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Somália

Somália

Em agosto, Médicos Sem Fronteiras (MSF) fechou todos os seus projetos na Somália, depois de 22 anos de atuação contínua.

Deixar a Somália foi uma decisão extremamente difícil. Uma série de ataques violentos contra o pessoal de MSF ocorreu com a aceitação tácita – ou cumplicidade ativa – de grupos armados e autoridades civis. As condições mínimas necessárias para as operações não foram respeitadas, e, portanto, MSF interrompeu o apoio às instalações de saúde na Somália em meados de setembro de 2013, repassando as atividades a entidades governamentais e organizações humanitárias, onde possível.

Embora a situação humanitária tenha melhorado desde a crise nutricional de 2011, o conflito contínuo nas regiões do sul e central, juntamente com desastres naturais e surtos sazonais de doenças, impõe restrições enormes ao já fraco sistema de saúde. Em muitas partes da Somália, o acesso aos cuidados de saúde é extremamente limitado e as taxas de mortalidade de mulheres grávidas e crianças estão entre as mais altas do mundo. Centenas de milhares de somalis permanecem deslocados dentro do país e em campos de refugiados nas fronteiras da Somália, vivendo de maneira precária e expostos a muitas formas de violência e extorsão.

MSF não queria deixar a Somália, mas não teve escolha e continua a prestar suporte aos refugiados somalis na Etiópia, no Quênia e no Iêmen.

 

Mogadíscio e arredores

Nove quilômetros a noroeste de Mogadíscio, em Dayniile, MSF apoiava um hospital de 60 leitos com sala de emergência, centro cirúrgico, unidade de tratamento intensivo, unidade pediátrica, centro de nutrição e maternidade. A equipe realizou 646 procedimentos cirúrgicos e mais de 8.272 consultas em 2013.

O hospital de MSF de 40 leitos no distrito de Jaziira, em Mogadíscio, que atendia predominantemente populações deslocadas, realizou aproximadamente 25.700 consultas e 2.200 internações no ano, além de ter tratado mais de 330 crianças gravemente desnutridas.

Para melhorar o acesso a cuidados básicos e especializados de qualidade para crianças, MSF administrava o hospital exclusivamente pediátrico em Mogadíscio, em Hamar Weyne. O hospital tinha alas isoladas para crianças com sarampo ou diarreia aquosa aguda, e um centro de nutrição que tratou 3.800 crianças entre janeiro e agosto.

MSF também gerenciava clínicas de saúde para populações deslocadas e residentes dos distritos de Wadajir, Dharkenley e Yaaqshiid. Os esforços concentravam-se em saúde materno-infantil e as instalações puderam responder a surtos repentinos de doenças como cólera, tratar picos de desnutrição com programas de nutrição e contribuir em campanhas de vacinação em massa contra a pólio, que ressurgiu no país. Mais de cem mil consultas foram realizadas nessas instalações de saúde antes da partida de MSF. Todos os medicamentos e suprimentos dessas clínicas foram doados para outras organizações de saúde em Mogadíscio, e a clínica de Dharkenley deu continuidade às operações.

 

Região de Bay

MSF começou a apoiar o hospital de Dinsor, na região de Bay, em 2002. Trata-se do principal hospital de referência de toda a região, e é especialmente ativo na prestação de serviços maternos e tratamento de desnutrição, tuberculose (TB) e calazar (leishmaniose visceral). Em 2013, a equipe do hospital de 60 leitos realizou 16.208 consultas ambulatoriais, cerca de 1.458 consultas de pré-natal e tratou mais de 680 crianças desnutridas.

 

Região de Lower Shabelle

O hospital de distrito de Afgooye atende pessoas deslocadas e moradores do Afgooye Corridor, com setor ambulatorial e de internação com 30 leitos, sala de emergência, maternidade e programa de nutrição ambulatorial. Entre janeiro e setembro, foram realizadas 11.408 consultas médicas no hospital, 738 pacientes foram internados nas enfermarias e o parto de 953 bebês foi assistido. A Sociedade do Crescente Vermelho do Qatar assumiu o apoio ao hospital, depois da retirada de MSF.

 

Região de Middle Shabelle

MSF ofereceu atendimento ambulatorial, serviços maternos e pediátricos, vacinações e apoio nutricional no hospital maternidade de Jowhar e nos centros de saúde de Kulmis, Bulo Sheik, Gololey, Balcad e Mahaday. As instalações de Mahaday e Gololey também trataram casos de TB. A clínica de Mahaday foi fechada em março de 2013 devido à insegurança, e outras clínicas foram repassadas ao International Medical Corps (IMC) em setembro. Mais de 60 mil consultas foram realizadas, 1.040 partos assistidos e 8.477 mulheres e crianças foram vacinadas.

 

Região de Mudug

MSF administrou projetos em dois hospitais de referência na cidade dividida de Galkayo. No hospital de referência do Ministério da Saúde, no norte de Galkayo, MSF ofereceu cuidados pediátricos ambulatorial e de internação, serviços de maternidade, programas de nutrição e tratamento de TB. As equipes de MSF realizaram 33.824 consultas em 2013. Além disso, MSF conduziu um programa remoto para o tratamento de TB em Burtinle, na região de Nugal.

No hospital do sul de Galkayo, MSF ofereceu atendimento cirúrgico e pediátrico, serviços de maternidade, programas de nutrição, tratamento de TB e imunização. Duas clínicas móveis também forneceram atendimento primário na região de Galmudug. Aproximadamente 44.071 pessoas receberam assistência por meio do hospital e das clínicas entre janeiro e setembro. O gerenciamento do hospital foi repassado à Mudug Development Organisation, que agora trabalha em parceria com duas organizações médicas internacionais para dar continuidade a esses serviços vitais.

 

Juba Central

O hospital de MSF na pequena cidade rural de Marere funcionava como hospital de referência para as regiões de Juba Central e baixa, além de Gedo, oferecendo cuidados de saúde básica e especializados, tratamento para TB, serviços nutricionais e atendimento obstétrico emergencial a uma imensa parcela da população. Além disso, equipes móveis cobriam as cidades de Ketoy e Osmam Moto e ofereciam cuidados de saúde básica a crianças com menos de 12 anos e atendimento nutricional a crianças desnutridas de menos de cinco anos. Uma pequena clínica fixa de Jilib tinha instalações para tratar desnutrição, sarampo e cólera. Mais de 68 mil intervenções médicas foram realizadas por meio desse programa entre janeiro e agosto.

 

Juba de Baixo

Na cidade portuária de Kismayo, MSF administrava um programa de nutrição intensiva para crianças com menos de cinco anos, com alas especiais para casos de sarampo e cólera. Essa instalação foi aberta durante a crise nutricional de 2011 e recebeu um fluxo constante de crianças desde então: 5.813 receberam tratamento entre janeiro e setembro de 2013. Em outubro, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha inaugurou uma estrutura semelhante no hospital de Kismayo, para compensar a saída de MSF.

 

Somalilândia

MSF tem apoiado as instalações de internação, maternidade e cirurgia do hospital de 160 leitos de Burao, na região de Togdheer, na Somalilândia, desde 2011.  Antes de sua retirada, MSF conduziu 775 intervenções cirúrgicas, internou 1.602 pessoas na ala de internação e auxiliou no parto de 720 bebês.

MSF também atuou em três prisões na Somalilândia, realizando consultas médicas, aprimorando as instalações de água e saneamento, e distribuindo itens de primeira necessidade.

MSF começou a trabalhar no país em 1979.

 

Notícias

Início da Atuação: 
1979
Atividades Médicas: 
Sarampo
Tuberculose
Desnutrição