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Após o fim da Guerra, ajuda de MSF ainda é muito necessária na Líbia

01/12/2011
Cuidados médicos para imigrantes, deslocados internos e prisioneiros continuam sendo oferecidos em Trípoli e Misrata

Equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) continuam oferecendo cuidados médicos para imigrantes, deslocados internos e prisioneiros nas cidades de Trípoli e Misrata, além da ajuda psicológica que oferece em todo o país, em resposta às necessidades que surgiram após meses de violência.

A expectativa de MSF é que a demanda por cuidados de saúde mental aumente nos próximos meses e se mantenha por muito tempo. Segundo a organização, apenas uma estratégia antecipada e focada no tratamento ajudará a prevenir que traumas relacionados ao conflito se agravem, e, por isso, mais difíceis de ser tratados.

Necessidades numerosas e variadas

Em Trípoli, MSF ainda está trabalhando em quatro acampamentos que abrigam um total de 4 mil imigrantes africanos e deslocados internos da minoria Tawargha. Nesses locais, a organização oferece cuidados básicos de saúde e apoio psicológico a grupos e indivíduos. Todos os dias, três enfermeiros e dois psicólogos andam pelos acampamentos, oferecendo ajuda.

Desde setembro, mais de 200 pacientes receberam apoio psicológico individual, e 33 atividades de grupo foram organizadas nesses acampamentos, onde os residentes ainda são submetidos a intimidações, roubos e assaltos. Muitos deles exibem sinais de depressão, dificuldade de dormir, ansiedade ou estresse pós-traumático.

Em Trípoli e Misrata, MSF ofereceu treinamento e uma série de cursos sobre traumas relacionados a conflitos a 20 psicólogos líbios. O país não tem um sistema de treinamento adequado, e as equipes disponíveis estão sobrecarregadas por terem que lidar com muitos e variados traumas psicológicos relacionados ao conflito que se apresentam.

Em escolas e prisões

Por mais de seis meses, a população de Misrata teve que viver no centro dos conflitos que tomaram a Líbia recentemente. Lá, MSF está trabalhando em quatro cadeias, cerca de 15 escolas e seis unidades de saúde, entre hospitais e centros de saúde. Nas prisões, MSF acompanha o tratamento dos feridos, realiza cirurgias – inclusive enxertos de pele – e acompanha tratamentos ortopédicos e de fraturas. Nas últimas quatro semanas, MSF atendeu quase 2 mil feridos e realizou 40 cirurgias plásticas ou ortopédicas em Misrata.

As atividades de saúde mental são baseadas em uma abordagem comunitária, envolvendo principalmente associações femininas. A meta do programa é oferecer a essas pessoas assistência psicológica direta ou treiná-las para formar seus próprios grupos de apoio, além de identificar e encaminhar pessoas que precisam de cuidados individuais.

Desde o início do programa, mais de 450 pacientes receberam acompanhamento psicológico, e quase 100 grupos de terapia comunitária diferentes foram formados e passaram por treinamento básico de saúde mental.

MSF está presente na Líbia desde o dia 24 de fevereiro, trabalhando nas cidades de Benghazi, Trípoli, Misrata, Zintan, Yefran, Sirte e Zawiyah, bem como na fronteira com a Tunísia. A organização também coordenou a retirada de barco de 135 pacientes, levando-os de Misrata para a Tunísia, e realizou mais de 12 mil consultas médicas.

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