. Essa não é a norma, na medida em que as vítimas geralmente não relatam esse tipo de agressão com medo de retaliação por grupos armados ou rejeição em suas próprias comunidades”, acrescenta ele.

MSF começou a oferecer assistência no centro de saúde de Kikamba em 2010 devido ao influxo em larga escala de pessoas deslocadas na região, permanecendo ali para garantir o acesso de habitantes a cuidados básicos de saúde. Na região de Shabunda, MSF trabalha com hospitais gerais localizados em Shabunda e Matili, oferecendo assistência a seis centros de saúde. Em 2014, MSF realizou mais de 150 mil consultas, das quais 260 para ferimentos resultantes de violência sexual.

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