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Ásia: equipes de MSF passam a noite em vilarejos remotos a oeste de Banda Aceh

04/01/2005
Em dois vilarejos, Lamno e Lampe-Ngo, estima-se que entre 75 e 80% da população tenham morrido vítimas das tsunamis. MSF está na região para oferecer cuidados de saúde, água potável e comida, além de dar apoio às estruturas locais de saúde

Na segunda-feira, 3 de janeiro de 2005, MSF realizou três vôos de helicóptero para Lamno e Lampe-Ngo na costa oeste de Aceh. Duas equipes de saúde de MSF permaneceram nos vilarejos para dar início a clínicas móveis, levando suprimentos e comida para a população. Pela primeira vez, equipes de MSF passaram a noite nos vilarejos da costa oeste para obter uma visão mais ampla das necessidades da população e para ter contato direto com estas comunidades tão isoladas e traumatizadas.

Em Lamno, cerca de 11 mil pessoas deslocadas vivem em seis campos. Aqui, cerca de 75% da população morreram vítimas das tsunamis. MSF está oferecendo consultas médicas numa loja e está observando que há uma necessidade urgente por estruturas de água e saneamento já que a maioria dos poços foi inundada com água salgada.

Em Lampe-Ngo, MSF encontrou cerca de 3 mil desabrigados. As pessoas disseram às equipes de MSF que cerca de 80% da população desapareceram durante as ondas gigantes. Alguns feridos que conseguiram se salvar precisam de pequenas cirurgias. A necessidade por alimento é enorme. Até agora, as pessoas estão secando e comendo o arroz que estava submerso.

Enquanto isso, MSF continua fazendo um levantamento, de carro, ao longo da costa leste. No hospital Sigli, os funcionários estão tão sobrecarregados que os médicos de MSF ficaram lá para ajudar no socorro. O hospital está lotado de feridos, muitos deles precisando de cirurgia e sofrendo de traumas considerados graves. Além da falta de profissionais e de material há também um saneamento precário. MSF decidiu enviar para lá uma equipe cirúrgica que chega ainda hoje (4 de janeiro) no hospital Sigli. A situação de saneamento em 14 campos de deslocados nos arredores de Sigli é alarmante. MSF vai enviar profissionais de água e saneamento e duas equipes de clínicas móveis.

Em Banda Aceh, a equipe que realiza clínica móvel retornou para Cot Keung, onde 228 consultas foram realizadas. As patologias mais comuns são infecções respiratórias, doenças de pele, diarréia e ferimentos. Nossa equipe encaminhou três pacientes feridos para o hospital de Fakine.

Em um campo de desabrigados, uma área para lavagem foi montada, assim como um receptor de lixo ( os desabrigados estão ajudando na operação de limpeza).

Também já foi iniciada a construção de uma área de desinfecção para as pessoas que estão recolhendo os corpos, mas um treinamento foi adiado até que haja profissionais suficientes para gerenciar a área. Como no dia anterior, MSF está oferecendo uma pequena quantidade de sacos pretos para guardar os corpos.

Hoje o navio do Greenpeace ‘Rainbow Warrior’ chegará de Medan com carregamento para MSF. Outro cargueiro transportando arroz, gás, latas de geléia e suprimentos médicos também está sendo aguardado. Um cargueiro com 12 toneladas chegou no dia 3 de janeiro, trazendo suprimentos médicos e logísticos da Bélgica. A quantidade de suprimentos levados por MSF para Banda Aceh é de cerca de 200 toneladas.

Atualmente, MSF tem ao todo 57 profissionais de ajuda humanitária em Banda Aceh, 38 deles são indonésios.