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“Existem muitas formas de salvar vidas”

O enfermeiro Júlio Rennê fala sobre seu trabalho com MSF na resposta à COVID-19 no Amazonas
29/11/2020
“Existem muitas formas de salvar vidas”

Foto: MSF

Nasci no estado do Amazonas e trabalhei grande parte da minha vida aqui. Depois de anos trabalhando no interior, inclusive com comunidades indígenas, conheço bem as dificuldades de desenvolver atividades de saúde na região. Por isso foi com muita tristeza que acompanhei as notícias do avanço da COVID-19 no estado. Sabia que precisaríamos de ajuda. E foi neste momento que vi que Médicos Sem Fronteiras (MSF) havia chegado ao estado.

Minha primeira formação foi como analista de sistemas. Porém, há 25 anos, quando acompanhei minha mãe durante um tratamento de câncer, vi a dedicação dos enfermeiros em cuidar das pessoas. Eram atenciosos, carinhosos, e levavam conforto à minha mãe. Nos momentos livres, eu ficava na porta da emergência e via o que acontecia lá dentro. Me encantei ali pela enfermagem de emergência e há 20 anos sou enfermeiro.

Por conta da pandemia, voltei a Manaus, capital do Amazonas, onde mora minha família. Há um ano me mudei para a Argentina para estudar medicina, mas as aulas foram canceladas por conta do novo coronavírus. Decidi voltar e retomar meus plantões como enfermeiro emergencista. A vaga de MSF para a qual me candidatei era de técnico de enfermagem.  Eu sabia que minha experiência podia ser útil e eu queria ajudar. Comecei a trabalhar em clínicas móveis, atendendo em especial indígenas da etnia warao, que são originalmente da Venezuela e vivem há anos em abrigos para refugiados em Manaus.

No estado do Amazonas, a pandemia foi se espalhando e os casos no interior começaram a crescer rapidamente. Era natural que MSF redirecionasse sua atenção para essa área. Foi quando abriram a vaga de liason officer, que é responsável por ajudar a organização a fazer os contatos necessários com órgãos locais para que um novo projeto possa ser aberto e tudo flua bem para que o trabalho de ajuda humanitária aconteça. Fui convidado a assumir a posição. Mesmo não sendo diretamente na área de saúde, percebi que mais uma vez meu conhecimento de anos trabalhando no interior do estado poderia ser útil no combate à COVID-19. Aceitei o desafio e trabalhei abrindo caminhos para que MSF pudesse atuar em diferentes municípios do meu estado. Existem muitas formas de salvar vidas.

 

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