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Uma experiência mais tranquila?

O logístico Mário Braga fala sobre seu segundo projeto com MSF
29/03/2019

Seis meses em Bangui, capital da República Centro-Africana, num contexto tenso e cheio de imprevistos, foi uma experiência fantástica. Depois de alguns meses em casa, matando as saudades de filhos, netos e da minha eterna namorada e mulher, Médicos Sem Fronteiras (MSF) me propôs um novo desafio: África do Sul.

A perspectiva de retornar a esse país, onde eu havia vivido por mais de 12 anos, acelerou meu pulso. A posição de gerente de logística e suprimentos em Eshowe deu-me um certo frio na barriga. Uma equipe grande a gerenciar – cerca de 20 pessoas, compreendendo as áreas de Transporte, Logística de Base, Telecomunicações e Suprimentos – num primeiro momento assustou. Resolvi aceitar, confiando muito no entrosamento de MSF e um pouco pelo fato de conhecer bem o ambiente sul-africano, onde o grau de previsibilidade dos eventos é bastante alto.

Eshowe fica entre Durban, que é o principal porto oceânico do país e Richards Bay, outro importante porto, focado principalmente na movimentação de carvão. É uma região de verde intenso, clima agradável e eminentemente rural. Situada a cerca de 50 quilômetros da costa do oceano Índico, a 700 metros de altitude e cercada pela Dlinza National Forest, o clima lembra muito o da região serrana do estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

Entre a primeira reunião na Cidade do Cabo e assumir meu posto já no projeto foram apenas cinco dias. “Bending the Curves” (“dobrando a curva”, em português) é um projeto impactante. Reverter a questão do HIV nesta região, escolhida justamente por concentrar a maior incidência de HIV de todo o continente africano, foi uma meta audaciosa.

Começo com muitas dúvidas e hesitações, mas a equipe do projeto, especialmente bem entrosada e proativa, vai confirmando minha expectativa inicial. É MSF em ação no seu melhor!

Minha área de atuação compreende logística para movimentação diária de cerca de 130 pessoas entre as 11 clínicas e outros tantos postos de atendimento, espalhados num raio de mais de 70 quilômetros. Para isso, uma frota de 15 veículos deve ser replanejada, otimizada e reduzida para apenas 12 no curto prazo.

Além disso, dois armazéns, um de material logístico e outro de produtos médicos e farmacêuticos a reorganizar, mais a manutenção de escritórios, residências funcionais e postos de atendimento. Informática e telecomunicações para todo esse pessoal, enfrentando racionamento de energia em datas meio aleatórias completam o cenário inicial.

Chego em casa, final de tarde de muito vento e sol forte. Os macaquinhos prateados (vervet monkeys) me esperam na varanda. Saem correndo para o topo de um abacateiro quando me aproximo.

O tempo voa, estou na metade do meu tempo aqui, algumas etapas vencidas, muitas por enfrentar ainda e a certeza de que cada dia traz alguma coisa nova para aprender.
 

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