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Desnutrição

Nove crianças morrem a cada minuto devido à falta de nutrientes essenciais em suas dietas. O cenário continuará o mesmo a menos que a ajuda alimentar mude.

A desnutrição afeta principalmente crianças e resulta da falta de nutrientes, vitaminas e minerais. Em lugares onde pode se tornar grave, a abordagem de Médicos Sem Fronteiras é preventiva. MSF já incluiu mais de 340 mil crianças em programas nutricionais

Quando crianças sofrem de desnutrição grave, seus sistemas imunológicos ficam tão debilitados que se amplia imensamente o risco de morte. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a desnutrição é a maior ameaça à saúde pública mundial: existem mais de 159 milhões de crianças com menos de cinco anos desnutridas e mais de 95 milhões de crianças abaixo do peso no mundo.

A idade crítica para desnutrição é dos seis meses – quando as mães geralmente começam a complementar a alimentação do bebê que se alimentava exclusivamente do leite materno – até os 24 meses. Entretanto, crianças com menos de cinco anos, adolescentes, mulheres grávidas ou em período de amamentação, idosos e pessoas com doenças crônicas também são consideradas vulneráveis.

As pessoas também ficam desnutridas se não conseguem absorver suficientemente ou utilizar os nutrientes dos alimentos ingeridos devido a doenças como a diarreia ou outras que afetam a mais longo prazo, como sarampo, HIV e tuberculose.

O que causa a desnutrição?

Leite materno é o único alimento de que uma criança precisa em seus primeiros seis meses de vida. Depois disso, somente o leite materno não é mais suficiente. As dietas durante esse estágio devem oferecer a correta combinação de proteínas de alta qualidade, gorduras e carboidratos essenciais, vitaminas e minerais.

Na região do Sahel, no Chifre da África e em algumas regiões do sul da Ásia, alimentos altamente nutritivos como leite, carnes e peixe são escassos.

Para uma criança com menos de dois anos de idade, a dieta tem um impacto profundo em seu desenvolvimento físico e mental. Crianças desnutridas com menos de cinco anos de idade têm o sistema imunológico gravemente fragilizado e são menos resistentes às doenças comuns da infância.

É por isso que um simples resfriado ou uma crise de diarreia pode matar uma criança desnutrida. Das oito milhões de crianças que morrem com menos de cinco anos, a desnutrição é responsável por pelo menos 1/3 delas.

Sintomas da desnutrição

É compreensível que o sinal mais comum de desnutrição seja a perda de peso. Esse fator pode também ser acompanhado pela falta de força e energia e a incapacidade de realizar tarefas rotineiras. Pessoas desnutridas desenvolvem anemia com frequência e, por isso, sentem falta de ar e de energia.

Em crianças, sinais de desnutrição podem envolver a incapacidade de concentração, o aumento da irritabilidade e o crescimento atrofiado. Em casos de desnutrição grave, podem ocorrer inchaços do estômago, da face e das pernas, além de mudanças na pigmentação da pele e do cabelo, e irritabilidade.
 

Diagnosticando a desnutrição

A desnutrição é diagnosticada quando comparados o peso e a altura padrão de uma dada população ou pela medição da circunferência da parte superior do braço de uma criança por um bracelete, chamado MUAC - Measuring Mid- Upper Arm Circumference (Medida da circunferência do braço médio-superior, em tradução livre para o português).

Se as deficiências da dieta persistirem, as crianças param de crescer e tornam-se atrofiadas, o que faz com que tenham baixa estatura para suas idades. Isso é diagnosticado como desnutrição crônica.

Se ocorrer perda de peso ou ‘emaciação’ – baixo peso para determinada altura –, eles são diagnosticados com desnutrição grave. Isso acontece quando uma pessoa desnutrida começa a consumir seus próprios tecidos corporais para obter os nutrientes de que necessita.

Na forma aguda e grave da desnutrição, crianças com kwashiorkor podem ser clinicamente diagnosticadas com inchaço corporal, irritabilidade e mudanças na pigmentação da pele e do cabelo. Kwashiorkor é uma forma de desnutrição protético-calórica, cujo nome, originário de um dialeto africano, remete ao sentido de “primeira criança/segunda criança”, pois é uma condição comum quando o primeiro filho fica sem o leite da mãe porque esta passa a alimentar o segundo filho.

 

Tratando a desnutrição

Acreditamos que o alimento terapêutico pronto para o uso (RUTF - Ready to Use Therapeutical Food, em inglês) seja a forma mais efetiva para tratar a desnutrição. O RUTF contempla todos os nutrientes que uma criança necessita para o seu desenvolvimento, e ainda ajuda a reverter deficiências e ganhar peso. O RUTF não precisa de água para o preparo, o que elimina o risco de contaminação por doenças transmitidas pela água.

Por causa de sua embalagem, o RUTF pode ser usado em todos os tipos de contextos e estocado por longos períodos. A menos que o paciente sofra com graves complicações, o alimento também permite que as pessoas sejam tratadas em casa.

Em lugares onde a desnutrição pode se tornar grave, a abordagem de MSF é preventiva, com a distribuição do RUTF suplementar para crianças em situação de risco.

Em 2014, MSF incluiu 217.900 crianças desnutridas em programas nutricionais.

 

Esta página foi atualizada em maio de 2016.