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Burundi: MSF trata mais de 60 feridos em Bujumbura

17/02/2016
Uma série de explosões de granadas atingiu mercados e centros comerciais na capital do país

Foto: Albert Masias/MSF

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou mais de 60 pessoas na manhã do dia 15 de fevereiro após uma série de explosões de granadas atingir vários locais de Bujumbura, capital do Burundi. O incidente aconteceu apenas cinco dias após dois outros ataques com granadas, no dia 11 de fevereiro, que feriu 55 levadas ao l’Arche, centro de trauma de MSF em Bujumbura.

O cirurgião do centro de trauma de MSF em Bujumbura, Burundi, está operando uma menina que foi ferida no estômago por uma bala perdida (Foto: Albert Masias / MSF)“Nós recebemos muitas pessoas, incluindo mulheres e crianças, com ferimentos resultantes de trauma, como fraturas expostas, ferimentos na cabeça e cortes. É a segunda vez em menos de uma semana que temos tantos pacientes feridos chegando ao nosso centro de trauma”, diz Efstathios Kyrousis, coordenador-geral de MSF no Burundi. As granadas explodiram em várias regiões da cidade, principalmente em zonas de comércio, e duas mortes foram reportadas.

A equipe de MSF lançou um plano de gestão de vítimas em massa para tratar o influxo de feridos, atendendo primeiramente os casos mais graves. Em poucas horas, foram realizadas sete cirurgias, e estão sendo planejadas mais oito para os próximos dias. Entre os 61 pacientes tratados na segunda-feira (15/02), 18 eram mulheres e três crianças.

MSF é uma das únicas organizações internacionais a tratar feridos e traumas relacionados a emergências médicas na capital. Atualmente, o centro de trauma de MSF comporta 43 leitos e dispõe de uma sala de emergência, dois centros cirúrgicos e uma unidade de terapia intensiva (UTI), mas, em breve, terá sua capacidade de leitos ampliada para 86. As atividades de MSF no Burundi são financiadas exclusivamente por contribuições de indivíduos e a organização não aceita verbas de nenhum governo para seus projetos no país. Em suas atividades no Burundi, e em qualquer lugar do mundo, MSF trata todos os pacientes independentemente de sua origem étnica, religião ou afiliação política.

Profissionais de MSF circulam pelo l’Arche, centro de trauma da organização em Bujumbura, Burundi (Foto: Albert Masias / MSF)MSF atua no Burundi desde 1992 e intensificou suas atividades em Bujumbura quando tensões pré-eleitorais começaram a crescer em maio de 2015. Seus serviços são gratuitos e estão disponíveis a qualquer um que atenda aos critérios de admissão – que inclui todos aqueles que enfrentaram um trauma violento. Desde que o centro de MSF foi inaugurado em julho, 1.210 pacientes feridos receberam tratamento; desses, 205 precisaram de cirurgia. MSF também tem respondido ao influxo massivo de refugiados burundineses na Tanzânia desde maio de 2015. Atualmente, há cerca de 130 mil refugiados na Tanzânia, e entre 200 e 250 refugiados continuam cruzando a fronteira todos os dias. MSF está atuando nos acampamentos de Nyaragusu, Nduta e Mtendeli, oferecendo cuidados médicos, apoio de saúde mental, abastecimento de água e assistência sanitária.

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