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Uma equipe motivada a mudar a realidade de seu país

O administrador Leonardo Picarelli está em seu segundo projeto de MSF no Afeganistão e fala sobre a interação com os profissionais locais
28/03/2018
Uma equipe motivada a mudar a realidade de seu país

Foto: Acervo Pessoal

Meu nome é Leonardo Picarelli e sou administrador por formação. Atualmente, estou em Cabul, capital do Afeganistão, de onde coordenamos os nossos seis projetos espalhados por todo o país. Cheguei aqui para a minha terceira missão com MSF, em setembro de 2017, e vim para ficar durante um ano como Learning and Development Manager (Gerente de Aprendizado e Desenvolvimento, em tradução livre).

O objetivo do meu departamento é desenvolver e capacitar nossa equipe, contribuindo assim para a melhoria nos serviços de saúde que oferecemos.

A nossa equipe de profissionais (e falo não somente da equipe de profissionais de saúde, mas também do nosso time financeiro, de recursos humanos, de logística, de supply, de comunicação, advocacy etc.) é sem dúvida nosso ativo mais importante. Por isso, para oferecer um serviço médico de qualidade para os nossos beneficiários, precisamos treinar e desenvolver todo nosso time. Assim, acreditamos que investir em treinamentos é um fator crítico para que possamos prestar um serviço de qualidade.

Nossos desafios variam de acordo com a região em que cada projeto está situado. Em alguns projetos, devido ao baixo nível educacional, temos um grande desafio em manter a qualidade dos serviços em nossos hospitais. Em outras localidades, é difícil encontrar certos perfis (como cirurgiões e farmacêuticos).  Aqui no Afeganistão ainda acrescentamos os problemas relacionados à segurança. Isso impõe, por exemplo, uma limitação nos nossos deslocamentos da coordenação em Cabul para os projetos e, por isso, a logística para organizar um treinamento pode ser bem complicada.

Gerencio uma equipe de 12 pessoas e o nosso trabalho inicia-se quando um novo funcionário é contratado. Começamos então a traçar um plano individual de desenvolvimento para que o mesmo possa ser capacitado para trabalhar de acordo com os protocolos e parâmetros estabelecidos por MSF. Aqui no Afeganistão temos mais de 2 mil funcionários que são acompanhados, treinados e avaliados por nossa equipe. Estamos melhorando a capacidade na entrega de serviços médicos para o país e, mesmo que eventualmente MSF precise encerrar alguns projetos ou até mesmo sair do pais, tenho certeza que deixaremos uma equipe bem treinada e preparada para continuar prestando um serviço de excelência para a população.

Esse é meu segundo projeto no Afeganistão, um país que não para de me impressionar com a resiliência de sua população.  O que me fez querer voltar ao Afeganistão foi justamente as pessoas que encontrei por aqui. Fiquei impressionado com a qualidade de nossa equipe nacional e com o quão determinados eles são. Trabalhar com treinamentos com uma equipe ávida por conhecimento é muito recompensador.

Um dos meus maiores desafios é tentar planejar estando em um contexto tão volátil. Qualquer alteração no cenário pode alterar meses de planejamento e fazer com que mudemos toda a nossa estratégia.

O que me motiva a continuar sempre focado e bem humorado aqui no Afeganistão é a equipe que tenho comigo que é super capacitada e interessada em melhorar a realidade do seu pais.