Cirurgia

Em 2006, a cirurgia fez parte de 125 projetos de MSF e mais de 64 mil intervenções cirúrgicas foram realizadas em cerca de 20 países.

A cirurgia humanitária é praticada por MSF em seus projetos há mais de 30 anos, sendo realizada, na maioria dos casos, em situações de conflito. Essas intervenções estão em constante evolução, com a criação de novas soluções adaptadas às realidades do terreno, sempre respeitando as normas de prática médica mais exigentes.

Cirurgia de urgência: realizada em zonas de conflito, como Chade, Quênia e Somália, une centros de cirurgia móveis e de reabilitação. Em contextos de guerra, o objetivo das equipes de MSF é reduzir ao máximo o tempo e a distância que separa os cirurgiões dos pacientes.

Cirurgia geral: é oferecida a populações que não têm acesso a cuidados médicos. Se as equipes de MSF realizam com mais frequencia cirurgias em contexto de guerra, elas também praticam cirurgia geral e obstétrica (hérnia, cesariana). É o caso de países onde o acesso aos cuidados médicos é pago ou onde há carência de infraestrutura cirúrgica.  

Cirurgia em zonas de violência: em zonas de violência urbana ou de conflitos longos onde as estruturas médicas são de difícil acesso ou degradadas, MSF criou centros de traumatologia bem equipados em hospitais locais, como em Porto Harcourt, na Nigéria, e Porto Príncipe, no Haiti, onde já foram realizados mais de 3 mil atos cirúrgicos desde 2006. Os pacientes chegam aos centros cirúrgicos com ferimentos de bala, cortes de facas, ferimentos por violência física, acidentes de carro e queimaduras.

Cirurgias específicas: MSF já realizou cirurgias reparadoras na Jordânia e na Chechênia. Para os feridos na guerra do Iraque, a organização montou um centro de cirurgia plástica, maxilofacial e ortopédica no Hospital da Cruz Vermelha em Amã, na Jordânia.

As equipes cirúrgicas atendem pacientes com sequelas de guerra que não receberam os cuidados apropriados no momento do acidente, ou que foram operados em péssimas condições. O programa, ambicioso e inovador, requer uma grande organização de pessoal e equipamentos modernos e específicos.

As condições dos países em situações de conflito ou de urgência nas quais MSF pratica a cirurgia não são as mesmas  daquelas em contexto estável.

Nas zonas de conflito em particular, as equipes cirúrgicas de MSF se deparam frequentemente com os limites de sua atuação. Estes limites são numerosos, e podendo ser de ordem física, material, climática e outras.

Antes da abertura de um programa de cirurgia, alguns pré-requisitos têm que ser atendidos, entre eles: a segurança, a provisão do material apropriado, a equipe, a higiene e a esterilidade.

Apesar das dificuldades encontradas em campo, a atividade cirúrgica de MSF oferece cuidados da melhor qualidade possível, mesmo em condições extremas.

É por esta razão que MSF renuncia a certos tipos de intervenção médica onde não há condições apropriadas, e o ato cirúrgico poderia colocar os pacientes em risco. Por exemplo, no caso de uma fratura, a fixação de pinos representa um alto risco de infecção hospitalar.

MSF também observa, em todos os seus projetos, o comprometimento máximo com as normas médicas mais exigentes.

A fim de superar, da melhor forma, os diversos problemas encontrados nos trabalhos de campo durante toda sua existência, MSF desenvolveu novas soluções.

 Para responder aos desafios logísticos, MSF criou os hospitais infláveis. Concebidos e utilizados pela primeira vez na região da Cachemira após o  terremoto de 2005, a ferramenta está em constante evolução.

 Kits cirúrgicos, verdadeiras “salas de operação portáteis”, completas e fáceis de montar, também foram desenvolvidos. Equipados com todo o material necessário, eles permitem a prática de uma cirurgia eficaz em lugares e contextos onde, até pouco tempo, seria impossível fazê-lo.

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