Você está aqui

MSF estreia documentário sobre Ebola em São Paulo

03/03/2016
Um documentário de Peter Casaer

Affliction – O Ebola na África Ocidental, do diretor belga Peter Casaer, estreia no dia 19 de março, sábado, às 17h, no Cine Matilha, no centro de São Paulo. O documentário, exibido pela primeira vez no Brasil, acompanha a mobilização contra a epidemia a partir do ponto de vista de populações atingidas, líderes comunitários, profissionais humanitários, pacientes e sobreviventes.

A entrada será gratuita e o ingresso poderá ser retirado a partir de uma hora antes das sessões. No dia da estreia, depois da exibição do filme, haverá um debate com a psicóloga de Médicos Sem Fronteiras (MSF) Ionara Rabelo, que atuou na epidemia de Ebola, e o artista plástico Alexandre Keto, que tem retratado povos e paisagens africanos.

O diretor Peter Casaer trabalhou durante duas décadas em operações de ajuda humanitária e nos últimos anos vem se dedicando à fotografia e a documentários. Nas filmagens de Affliction, ele teve acesso irrestrito às equipes de MSF que participaram do combate à doença nos três países mais atingidos – Guiné, Libéria e Serra Leoa. Com isso, pôde filmar cenas normalmente fora do alcance das câmeras.

Médicos Sem Fronteiras tinha experiência no tratamento de pacientes com Ebola em outros países, como a República Democrática do Congo e Uganda, e desempenhou um papel fundamental na luta contra o vírus no oeste africano. A doença foi oficialmente identificada na região em março de 2014. Nos sete meses seguintes, MSF montou seis centros de tratamento, dois em cada país afetado. Esses centros receberam 10.288 pacientes, dos quais 5.226 foram diagnosticados com Ebola. No pico da epidemia, a organização chegou a mobilizar aproximadamente 4 mil profissionais locais e mais de 325 estrangeiros. Até o início de janeiro deste ano, foram registrados nos três países mais de 28.600 casos de Ebola, que provocaram a morte de 11.300 pessoas.  

Affliction começa na aldeia de Meliandou, no sul da Guiné. Lá, em dezembro de 2013, Emile Ouamouno, de dois anos, caiu doente, com febre e vômitos. Em apenas dois dias, o menino morreu. Logo depois, sua irmã Philomène e sua mãe, Sia Dembadouno, que estava grávida de seis meses, tiveram o mesmo fim. Acredita-se que tenham sido as primeiras vítimas dessa epidemia de Ebola. Os casos se espalharam pela aldeia e cruzaram a fronteira da Libéria e de Serra Leoa.
 
Ao documentar uma doença com alto índice de letalidade, Affliction capta momentos de medo, dor e frustração, por vezes entremeados com o alívio da sobrevivência e a alegria da missão cumprida. Um garoto se recupera, mas perde a mãe. Uma jovem recebe alta, mas a irmã não tem a mesma sorte. Os sobreviventes eram convidados a comemorar estampando suas mãos em um grande painel – e, ao voltar para casa, tinham que convencer a comunidade que não eram mais uma fonte de contágio. Os profissionais de saúde vibravam quando podiam, finalmente, dispensar o equipamento de proteção para abraçar um paciente curado.
 
Em 14 de janeiro deste ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou o fim da epidemia de Ebola na África Ocidental. Menos de 24 horas depois, mais dois casos foram registrados em Serra Leoa. Médicos Sem Fronteiras continua presente nos três países mais atingidos, prestando atendimento aos sobreviventes e atenta à ocorrência de novos focos da doença.

DEBATE E EXPOSIÇÃO

Affliction – O Ebola na África Ocidental ficará em cartaz na Matilha Cultural até 30 de abril. No debate logo após a estreia, em 19 de março, a psicóloga de Médicos Sem Fronteiras Ionara Rabelo falará de sua experiência na luta contra a epidemia de Ebola na Libéria. Ionara entrou para MSF em 2010. Também trabalhou com a organização na Palestina, em Tabatinga (Amazonas) e na Turquia, com refugiados sírios.

O artista plástico Alexandre Keto, que busca fazer uma ponte entre Brasil e África, falará de suas viagens ao continente, vinculadas a projetos sociais. “Quero ajudar a mudar a realidade das pessoas – que também é a minha – por meio de intervenções artísticas”, disse ele. O debate será mediado por Letícia Nolasco, psicóloga de MSF.

Uma exposição de Médicos Sem Fronteiras e de Keto será inaugurada na Matilha Cultural no mesmo dia da estreia de Affliction. As peças do artista plástico incluem um painel inspirado no filme, fotografias feitas por ele na África Ocidental e três telas inéditas sobre o povo e a cultura da Guiné, da Libéria e de Serra Leoa. A exposição terá também vídeos e cartazes sobre as ações de MSF.


Saiba mais sobre o evento aqui e assista ao trailer:



 

Leia mais sobre