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Vacinação

MSF vacina mais de dez milhões de crianças todos os anos contra doenças como o sarampo e a meningite e, mais recentemente, a doença pneumocócica.

MSF vacina mais de dez milhões de crianças todos os anos contra doenças como o sarampo e a meningite e, mais recentemente, a doença pneumocócica.

A vacinação é conduzida em resposta a surtos de doenças e MSF realiza, também, campanhas de imunização pró-ativas e preventivas.

O impacto positivo das vacinas na saúde pública é bem documentado – no século passado, ajudaram a erradicar a varíola e a reduzir significativamente as doenças infantis transmissíveis, como a difteria e o sarampo. A cada ano, estima-se que a imunização por meio de oito antígenos padrão previna 2,5 milhões de mortes. De acordo com a Aliança Mundial para Vacinas e Imunização (GAVI), a introdução de novas vacinas contra a doença pneumocócica e o rotavírus tende a aumentar esse número significativamente.

Mas 20% de todos os bebês que nascem a cada ano não estão recebendo as vacinas básicas que necessitam para protegê-los de doenças fatais. Em 2010, um total de 19 milhões de crianças não foram vacinadas. O número aumentou para 22,4 milhões em 2011 e as estratégias atuais continuam deixando as principais questões e desafios sem resposta.

MSF e, principalmente, a Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF, desenvolve pesquisas e estratégias de campanhas com o objetivo de ampliar o acesso à vacinação de rotina nos países mais necessitados. À medida que MSF celebra o aumento da atenção voltada para as vacinas e o esforço despendido para que investimentos significativos fossem aplicados em pesquisa e desenvolvimento associados à estratégia da “Década das Vacinas” e outros, a organização continua extremamente preocupada com o fato de que os resultados desses esforços excluam muitas das crianças que atualmente não estão vacinadas. A estratégia, como está, não enfatiza adequadamente a necessidade de fortalecimento da imunização básica ou o desenvolvimento de vacinas que estejam melhor adaptadas para crianças em regiões remotas – vacinas que não demandem refrigeração, agulhas, e que possam ser administradas em menos doses. Precisa-se de melhores produtos para atender o número crescente de crianças não vacinadas.

“Não há motivos para que crianças continuem sendo vítimas de doenças que podem ser prevenidas por vacinas”, afirma o Dr. Manica Balasegaram, diretor executivo da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF. “A comunidade global das vacinas poderia estar fazendo muito mais para garantir que todos os bebês em países em desenvolvimento estejam totalmente vacinados contra doenças fatais. Precisamos de vacinas que sejam fáceis de administrar em regiões remotas.”

MSF e a vacinação
Em países onde a cobertura vacinal é geralmente baixa, MSF batalha para oferecer as vacinas de rotina para todas as crianças com menos de cinco anos como parte do programa de cuidados de saúde básicos. No programa, estão incluídas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde: DTP (difteria, tétano e coqueluche), hepatite B, Hemophilius influenzae tipo b (Hib), BCG (contra tuberculose), papilomavírus humano, sarampo, polimielite e rotavírus.

Além disso, a imunização é elemento fundamental da resposta de MSF a surtos de sarampo, febre amarela e meningite. Frequentemente, as equipes envolvem-se em campanhas de vacinação de larga escala, trabalhando para disseminar o conhecimento na comunidade sobre os benefícios da imunização e estruturar postos de vacinação em locais onde é comum que a comunidade se reúna. Uma campanha típica dura de duas a três semanas e pode atender centenas de milhares de pessoas.

Estratégias que funcionam e que não funcionam
MSF presta suporte à imunização de rotina tradicional, bem como à introdução de novas vacinas, como a pneumocócica. No entanto, em muitos países, os sistemas utilizados para oferecer a imunização de rotina são fracos e nem sempre os produtos são adaptados para regiões pobres. Estratégias e calendário de vacinação inflexíveis, bem como políticas de vacinação que concorrem entre si fazem com que muitas crianças ainda não recebam a vacinação de rotina tradicional.

Organizações como a GAVI direcionam esforços para o suporte à vacinação de crianças com 12 meses ou menos, à medida que muitas das melhores práticas em termos de calendário de vacinação são administradas nessa idade. Como os recém-nascidos são altamente suscetíveis às doenças que podem ser prevenidas por vacina, recomenda-se que a vacinação esteja completa até o final desse período. Mas a realidade em países em desenvolvimento é outra: muitas crianças que não têm acesso a serviços de saúde em países onde o alcance do sistema de saúde é fraco não serão completamente imunizadas até completarem um ano; é possível que não recebam nenhuma vacina. Em regiões com conflitos em andamento, gerações inteiras de crianças podem não ser vacinadas.

Vacinação em regiões remotas e instáveis
Evidentemente, a cobertura vacinal é menor em regiões isoladas, áreas que estão particularmente empobrecidas e locais onde a instabilidade representa barreiras ao acesso para aqueles que querem ser vacinados ou vacinar seus filhos e para os que desejam realizar a vacinação. Cerca de 70% das crianças não vacinadas do mundo vivem em dez países: Afeganistão, Chade, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e África do Sul.

Mesmo a mais efetiva das vacinas não vai surtir efeito em lugares como esses ou em muitas outras nações e regiões, a menos que sejam adaptadas às condições locais. Isso significa que é preciso desenvolver vacinas que possam ser transportadas sem necessidade de cadeia de frio, porque eletricidade e gelo podem ser difíceis de encontrar em muitos países tropicais cujas infraestruturas são limitadas; pode demorar horas ou dias para se chegar a algumas comunidades isoladas e atualmente vulneráveis a doenças passíveis de prevenção. Significa que agentes de saúde sem qualificação específica precisam ser capazes de administrar as vacinas, porque há muitas regiões no mundo onde agentes de saúde qualificados são difíceis de serem encontrados e os pais podem não ser capazes de deixar seu trabalho ou coletar o dinheiro necessário para realizar uma viagem até o centro de saúde ou hospital mais próximo. A disponibilidade de uma vacina oral para a poliomielite, por exemplo, fez uma enorme diferença na campanha para aumentar a cobertura vacinal contra a doença, com resultados comprovados.

Além disso, as vacinas devem estar disponíveis em doses reduzidas, porque isso limita a quantidade de vezes que uma família precisará levar seu filho para ser vacinado e a quantidade de vezes que eles precisarão pagar pela vacina. Isso significa também que os preços precisam ser controlados, com atenção para a realidade econômica individual de cada país, ou as vacinas podem tornar-se muito caras para sistemas de saúde e nações as adquirirem, que dirá administrá-las.

O preço das vacinas
O preço das vacinas é afetado por uma variedade de fatores, incluindo o número de fornecedores, a tecnologia necessária para produção, o período de disponibilidade de um produto e o volume que o fornecedor pode prever que será adquirido em um período de tempo. Preços acessíveis fazem com que os países possam proteger mais pessoas contra doenças fatais e são, também, essenciais para a criação de programas nacionais de imunização sustentáveis a longo prazo.

Para permitir que países em desenvolvimento tenham acesso às novas vacinas contra doenças como hepatite B, pneumonia, diarreia e meningite, alguns países de baixa renda são elegíveis ao suporte financeiro por meio da GAVI, que utiliza recursos providos por governos e organizações para adquirir grande parte das vacinas por meio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, a Unicef. Agrupando demandas e fazendo a compra em quantidade, a Unicef pode conseguir preços mais baratos do que se os países negociassem individualmente.

Ainda assim, os preços das novas vacinas poderiam ser mais baixos. Em junho de 2011, a GAVI enfrentou uma redução de US$3,7 bilhões, o que contribuiu para a decisão da aliança de encerrar o suporte oferecido a 16 países, cujas rendas eram levemente superiores à dos demais, entre eles o Timor Leste, Honduras e a República Democrática do Congo. Esses países terão de pagar o preço total das vacinas a partir de 2015. Honduras, por exemplo, enfrentará um aumento de quase 1.000% para vacinar uma criança com as duas novas vacinas quando o país perder o incentivo da GAVI.

Outra tática para redução de preços é garantir que mais fabricantes produzam vacinas similares, para que se tornem fornecedores constantes e garantam a competição entre produtores. A OMS estabeleceu procedimentos para garantir a qualidade dos produtos fabricados em países em desenvolvimento, como a Índia, e, em breve, certificará também produtores chineses. Beneficiar-se desses fabricantes com estruturas de baixo custo, promovendo um mercado competitivo é mais sustentável que aguardar que as companhias multinacionais reduzam, voluntariamente, os preços praticados em países de baixa renda.

Página atualizada em dezembro de 2012