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Apesar da trégua, população ainda luta para sobreviver no noroeste da Síria

18/03/2020
Situação dos deslocados sírios em Idlib ainda é muito preocupante: acampamentos estão superlotados e em condições insalubres e o frio do inverno é extremo
Apesar da trégua, população continua lutando para sobreviver no noroeste da Síria

Foto: Abdul Majeed Al Qareh

A ofensiva militar liderada pelo governo da Síria e seus aliados no noroeste do país levou ao deslocamento de quase um milhão de pessoas na região de Idlib em apenas quatro meses. As pessoas tiveram que deixar suas casas ou acampamentos onde já viviam como deslocadas para escapar de ofensivas terrestres, ataques e bombardeios diários.

No dia 5 de março deste ano, um cessar-fogo na província síria de Idlib foi acordado entre os governos da Turquia e da Rússia. Embora a intensidade do conflito e dos deslocamentos tenha reduzido nas últimas semanas, a situação dos sírios que tiveram de fugir da violência não mudou. A maioria deles ainda vive em ambientes superlotados e em más condições de higiene.

Recentemente, as pessoas deslocadas no noroeste da Síria também tiveram de enfrentar o frio intenso do inverno, com temperaturas negativas em algumas noites. “É uma complicação adicional a uma situação que já é extremamente dramática”, explica Cristian Reynders, coordenador de projetos de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no noroeste da Síria. “Algumas pessoas estão tão desesperadas que estão usando insumos perigosos para aquecer a tenda onde vivem.” Há um mês, uma família de quatro pessoas morreu de asfixia depois de usar um combustível inadequado para aquecer sua tenda, em um campo de deslocados internos na cidade de Kili, no norte da cidade de Idlib. E, no início de março, houve um incêndio em outro campo no norte da província de Idlib, pelos mesmos motivos. Por causa do incidente, 12 pacientes com queimaduras foram internados no hospital de Atmeh, mantido por MSF.

“Já ampliamos significativamente nossas atividades desde o início da ofensiva”, acrescenta Reynders. “Mas entendemos que responder a esse problema específico também era extremamente importante”. Desde o início de março deste ano, MSF distribuiu mais de 300 toneladas de materiais para aquecimento a mais de 22 mil pessoas em 21 campos e assentamentos que abrigam famílias deslocadas pelo conflito. Ao longo dos últimos meses, a organização também distribuiu outros itens essenciais, como kits de higiene e colchões para mais de 17 mil pessoas em 19 campos e assentamentos informais. Mais 2 mil kits com itens de primeira necessidade serão distribuídos até o fim do mês.

“Além de ampliarmos consideravelmente as distribuições, também aumentamos o número de outras atividades nos campos”, explica o coordenador de projetos. “O recente cessar-fogo no noroeste da Síria não tornou melhores as condições de vida nos acampamentos nem fez com que as pessoas voltassem para suas casas. Pelo contrário: quase um milhão de pessoas ainda está vivendo no frio e muitas delas o fazem em condições insalubres – às vezes, sequer têm acesso ao básico, como água potável e atendimento médico caso fiquem doentes.”

No mês passado, MSF assegurou o abastecimento de água para cerca de 40 mil deslocados internos em mais de 15 acampamentos. E, desde dezembro de 2019, nossa equipe móvel seguiu atuando em vários locais e atendeu mais de 17 mil pessoas em consultas médicas. Quarenta por cento dos pacientes tinham infecções do trato respiratório superior e 13% apresentaram infecções das vias respiratórias inferiores.

Embora a situação no noroeste da Síria tenha saído das manchetes mundiais nas últimas semanas, a luta da população em Idlib ainda é uma realidade cotidiana. MSF está dando o seu melhor para atender a todas as necessidades, mas elas são muito maiores do que a atual capacidade de resposta da organização. “Atender as necessidades médicas dos deslocados em Idlib é um desafio por vários motivos, como, por exemplo, o ambiente inseguro em que nossas equipes trabalham e os recursos limitados. Mas temos de continuar ajudando as pessoas aqui, sobretudo porque a maioria perdeu tudo e depende completamente de ajuda humanitária”, conclui Cristian Reynders. “Não podemos fechar os olhos para o que está acontecendo ou ficar desestimulados só porque ainda há muito a ser feito para ajudar a população daqui".

 

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