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Moçambique: grande impacto em pouco tempo

19/05/2019
Moçambique: grande impacto em pouco tempo

Foto: MSF/Pablo Garrigos

A equipe de Médicos Sem Fronteiras (MSF) me ligou na sexta-feira à tarde, logo após o ciclone Idai ter atingido a província de Sofala, em Moçambique. A proposta era embarcar em 3 dias, na segunda-feira, para a cidade de Beira, para dar o suporte necessário pós-ciclone. Não tive dúvidas e, segunda, como previsto, estava embarcando com a equipe de emergência para o meu sexto projeto na África.

Do avião já conseguíamos ver as cidades completamente alagadas. Ao chegar a Beira, o cenário que encontramos era de devastação total: nenhuma das casas possuía teto, muitas estruturas completamente destruídas, tuk-tuks capotados na estrada, árvores caídas sem nenhuma folha por todos os lados e ninguém nas ruas. Parecia uma cidade fantasma. Foi a primeira vez que vi um lugar neste estado. Nunca tinha participado de uma resposta a desastre natural antes.

Não tinha água nem luz, não havia meios de comunicação - uma vez que as torres de celular foram danificadas - ou meios de comprar comida, pois os supermercados também foram atingidos. A maior parte da população perdeu tudo e estava concentrada em campos de deslocados.

Conhecia algumas pessoas da nossa equipe nacional, da época em que morei em Tete, e muitos deles foram realocados para Beira quando o projeto de lá fechou. O relato de uma amiga querida sobre o dia do ciclone foi assustador. Não consigo imaginar o que eles sentiram. A maior parte disse que achava que iria morrer.

Logo na primeira semana, durante a avaliação do estado da cidade e das unidades de saúde, já conseguimos identificar casos de cólera em alguns distritos. Daí em diante foi tudo muito rápido. Acionamos a equipe de supply para o envio do material necessário, começamos a reabilitação de alguns centros de saúde e, na segunda semana, os centros de tratamentos de cólera (CTCs) com uma equipe de mais de 300 pessoas contratadas e treinadas já estava estabelecido e trabalhando para atender a população.

Quando decidimos abrir um segundo CTC, encontramos um campo de futebol ao lado de um centro de saúde como potencial localização. O campo pertencia a um time feminino de futebol, chamado Cocoricoó. O time não só nos recebeu de braços abertos, como também fez questão de participar na montagem das tendas. De acordo com as meninas, elas queriam ajudar a comunidade de alguma forma. Foi com esse espírito de equipe que em um dia todas as tendas estavam montadas.

Também demos suporte à campanha de vacinação contra cólera e, com o conjunto de ações, pudemos ver os casos da doença começarem a cair.

Em um mês de projeto, foi incrível ver a rapidez em que respondemos à emergência e o quanto conseguimos fazer pela população.

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