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Sudão do Sul

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Médicos Sem Fronteiras (MSF) respondeu às enormes necessidades médicas em meio a um aumento no conflito e na violência contra civis, além de uma temporada de malária excepcionalmente grave.

Mais de dois anos de conflito e violência contínuos contra civis tiveram um preço alto para a população do Sudão do Sul. Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas e centenas de milhares não conseguem obter assistência médica ou humanitária por meses seguidos, especificamente nos estados de Jonglei, Unity e Alto Nilo. MSF aumentou seus programas de resposta, mas o acesso foi interrompido diversas vezes por ataques às instalações médicas. Para completar essa crise humanitária, houve algumas faltas de medicamentos até mesmo nas áreas não afetadas pelos conflitos, e o país também passou pela pior temporada de malária em anos. MSF tratou um total de 295 mil pacientes de malária durante o ano, quase dez vezes mais que em 2014.

Níveis extremos de conflito, violência e necessidades humanitárias

Houve um aumento no conflito e na violência no estado de Unity entre abril e novembro, por isso, centenas de milhares de pessoas tiveram de fugir de suas casas. Muitas delas se esconderam em florestas e pântanos, e MSF recebeu relatórios de execuções, estupros em massa, sequestros e o massacre de um vilarejo inteiro. Cinco profissionais sul-sudaneses de MSF foram mortos em meio aos níveis extremos de violência, e 13 permanecem desaparecidos. MSF teve de evacuar equipes temporariamente de Nyal em maio e duas vezes de Leer, em maio e outubro. Como as pessoas estavam em busca de abrigo, a população do complexo de Proteção de Civis (PoC, na sigla em inglês) da ONU em Bentiu, norte do estado Unity, aumentou de 45 mil para 100 mil até o fim de 2015. MSF mantém o único hospital do PoC de Bentiu, e a equipe rapidamente expandiu sua capacidade para atender às enormes necessidades médicas desses indivíduos. MSF também operou clínicas móveis e programas de nutrição terapêutica no estado sulista de Unity e na cidade de Bentiu, sempre que o acesso era possível. Muitos pacientes com ferimentos decorrentes da forte violência eram encaminhados para o hospital de MSF em Lankien para atendimento cirúrgico. Milhares também fugiram para o estado de Jonglei, no norte, onde MSF abriu um projeto em Old Fangak, oferecendo assistência em um centro médico, clínicas móveis para a região e encaminhamentos por ambulâncias em barcos. MSF abriu outra clínica em Mayom, um local remoto no estado de Unity, onde fornecia cuidados básicos e realizava encaminhamentos para o hospital de Agok. As equipes também responderam a surtos de doenças como sarampo, malária e meningite no campo de refugiados de Yida, que atualmente abriga 70 mil refugiados sudaneses.

Assistência à população atingida pela frente de batalha

No estado do Alto Nilo, a intensificação do conflito afetou populações, de modo que não conseguiam mais ter acesso aos projetos de MSF ao longo do Nilo Branco, em Malakal, Wau Shilluk e Melut. Em maio, o rio se tornou uma frente de batalha, portanto, o acesso humanitário ficou fortemente restrito. Durante meses, o povo de Wau Shilluk teve acesso extremamente limitado a assistência, e milhares de civis atravessaram o rio em busca de proteção e ajuda. A população do PoC de Malakal aumentou de 21 mil para 48 mil, sujeitando muitas pessoas a superlotação e condições de vida desumanas e sem saneamento.  Em Malakal, equipes responderam a grandes surtos de doenças como malária, infecções respiratórias e diarreia. Em Wau Shilluk, MSF expandiu a capacidade de seu centro de saúde primário para incluir atendimento secundário, garantindo assim o acesso mais amplo da população. No estado do Alto Nilo, MSF continuou a oferecer assistência médica a 50 mil sudaneses refugiados no campo de Doro, vindos do estado de Nilo Azul afetado pelos conflitos, e para a população local. Desde 2011, MSF repassou para outras organizações os programas médicos que mantinha, voltados para refugiados sudaneses nos campos de Batil e Gendrassa.

Resposta a emergências e surtos de doenças

Pelo segundo ano consecutivo, a temporada de malária foi muito agressiva no Sudão do Sul, particularmente no noroeste. O impacto do surto foi exacerbado pela escassez de medicamentos nas instalações de saúde não pertencentes a MSF em todo o país. As equipes de MSF testemunharam picos significativos da doença nos projetos de Agok, Aweil, Bentiu, Doro, Gogrial, Mayom e Yida, respondendo com a ampliação da capacidade de tratamento e de leitos, realizando projetos expressivos de sensibilização sobre a malária e ampliando o apoio a outras unidades médicas dos arredores. O Sudão do Sul também foi afetado pelo segundo surto de cólera em dois anos. Em resposta, MSF forneceu tratamento, capacidade técnica e suporte logístico para a unidade de tratamento de cólera do hospital de Bor, no estado de Jonglei. Outra equipe que atuava na capital, Juba, abriu um centro de tratamento de cólera e vacinou mais de 160 mil pessoas contra a doença. No estado de Western Equatoria, MSF conduziu clínicas móveis e doou materiais médicos para comunidades afetadas pelos conflitos. Em setembro, depois da explosão de um caminhão de combustível que matou mais de 200 pessoas e feriu mais de cem em Maridi, MSF realizou atendimento cirúrgico, forneceu suprimentos médicos e deu apoio de enfermagem de longo prazo para os pacientes feridos. MSF também deu continuidade ao programa de teste e tratamento de HIV em Yambio, apesar das ondas de violência.

MSF começou a atuar no país em 1983.
 

Diário de Bordo

Sudão do Sul
Início da Atuação: 
1983
Atividades Médicas: 
Leishmaniose
Malária
Tuberculose
Desnutrição