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500 mil pessoas são deslocadas por enchentes na região de Grande Pibor, no Sudão do Sul

02/10/2020
Condições já eram dramáticas por causa dos deslocamentos causados pelos conflitos armados no país
500 mil pessoas são deslocadas por enchentes na região de Grande Pibor, no Sudão do Sul

Foto: Tetiana Gaviuk/MSF

Médicos Sem Fronteiras (MSF) está profundamente preocupada com o impacto das fortes inundações em andamento na região de Grande Pibor, no Sudão do Sul, que deslocaram milhares de pessoas e agravaram uma emergência humanitária já devastadora. MSF está pedindo às organizações da região que aumentem sua resposta para evitar mais desastres.

“Quando o conflito recomeçou [em junho de 2020], fugimos para a mata com nosso gado”, disse Martha. “40 vacas foram roubadas, mas ainda tínhamos mais 60. Então vieram as enchentes e o gado restante ficou doente e morreu. Agora tudo se foi.”

Seu neto de 6 meses de vida, Kony, está se recuperando de malária cerebral em uma clínica de MSF na cidade de Pibor. Martha e sua nora carregaram Kony por dois dias do assentamento de Neemach até Pibor para chegar aos serviços médicos.

Rios cheios e inundações estão varrendo as comunidades na região do Grande Nilo Superior a uma velocidade alarmante, pelo segundo ano consecutivo. Desde julho, as enchentes deslocaram centenas de milhares de pessoas e deixaram muitas mais sem acesso confiável a alimentos e água potável. Elas estão expostas à malária, doenças transmitidas pela água, picadas de cobra e insegurança alimentar, pois as enchentes inundam suas casas e fazendas.

Na cidade de Pibor, onde MSF está oferecendo cuidados médicos que salvam vidas, a situação humanitária está se tornando desastrosa. Em 2019, uma grande inundação devastou a área, obrigando-nos a reduzir nossas atividades e dar alta aos pacientes quando o hospital e o complexo ficaram completamente submersos. As hostilidades que recomeçaram no primeiro semestre de 2020 causaram deslocamentos em grande escala e a perda de vidas e recursos. Depois que a situação de segurança se estabilizou em agosto, MSF relançou uma atuação de emergência para responder ao deslocamento em massa devido ao conflito, abrindo uma clínica no único lugar da cidade que não estava debaixo d'água no ano passado.

“Foram 12 meses difíceis para esta comunidade”, afirmou Josh Rosenstein, vice coordenador-geral de MSF. “Múltiplas vezes MSF respondeu a emergências e, mais uma vez, nossa mais recente resposta de emergência ao deslocamento relacionado ao conflito está se transformando em uma resposta às enchentes. Nosso foco agora está na malária, sarampo e em outros problemas causados pelas inundações.”  

“Hoje, estamos alcançando a comunidade por meio de nossas clínicas móveis diárias, tratando das doenças mais graves”, acrescentou Rosenstein. “Também estamos implementando nosso plano de contingência contra enchentes, que inclui a construção de defesas adicionais ao redor da clínica para garantir que possamos continuar a fornecer serviços médicos, já que o nível da água está subindo a uma velocidade alarmante.”

Hoje, o rio Pibor aumentou de forma que a água já deixa partes da cidade inacessíveis. Muitos bairros não podem ser alcançados a pé porque a água está muito alta e o sistema de balsas local é caro para quem mora na área. Uma equipe móvel de MSF, composta por um oficial clínico, uma enfermeira e um oficial de educação em saúde, está prestando cuidados médicos para prevenir e tratar as condições mais graves em áreas de difícil acesso.

“Não consigo acreditar no que meus olhos viram: tanta destruição de infraestrutura e recursos”, avaliou Simon Peter Olweny, coordenador de água e saneamento de MSF em Pibor. “Faltam banheiros públicos na cidade. Em nossa clínica, temos apenas dois banheiros e nenhum espaço para construir outros para atender às centenas de pessoas que tratamos todos os dias. Essas condições são um terreno fértil para doenças.”

MSF está preocupada com o agravamento da situação. Emergências locais recorrentes, os impactos da pandemia global de COVID-19 sobre a capacidade de assistência de emergência e a crescente insegurança alimentar na região são motivos de preocupação hoje e no futuro próximo.

“A emergência de hoje é apenas mais uma situação que está afetando a comunidade local”, analisou Rosenstein. “O pior das enchentes ainda está para acontecer, e a comunidade já está sentindo as tensões da insegurança alimentar. A falta de acesso a cuidados de saúde só vai piorar nas próximas semanas e meses, e as condições só vão ficar mais precárias para as pessoas”.

Desde julho, MSF forneceu água potável, distribuiu 7.252 mosquiteiros, tratou 1.493 crianças menores de 5 anos de idade com malária e 79 pacientes com sarampo.

Em um país com uma das maiores taxas de doenças e mortes infantis, MSF está pedindo a todas as organizações que mobilizem recursos e ampliem sua resposta em Grande Pibor, incluindo alimentos e outros itens de socorro, abrigo, água e serviços médicos, para ajudar a prevenir o impacto desastroso sobre as pessoas que foi testemunhado em outubro do ano passado.


MSF trabalha no Sudão do Sul desde 1983, levando assistência médica a muitas partes do país, onde o acesso a serviços de saúde e outros serviços humanitários permanece limitado. Com base em seus valores de independência, neutralidade e imparcialidade, MSF é capaz de responder rapidamente a emergências, oferecendo assistência médica com base nas necessidades e independentemente de raça, religião, gênero ou afiliação política. Atualmente, MSF mantém 15 projetos em todo o Sudão do Sul.


 

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