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Um contexto de mais tranquilidade na Guiné-Bissau

Profissional brasileiro da área de suprimentos fala sobre o trabalho que realiza com MSF na capital do país
12/04/2017
Um contexto de mais tranquilidade na Guiné-Bissau

Foto: Rámon Pereiro/ MSF

Meu nome é Guillermo Gutierrez, e estou aqui com Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Guiné-Bissau faz oito meses, um país pequenininho do oeste africano. Estou trabalhando no time da capital, Bissau, como gerente de suprimentos, dando suporte a dois projetos: um no interior do país, em Bafatá, e outro aqui, na própria capital. Trabalhei com MSF pela primeira vez na Jordânia, de maio a agosto de 2016, e, em seguida, vim direto para a Guiné-Bissau. Vim para ficar nove meses, totalizando um ano em campo com MSF.  

Foram muitas as diferenças entre o trabalho realizado aqui e na Jordânia. Lá, as compras de medicamentos são feitas localmente, e isso demanda um trabalho muito grande de MSF para garantir a qualidade dos produtos utilizados em nossos projetos. Por isso, tínhamos um farmacêutico que visitava a instalação dos fornecedores para garantir a origem e a qualidade de todos os medicamentos.

O trabalho aqui na Guiné-Bissau é relacionado à mortalidade infantil, que é bem elevada, e, por isso, nossos dois projetos no país são pediátricos. Na capital, estamos dentro da pediatria do principal hospital do país, o Hospital Nacional Simão Mendes, onde atuamos nos cuidados intensivos e nas emergências com o intuito de agir o mais rápido possível no tratamento das crianças que ali chegam. Em Bafatá, atuamos junto dos centros de saúde de alguns vilarejos, e também no principal centro de saúde da região. Um dos casos que me impactou foi de um neonato que chegou a PICU (Pediatric Intensiv Care Unit, na sigla em inglês) com problemas respiratórios. Ver o trabalho intenso dos médicos e enfermeiros totalmente dedicados àquela criança por horas para conseguir estabilizá-la e, após duas semanas, ver a mãe saindo com o seu filho saudável foi algo muito cativante.

Em geral, como o contexto me permite estar bem próximo dos pacientes, isso me enche de motivação para continuar desempenhando meu trabalho da melhor maneira possível. A cada visita, tento saber de todas as necessidades do pessoal que trabalha no hospital (enfermeiros, médicos, senhoras de limpeza, guardas, etc.), para achar a melhor solução para atender a essas demandas.

Outro ponto interessante do nosso contexto é que a situação da Guiné-Bissau é mais estável do que em outros países da África, pois não existem conflitos armados no país. Isso nos permite desenvolver alguns trabalhos inovadores com pesquisas e criar novos procedimentos dentro da estrutura de MSF que podem vir a ser replicados em outros projetos e contextos. Por exemplo, em Bafatá realizamos uma campanha de prevenção da malária com crianças de 0 a 5 anos na qual demos uma dose de quinina para as crianças como forma de evitar a doença. E fomos bastante bem-sucedidos na contenção da proliferação da doença, que aflige o país na temporada de chuvas.

Em maio termino meu trabalho aqui na Guiné-Bissau e, depois de tirar algum tempo de férias, estarei pronto para mais um trabalho com MSF.
 

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