Você está aqui

Tanzânia

Tanzânia

Médicos Sem Fronteiras (MSF) oferece assistência a refugiados do Burundi e da República Democrática do Congo (RDC) que vivem em campos superlotados na Tanzânia com más condições de saneamento e difícil acesso a cuidados de saúde.

As péssimas condições de higiene significam que as pessoas correm o risco de contraírem doenças como a cólera. Os casos de malária são abundantes, e muitos sofrem de infecção do aparelho respiratório e diarreia.

Em 2015, de acordo com números do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), havia na Tanzânia quase 200 mil refugiados, a maioria vinda da RDC e do Burundi. Muitos estão no país desde os anos 1990, mas o número de refugiados vindos do Burundi aumentou significativamente como resultado da instabilidade política nesse país em maio. Após relatos de um surto de cólera ocorrido entre os recém-chegados, MSF estruturou um centro de tratamento de cólera (CTC) em um estádio de futebol que servia como local de trânsito para refugiados em Kigoma, e outro em um local de trânsito em Kagunga, a cerca de quatro horas de distância de Kigoma via barco. MSF trabalhou no campo de trânsito de Kagunga por pouco mais de um mês até o fim de junho. Cerca de 37 pessoas foram recebidas no centro de 20 leitos nas primeiras cinco semanas. Profissionais também realizaram atividades de promoção de saúde e ofereceram serviços de água e saneamento no campo.

Campo de refugiados de Nyarugusu

MSF começou a trabalhar no campo de Nyarugusu em maio de 2015, preparando um CTC. Em junho, após a instabilidade no Burundi, houve uma nova leva de refugiados que, em certo momento, chegou a mil recém-chegados por dia. O campo logo ficou sobrecarregado, e as organizações humanitárias enfrentaram dificuldades para oferecer água, alimento, abrigo e serviços médicos em quantidade suficiente. Equipes começaram a operar clínicas móveis e programas de nutrição ambulatoriais, oferecendo apoio ao centro de nutrição terapêutica intensiva no hospital da Cruz Vermelha tanzaniana. Na ausência de outras organizações com capacidade de resposta de emergência, as equipes também distribuíram cerca de 90 milhões de litro de água.

Em colaboração com o Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde e o Acnur, MSF ofereceu apoio a uma campanha de vacinação oral contra cólera, na qual 232.997 doses da vacina foram distribuídas. A campanha foi concluída em julho e a transmissão da doença foi interrompida com sucesso. Não houve surto de cólera no campo de Nyarugusu.

MSF tratou 18.836 pessoas em Nyarugusu, principalmente para casos de malária, diarreia ou infecções do aparelho respiratório. Perto do fim do ano, as equipes começaram a oferecer serviços de saúde mental, e cerca de 600 consultas foram realizadas por semana.

Campo de refugiados de Nduta

Em outubro, MSF montou um hospital de 100 leitos no campo de refugiados de Nduta, atendendo às necessidades de saúde das pessoas com a oferta de tratamento para desnutrição, atendimento de saúde reprodutiva e tratamento para vítimas de violência sexual. As equipes também operam clínicas móveis e realizaram exames para detectar doenças e desnutrição entre os recém-chegados. Entre outubro e dezembro, profissionais realizaram 17.591 consultas ambulatoriais, auxiliaram em 62 partos e realizaram 9.535 testes de malária (dos quais 6.201 tiveram resultado positivo).

Além disso, MSF doou 3.500 barracas e distribuiu mais de 1,5 milhão de litros de água.

MSF atua no país desde 1993.

História de paciente

A líder comunitária Melanie Kabura, de 33 anos, é do Burundi.

“Estavam espancando e matando as pessoas nas ruas. Tivemos de deixar tudo para trás; viemos apenas com a roupa do corpo. Chegamos a Nyarugusu em julho de 2015. Aqui a vida é ruim. Dormimos no chão. Quando chove, os problemas são muitos. O teto é fraco e temos medo do que pode ocorrer. Não temos as coisas de que necessitamos, queremos nos sentir mais seguros. Não podemos voltar ao Burundi porque temos medo. Estou cansada de fugir do meu país. Meu sonho é ter um bom emprego que me permita cuidar dos meus filhos. Quero viver em um lugar com estabilidade. Mas, no momento, não há futuro para meus filhos.”
 

Início da Atuação: 
1993
Atividades Médicas: 
Cólera
Malária