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Brasileiro lamenta destruição de hospital em que atuava

23/05/2013
Os conflitos na cidade de Pibor, no Sudão do Sul, levaram mais de 100 mil pessoas a se refugiarem no mato; elas estão, agora, sem acesso a cuidados de saúde

O brasileiro Marcos Leitão ficou particularmente tocado com a notícia de que a população da cidadezinha de Pibor, no Sudão do Sul, está sem acesso à saúde porque o hospital da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi intencionalmente destruído na última semana. Ele chegou de Pibor, local que é palco de conflitos armados entre o SPLA, exército do Sudão do Sul, e a milícia armada David YauYau, há 15 dias.


Marcos Leitão, que mora em Santa Bárbara do Oeste, interior de São Paulo, trabalhou na administração do escritório do projeto de MSF em Pibor por um mês. Anteriormente, ele esteve em países como Níger, com projeto de vacinação contra meningite; Haiti, durante epidemia de cólera; e Afeganistão, onde MSF teve que suspender os atendimentos por conta de uma bomba caseira dentro do hospital. No entanto, segundo ele, em três anos de trabalho com a organização nunca presenciou situação tão triste.


“O hospital fica bem no fronte, onde soldados do governo e a milícia armada se enfrentam, e quem mais sofre é a população local”, diz. “Trabalhávamos ouvindo tiros.”
 
Apesar de não lidar com pacientes diretamente, Marcos acompanhou de perto casos como o de uma mãe que chegou ao hospital de MSF em estado de choque depois de, junto com o seu bebê, ter sido alvo de tiros. “Ela não chegou a ser baleada, mas estava absolutamente exausta em estado de choque depois de andar três dias e três noites com seu bebê nas costas. Eles não tinham água nem comida. A sola do pé dela estava queimada de andar descalça na areia quente e as roupas estavam rasgadas. Ela não conseguia andar direito e nem contar o que tinha acontecido.”
 
A primeira coisa que a equipe médica fez foi ajudar a restabelecer a dignidade da paciente. “A enfermeira enrolou-a no lençol e a acolheu, para depois iniciar os procedimentos médicos propriamente ditos”, lembra.
 
Ele conta também que viu muitos jovens feridos com tiros no maxilar. “Eu ficava pensando no tipo de sobrevida que eles teriam, tão jovens e com o futuro comprometido”, diz. “É muito triste saber que a população local está sem acesso à saúde agora.”
 
O hospital de MSF em Pibor, única alternativa para cuidados de saúde na província, foi destruído no final de semana de 11 e 12 de maio.

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