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As pequenas coisas da vida

04/07/2012

Parte 3 - Gogrial, 04 de julho de 2012

É impressionante como ficamos tão envolvidos com a nossa rotina do dia a dia que acabamos nem valorizando as pequenas coisas da vida.

Desde que cheguei aqui em Gogrial, me lembro de ter comido frutas no meu primeiro final de semana quando fui para a outra cidade e comprei laranjas, que duraram três dias com toda essa gente daqui.

Depois disso, nada mais de frutas nem verduras. Às vezes, tomates, com muita sorte. Em geral é arroz. Às vezes, as cozinheiras fazem feijão e sempre fazem carne, que eu não como. Então, é sempre arroz. Enfim, depois de todos esses dias da mais fina gastronomia, hoje recebemos um avião com comida da capital. Tinha bananas, laranjas, mangas, abacates, batatas... Azeite!!!!! Nutella!!!!!!! Uma festa!!! Minha janta foi uma salada de frutas. Só de sentir o cheiro das frutas já fiquei feliz. No Brasil não damos a mínima; estamos tão acostumados com essa variedade que nem valorizamos o que temos.

Mas nem tudo é ruim. Posso andar por aqui e, no final de semana, saí para correr e a paisagem é muito bonita, impressionante. Com as chuvas, a cada dia tudo fica mais verde. As pessoas ficam olhando para nós e perguntam onde estamos indo e dizemos que estamos caminhando e eles não entendem como alguém corre por correr. Eles não têm nem ideia do que é tirar o carro da garagem para ir ao supermercado na rua ao lado. À noite também é muito bonito, porque como a única luz disponível vem do nosso acampamento, o céu é completamente cheio de estrelas e, no pôr do sol, o céu fica de várias cores ao mesmo tempo.

Quanto ao trabalho, estou tendo "déjà vu" do Níger. A malária aumenta a cada dia e tenho a impressão de que recebemos mais casos graves do que no Níger, porque, aqui, quase não há transporte público e mães têm que andar, em média, dois dias para chegar ao hospital, debaixo de chuva e sol. É uma realidade da qual não fazemos ideia até presenciá-la. Essas mães são realmente muito fortes, lutam pela sobrevivência dos filhos e, nos casos em que eles morrem, choram muito pela perda.

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