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Mianmar

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No fim de julho, o ciclone Komen provocou fortes enchentes em muitas partes de Mianmar. Foi o pior desastre natural do país desde o ciclone Nargis, em 2008. Médicos Sem Fronteiras (MSF) respondeu no estado de Rakhine e na região de Sagaing, ambos declarados como áreas de calamidade pelo presidente.

Nos municípios de Kalay e Tamu, em Sagaing, e nos municípios de Minbya e Maungdaw, em Rakhine, as equipes de MSF distribuíram água e kits de higiene para reduzir os riscos de doenças relacionados a saneamento e forneceram mosquiteiros para evitar doenças transmitidas por mosquitos, como malária e dengue, que são endêmicas nessas áreas. Em Monywa, Kalay e Tamu, MSF treinou voluntários do Ministério da Saúde para limpar locais que poderiam ser propícios à reprodução dos mosquitos, como pratos de planta e recipientes abertos com água parada, e visitou as casas para levar orientações sobre prevenção da dengue. MSF doou testes rápidos para a dengue ao Ministério da Saúde e treinou os profissionais para utilizá-los. Além disso, equipes de MSF e do Ministério da Saúde levaram clínicas móveis para os principais abrigos, como monastérios, mesquitas, uma escola e um orfanato.

Cuidados médicos no estado de Rakhine

MSF deu continuidade à consolidação das atividades que tinham sido interrompidas pelas autoridades por nove meses, desde 2014. Entre elas, o apoio às clínicas móveis do Ministério da Saúde para visitar campos de pessoas deslocadas internas em Pauktaw e Sittwe e vilarejos étnicos de Rakhine, e ajuda nas atividades médicas em Maungdaw, no norte do estado. No total, as equipes realizaram 84.689 consultas ambulatoriais, apoiaram campanhas de vacinação contra o sarampo e a pólio e fizeram mais de 900 encaminhamentos para outras unidades de saúde. O acesso aos cuidados de saúde continuou inaceitavelmente limitado para muitas pessoas do norte de Rakhine, em função das fortes restrições de movimento impostas ao povo rohingyas e à ausência de organizações humanitárias nacionais e internacionais.

Novo projeto na região especial Wa 2

MSF conduziu uma pesquisa na região especial Wa 2 que confirmou a falta de serviços de saúde básicos e secundários e de prevenção de doenças, bem como falhas na vacinação e na prestação de serviços maternais.

Em Lin Haw, MSF abriu uma nova clínica dentro de uma instalação de saúde local. Desde setembro, profissionais levam clínicas móveis toda semana ao mercado de Pang Yang para realizar atendimento básico. Além disso, oferecem sessões educativas e informativas de saúde geral e higiene em duas escolas próximas.  

Cuidados com pessoas que vivem com HIV

Em 2015, em sua atividade mais substancial em Mianmar, MSF atendeu em seus projetos mais de 35 mil pessoas que vivem com HIV nas regiões de Yangon e Tanintharyi e nos estados de Shan e Kachin. O governo fez um grande progresso no tratamento de HIV, mas infelizmente apenas metade das cerca de 210 mil pessoas que precisam de terapia antirretroviral (ARV) foi incluída no programa. O tratamento permanece muito centralizado, por isso MSF está ajudando iniciativas do Programa Nacional de Aids (NAP, na sigla em inglês) para levar os cuidados para perto de onde as pessoas vivem. Em Dawei, MSF começou a transferir pacientes estáveis para locais descentralizados do NAP. Em todos os projetos de HIV desse ano, MSF manteve o foco nos grupos vulneráveis, como usuários de drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e pessoas com coinfecções, como tuberculose, tuberculose resistente a medicamentos ou citomegalovírus.

Projetos de saúde mental em Mianmar e na Indonésia

Os profissionais de MSF ofereceram cuidados médicos e psicossociais a mais de 700 pessoas que tinham sido detidas depois de resgatadas de barcos piratas abandonados na baía de Bengala em maio e junho.

Em agosto, MSF iniciou um projeto de saúde mental para refugiados rohingyas de Mianmar no campo de Lhokseumawe, em Aceh, Indonésia. Em novembro, as atividades foram estendidas para dois campos de Langsa.

MSF atua em Mianmar desde 1992 e começou a trabalhar na Indonésia em 1995.

Depoimento

Ma Moe Moe Khaing, estado de Kachin

“Quando descobrimos que meu marido era HIV positivo e começou o tratamento com MSF, eu fiz o teste também. Estava grávida de dois meses na época, e meu resultado também foi positivo. Meu marido estava muito doente, mal andava. Eu tive muito medo, cheguei a pensar em interromper a gravidez. Mas decidimos ter fé e levar adiante, íamos aceitar o bebê que nascesse. Tomamos o ARV regularmente, seguindo as orientações do médico. Depois do parto, eu ainda tinha medo de ter passado o vírus, mas 12 meses mais tarde todos os exames de HIV deram negativos. Fiquei imensamente feliz. Nossa filha tem saúde e agora está no jardim de infância.”