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Uzbequistão

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Médicos Sem Fronteiras (MSF) está atualmente implementando e avaliando um regime de tratamento mais curto para a tuberculose multirresistente a medicamentos (TB-MDR) no Uzbequistão, com duração de nove meses em vez dos dois anos habituais.

Os resultados médicos deste tratamento mais curto serão publicados em 2016. MSF também espera iniciar testes clínicos no país em 2016, combinando os primeiros novos medicamentos contra a tuberculose lançados em mais de 50 anos com medicamentos existentes para tratar as formas da doença resistentes a medicamentos. Ambas as iniciativas refletem o ímpeto de MSF no desenvolvimento de regimes de tratamento mais breves, mais eficazes e mais toleráveis para aqueles que sofrem de tuberculose.

Programa de tuberculose no Caracalpaquistão

Na República Autônoma do Caracalpaquistão, MSF continua a manter o projeto de longo prazo “cuidados abrangentes de tuberculose para todos” com os ministérios da saúde central e regional. Este projeto promove o acesso ao atendimento ambulatorial, a testes rápidos de diagnóstico e a um programa de apoio abrangente, incluindo ensino, apoio psicossocial e pacotes alimentares para pessoas de baixa renda ou que apresentem quadros de perda de peso. O objetivo é garantir a adesão dos pacientes ao tratamento e ajudá-los a lidar com os eventuais efeitos colaterais da medicação, às vezes severos, impedindo a difusão da doença.

Tratamento de HIV em Tashkent

Na capital, Tashkent, MSF oferece apoio ao Centro de Aids de Tashkent para melhorar o acesso ao diagnóstico e tratamento para aqueles que vivem com a doença. Em 2015, a equipe iniciou 700 pessoas no tratamento antirretroviral, oferecendo orientação e exames para detectar infecções oportunistas (que ocorrem com maior frequência e gravidade nos indivíduos com sistemas imunológicos enfraquecidos, como é o caso dos soropositivos). Em 2016, o projeto começará a tratar pacientes coinfectados com hepatite C.

MSF atua no país desde 1997.

Depoimento

“Tudo o que preciso é de um metro de corda”

Amrita Ronnachit, médica

O tratamento da tuberculose apresenta alguns paralelos com o tratamento do câncer. O tratamento pode ser longo e árduo, com medicamentos tóxicos que trazem efeitos colaterais terríveis. É bem parecido com o que ocorre na quimioterapia. E, às vezes, o tratamento fracassa e a tuberculose retorna. Quando isso ocorre, é difícil deixar de imaginar se não seria possível ter feito mais.

Hoje visitei um paciente cujo tratamento tinha fracassado, e os resultados dos exames mostravam que a tuberculose estava voltando. Trata-se de um rapaz de 19 anos que estudou para se tornar mecânico. Estava quase no fim do tratamento, faltando apenas um mês, quando os sintomas voltaram a aparecer. Incialmente ele disse a si mesmo que era apenas uma gripe – coisa que ele pega com frequência. Mas, na semana passada, vi os resultados de seus testes: não era gripe. E exames adicionais revelaram que a tuberculose dele, do tipo multirresistente, está se tornando ainda mais resistente, um quadro ao qual nos referimos coloquialmente como “pré-XDR”. A tuberculose ultrarresistente a medicamentos, ou TB-XDR, é uma das formas de tuberculose mais resistentes, e é extremamente difícil tratá-la com sucesso.

Digo a ele que o regime de tratamento que temos usado não está funcionando, e teremos de passar para outra combinação de medicamentos. Isso também significa que teremos de recomeçar o tratamento, um novo período de 20 a 24 meses. Os meses de tratamento já completados até então não contam, e teremos de recomeçar com as injeções diárias.

“Vinte meses de tratamento? São 15 ou 16 comprimidos por dia, certo? Não, prefiro morrer.”

Através da máscara cirúrgica, posso ouvir sua respiração abafada. Ele tenta evitar o choro, mas acaba cedendo às lágrimas.
 

Diário de Bordo

Uzbequistão
Início da Atuação: 
1997
Atividades Médicas: 
Tuberculose