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Novo teste para detectar tuberculose

Dr. Francis Varaine, especialista em Tuberculose d

Publicada em 24/03/2011

Um novo teste diagnóstico de TB, aprovado pela Organização Mundial de Saúde no final de 2010 pode mudar o jogo na questão da resposta internacional a esta doença que mata quase dois milhões de pessoas todos os anos. O teste também aumenta a detecção de tuberculose resistente (DR-TB, na sigla em inglês). Dr. Francis Varaine, especialista de TB de Médicos Sem Fronteiras (MSF), discutiu o potencial impacto deste novo teste e como ele irá afetar a necessidade de um tratamento melhor e mais confiável.

Por que este novo teste é importante?
Francis Varaine - Os dados que foram publicados sugerem que este novo teste, baseado em tecnologia molecular, é um grande avanço, principalmente porque dá resultados rapidamente e é fácil de usar. Isso merece ser ressaltado. Há muitos anos não ocorre praticamente nenhum avanço médico no campo da tuberculose. O teste é rápido. O resultado sai em apenas duas horas.

Também é bastante sensível, o que significa que ele é confiável na hora de indicar a presença da bactéria.

Outra vantagem é o fato de que o teste é fácil de usar. Apesar de ser uma máquina de tecnologia de ponta, um técnico de laboratório pode aprender a realizá-lo com apenas algumas horas de treinamento. A amostra de escarro do paciente é misturada com um reagente, deixada em repouso por 15 minutos e depois colocada na máquina. Duas horas depois, já se tem o resultado positivo ou negativo. Esse processo requer pouca manipulação. Logo, há menos risco de contaminação e quase nenhuma margem de erro na interpretação dos resultados. E mais, ela dá não apenas um, mas dois resultados – primeiro se há ou não alguma microbactéria na amostra para determinar se o paciente tem TB. Segundo, para verificar se a bactéria é resistente ao rifampicin, um dos principais medicamentos de primeira linha utilizados no tratamento de TB. Essas duas informações são cruciais para determinar o tratamento do paciente.

Por que é tão importante ter um diagnóstico rápido?
Varaine - Para alguns pacientes, um diagnóstico definitivo pode levar até três meses com as ferramentas que existem hoje. Isto quer dizer que os médicos precisam iniciar o tratamento de um paciente antes de obter um diagnóstico completo – ou seja, o tratamento é administrado às cegas, nem sempre é apropriado. A espera por um diagnóstico definitivo pode ser fatal. Em um estudo amplamente divulgado, pacientes em KwaZulu Natal, na África do Sul, morreram antes de receber os resultados – os pacientes morreram, em média,16 dias após a coleta do escarro. Para os pacientes vulneráveis de TB – aqueles que estão em estágios avançados da doença, que também estão infectados com HIV, ou crianças – o atraso no diagnóstico e, por conseguinte, o atraso no tratamento apropriado, é um problema real.

Se o tempo de espera até o início do tratamento for demasiado longo, alguns simplesmente não irão retornar à clínica para se tratar.

MSF vai utilizar este novo teste em seus projetos?

Varaine - Sim, nós encomendamos uma quantidade de máquinas que já estão em nossos projetos, em países como Quênia, Malauí, Camboja, Colômbia e Abkhazia (Geórgia) Nos próximos meses, esperamos ver como esse teste se aplica em condições reais. Um grande número de questões logísticas e organizacionais ainda precisa ser resolvido: quais são os efeitos de fatores ambientais, como calor, umidade ou poeira? A necessidade de uma fonte de energia confiável tem algum impacto no teste? Como organizamos o armazenamento de cartuchos e o gerenciamento dos resíduos? Depois disso, podemos começar a monitorar o impacto do uso do teste na detecção e no tratamento de pacientes.


Este é o teste de TB ideal?
Varaine - O teste "ideal" de TB seria um que pudesse ser realizado em qualquer lugar, o mais perto possível do paciente, nas clínicas de pequenas aldeias em áreas remotas. Esse não é o caso deste teste. Entretanto, parece que poderemos realizá-lo fora dos grandes laboratórios de referência, trazendo-o para os distritos, mais próximos dos pacientes. Esse é um grande passo.

Outra limitação deste teste é que foi validado apenas para escarro e apenas para o diagnóstico de tuberculose pulmonar. Mas alguns pacientes, como crianças, por exemplo, não são capazes de produzir escarro. O teste também não diagnostica formas extra-pulmonares da doença – formas de TB que se encontram em outras partes do corpo que não os pulmões. O teste ideal seria um que detectasse TB em uma amostra mais simples, como urina ou sangue. E mais: apesar de ele melhorar o diagnóstico, ele não é apropriado para o monitoramento de pacientes.

Como o resultado detecta resistência a apenas um dos medicamentos contra TB, ele não vai substituir métodos existentes, como microscopia, cultura e teste de sensibilidade de remédios.

O quê precisa ser feito para lidar com o aumento da tuberculose multirresistente?
Varaine - A primeira coisa é pensar no modo como os programas de tratamento são organizados. Sistemas nacionais de saúde precisam ser fortalecidos para que possam atender às necessidades desses novos pacientes. O tratamento atual de TB é longo e complexo, causa sérios efeitos colaterais e é difícil de ser implementado. A disponibilidade de remédios para tratar a DR-TB atualmente é limitada, o que aumenta as dificuldades do tratamento.

A segunda coisa é pensar em como a pesquisa pode contribuir para resolver o problema. Considerando as opções atuais de tratamento, não é realista esperar que todos os pacientes sejam tratados. Nós realmente precisamos de tratamentos rápidos mais eficientes e mais fáceis.

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