Você está aqui

Afeganistão: MSF abre centro de tratamento de COVID-19 em Herat

02/07/2020
Estrutura atenderá pacientes com casos graves da doença
Afeganistão: MSF abre centro de tratamento de COVID-19 em Herat

Foto: MSF

No oeste do Afeganistão, Médicos Sem Fronteiras (MSF) está intensificando sua resposta à COVID-19 na província de Herat, a segunda mais afetada depois de Cabul. Hoje, o centro de tratamento de COVID-19 de MSF no Hospital Gazer Ga abrirá a porta para os primeiros pacientes.

"Estamos abrindo uma unidade de tratamento para atender pacientes em estado grave e apoiar a capacidade do Ministério da Saúde de gerenciar casos de COVID-19. Após quatro décadas de um prolongado conflito, o surto de COVID-19 está exacerbando ainda mais uma situação que já é terrível no Afeganistão", diz Claire San Filippo, coordenadora de projetos de MSF em Herat.  

Desde que o primeiro caso afegão de COVID-19 foi confirmado em Herat, no final de fevereiro, esse número tem aumentado continuamente. No início da pandemia, muitos afegãos - mais de 159 mil só em março, segundo a Organização Internacional para as Migrações - voltou do Irã, país fortemente afetado pela pandemia. Por esse motivo, Herat, que para muitos afegãos está na rota de retorno às suas províncias, foi o primeiro epicentro do surto no país. Agora, Herat é o segundo ponto focal de COVID-19, com quase 4.500 casos confirmados até 22 de junho.

Esses números, entretanto, não mostram uma imagem precisa da situação geral. Os casos de COVID-19 em Herat, de forma semelhante ao que ocorre em todo o país, seguem praticamente não detectados. Até 22 de junho, apenas 64.585 pessoas, de um total estimado de 37,7 milhões de habitantes no Afeganistão, haviam sido testadas. Há uma escassez crônica na capacidade de teste. O número de casos graves no Hospital Shaydahee, em Herat, aumentou de 50, no início de maio, para 125 no começo de junho. Na triagem no Hospital Regional de Herat, entre 5 e 10 dos cerca de 100 pacientes atendidos por dia estão em condição crítica ou grave - e parece que a verdadeira escala de transmissão entre a comunidade permanece descaradamente subestimada.

Para responder à pandemia em Herat no início do surto, as equipes de MSF começaram a implementar medidas de prevenção e de controle de infecção nas estruturas de saúde em que estavam trabalhando, uma clínica nos arredores de Herat para pessoas deslocadas internamente e o centro de alimentação terapêutica intensiva no Hospital Regional de Herat.  

Em abril, eles também organizaram a triagem de pacientes para testes de COVID-19 na clínica para pessoas deslocadas e no Hospital Regional de Herat, de forma a garantir a detecção precoce de casos e para criar um sistema eficaz de encaminhamento de casos suspeitos para unidades relevantes de saúde.
“Agora, com a abertura do Hospital Gazer Ga, que tem capacidade para 32 leitos, planejamos aumentar os atendimentos a pacientes graves com COVID-19 que precisam de oxigênio, aliviando a pressão nos dois centros existentes de gerenciamento de COVID-19, os hospitais Shaidayee e Liberty, que estão sobrecarregados com pacientes”, observa Claire San Filippo.

Para que possa se concentrar no gerenciamento de casos graves, o Hospital Gazer Ga não aceita pacientes sem um encaminhamento. Todos os pacientes serão encaminhados principalmente da triagem do Hospital Regional de Herat.

Quatro meses depois de o primeiro caso ter sido relatado, a situação não está sob controle e a prevenção da disseminação do vírus segue sendo um desafio. Famílias grandes, acomodações superlotadas e com pouco acesso a água, saneamento e ventilação, níveis elevados de interação social e de pobreza tornam quase impossível a lavagem regular das mãos, o isolamento doméstico e o distanciamento social. Algumas pessoas com sintomas relacionados à COVID-19 continuam relutantes em procurar assistência médica.

Devido ao aumento nos casos após a celebração muçulmana de Eid al Fitr, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã, a negação que era vista antes na comunidade, sobre a existência da COVID-19, não é mais possível, e as pessoas continuam assustadas. Há rumores generalizados sobre os centros de COVID-19 e alguns têm medo de que rituais religiosos e culturais não sejam respeitados de forma adequada se morrerem ao procurar tratamento - o que não é o caso. É fundamental que as pessoas não esperem para procurar ajuda, uma vez  que chegar tarde ao hospital reduz bastante as chances de recuperação.

Para pacientes internados por doenças que não a COVID-19, a situação também é desafiadora. O elevado número de profissionais infectados nas unidades de saúde limita sua capacidade de prestar assistência. Desde meados de maio, um alto número de bebês desnutridos foi internado no centro de alimentação terapêutica de MSF em um momento em que MSF luta para manter toda a capacidade de leitos devido a infecções entre os funcionários.
MSF mantém seis projetos em cinco províncias afegãs, além da capital, Cabul: Helmand, Kandahar, Herat, Khost e Kunduz. Na província de Herat, MSF administra uma clínica para pessoas deslocadas no Kadhestan/Shaidayee, nos arredores de Herat, e apoia o Ministério de Saúde Pública na ala de desnutrição do Hospital Regional de Herat. Em 2019, MSF fez 101.869 consultas ambulatoriais, assistiu 61.881 partos e realizou mais de 9.953 intervenções cirúrgicas. Para o trabalho que realiza no Afeganistão, MSF não aceita financiamento de nenhum governo e, em vez disso, depende exclusivamente de doações de pessoas físicas e de fundações.

Faça uma doação e apoie #MSFcontraCOVID19

Leia mais sobre

MSF usa cookies neste site para melhorar sua experiência.
Saiba mais na

Política de Privacidade. Aceitar