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Além da cura física

Ana Huguenin fala sobre a marca que MSF deixa e a história que ajuda a construir em lugares como Kunduz, Afeganistão
22/06/2018
Ana Huguenin

Foto: Arquivo pessoal

O convite para primeira missão no Afeganistão, por si só já me encheu de expectativa! Mas foi ao saber que desempenharia a função de Flying HR – uma espécie de RH Móvel que dá suporte aos projetos do país – que torci por uma oportunidade de trabalhar em Kunduz.

Com pouco mais de 300 mil habitantes (segundo dados de 2012), esta cidade situada ao nordeste do país já viveu momentos impactantes, inclusive o ataque ao nosso Centro de Traumatologia, em outubro de 2015, referência na região para tratamento de vítimas de confrontos, explosões e bombardeios.
 
Tendo este cenário em vista, parti por seis semanas para realizar o trabalho peculiar de RH até a chegada da gerente que seria efetivada nesta posição, mas também para o alcance de três objetivos específicos delegados pela Coordenação. Dentre eles, a conclusão de algumas contratações chave.

Durante as dezenas de entrevistas de emprego, fui profundamente marcada pela determinação de um ex-funcionário, que com desenvoltura invejável recordava-se de detalhes do treinamento recebido por MSF antes do incidente. O orgulho expresso em seu sorriso por ter integrado nossa equipe, me fez refletir que a marca que deixamos e a história que ajudamos a construir em lugares como Kunduz vai além da cura física.

Diante do alto índice de desemprego que assola o país, experiências como essa me reforçaram a importância da área de RH em países como o Afeganistão, não só pelas oportunidades que geramos como organização, mas pela responsabilidade que conduzimos nossos recrutamentos com a devida imparcialidade, transparência e ética que esse povo merece.