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“Creio que tenho um dos melhores trabalhos do mundo”

O enfermeiro Richard Ferreira fala sobre aprendizados e autocrítica ao trabalhar com MSF
04/01/2019
Diário de bordo enfermeiro Richard Ferreira

Foto: Arquivo pessoal

Atualmente somos 11 profissionais internacionais, que, sem nenhuma exclusão, são minha família aqui, pois me acolheram e sabem diariamente lidar com minhas limitações, meus novos sentimentos, respeitando o meu tempo e assim me incluindo na equipe com igualdade de possibilidades. Assim do mesmo jeito, tenho também a felicidade de ter como bons amigos e companheiros de trabalho os profissionais locais, que são graduados, nativos e empregados de longos contratos, que trabalham aqui há muitos anos e têm essa flexibilidade admirável de receber a cada seis meses novos profissionais internacionais.

Estar profissional de MSF me coloca atualmente em situação de conforto profissional, pois fui capaz de reconhecer que sou um bom profissional, que estou contribuindo positivamente para a população local e para o projeto. E o melhor: sendo reconhecido por isso pela organização.

Sou grato por ter conseguido ser recrutado e por estar aqui vendo e vivendo hábitos tão diferentes. Percebo, que meu etnocentrismo aflorou e busco me enquadrar no espírito e princípios de MSF: neutralidade, imparcialidade e independência. Se me perguntarem do último, que é ética médica, eu respondo: ela existe com um respeito e cumprimento que nunca havia visto em meu país. E me incluo sim em possíveis não cumprimentos de comportamento ético, previamente em minha história profissional. Aqui é natural respeitar integralmente o paciente.

Resumo que foi uma escolha acertada, que tem como objetivo principal, meu aprimoramento profissional, com vaidades, sim, pois estou numa das maiores organizações de ajuda humanitária do mundo. Trabalho na minha profissão, em outro país e com os riscos locais, respeitado, ouvido, aprendo outras possibilidade de trabalhar a saúde incluindo os meus conhecimentos, melhorando meu conhecimento de um idioma do qual não sou nativo. Ou seja, feliz por ser um profissional de MSF; creio que tenho um dos melhores trabalhos do mundo.
 

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