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Rota de fuga

Resgate no Mediterrâneo

 

A interrupção, em 2014, da operação Mare Nostrum, implementada pelo governo italiano para o resgate de migrantes em perigo no mar Mediterrâneo, levou Médicos Sem Fronteiras (MSF) a se unir, no ano seguinte, à organização Migrant Offshore Aid Station (MOAS). Entre a tripulação de 20 pessoas da embarcação MY Phoenix, estavam dois médicos e um enfermeiro de MSF. O aumento da vigilância dos governos europeus na chegada de migrantes ao continente não impediu que o número de pessoas que faziam essa travessia mortal aumentasse. Em sua primeira operação, o barco resgatou 369 pessoas.

Expansão das operações no Mediterrâneo

Ao longo do ano 2015, mais dois barcos operados por MSF iniciaram os resgates no Mediterrâneo: o Bourbon Argos e o Dignity I. Nossas equipes a bordo dos navios presenciaram cenas perturbadoras. Elas viram barcos superlotados afundando, atenderam crianças com pneumonia, adultos com hipotermia e diversas pessoas com queimaduras químicas provocadas por combustível. Os relatos dos sobreviventes resgatados pelas equipes confirmavam o perigo intenso da travessia e as duras condições em seus países de origem.

Médicos Sem Fronteiras resgata quase 2 mil pessoas no Mar MediterrâneoApenas em 2015, 20.129 pessoas foram resgatadas pelos três barcos operados em parceria com MSF. No final daquele ano, todas as embarcações haviam encerrado suas operações. Contudo, em abril de 2016, os navios Dignity I e Bourbon Argos retomaram suas atividades, e MSF passou a apoiar também o navio Aquarius, da organização SOS Méditerranée. As equipes chegaram a resgatar cerca de 2 mil pessoas em um único dia. Em 2017, MSF contou ainda com o navio Prudence.

Em 2018, o Aquarius era o único navio apoiado por MSF realizando operações de resgate no Mediterrâneo. Desde a metade do ano anterior, a organização via a situação das operações de busca e salvamento no mar se deteriorarem pelo financiamento dado pela União Europeia para que a guarda costeira de países como a Líbia impedisse a travessia de migrantes rumo ao continente europeu. Cada vez mais embarcações eram interceptadas, e migrantes eram levados à força novamente para a Líbia, onde são presos em centros de detenção, em total descumprimento às leis marítimas internacionais.

Criminalização das operações de busca e salvamento

Uma política de criminalização das operações de busca e salvamento no Mediterrâneo fez com que o Aquarius, na segunda metade de 2018, fosse a única embarcação de resgate ainda em atividade no Mediterrâneo. Uma disputa política pelos portos de desembarque forçou o navio a ficar parado durante semanas e, mais tarde, fez com que ficasse à deriva à espera de um local onde desembarcar 141 pessoas a bordo. Posteriormente, uma decisão infundada das autoridades italianas levou à apreensão do navio por supostas irregularidades no descarte de resíduos a bordo da embarcação.

Por fim, a atuação do Aquarius foi encerrada em dezembro de 2018 (veja vídeo), depois que governos europeus pressionaram por meses países que pretendiam ceder sua bandeira para a embarcação, algo exigido a todos os navios. Isso acabou por impedir definitivamente o Aquarius de navegar. De 2015 até o fim da atuação do Aquarius, MSF participou de 652 operações de busca e resgate no Mediterrâneo e prestou assistência no mar a mais de 77 mil pessoas.

 

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