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Jordânia

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As restrições ao trabalho e a diminuição da ajuda internacional tornaram ainda mais difícil o acesso dos refugiados sírios ao atendimento de saúde na Jordânia.

Como um dos poucos países estáveis na região, a Jordânia recebeu mais de 600 mil refugiados sírios registrados (Acnur) desde o início do conflito na Síria, e sua infraestrutura está naturalmente sob imensa pressão. Desde novembro de 2014, os sírios são obrigados a pagar pelo acesso ao atendimento nos hospitais públicos, mas seus recursos são cada vez mais escassos, pois não têm permissão jurídica para trabalhar na Jordânia. O financiamento internacional também diminuiu.

É imensa a necessidade de tratamento para doenças não-transmissíveis e, em 2015, Médicos Sem Fronteiras (MSF) ampliou um projeto oferecendo atendimento aos refugiados sírios e aos jordanianos em situação vulnerável sofrendo de hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e doença pulmonar obstrutiva crônica. Na província de Irbid, as atividades prosseguiram na clínica de saúde primária Ibn Sina, do Ministério da Saúde, e foi aberta em meados de abril uma segunda clínica, Ibn Rushd, em parceria com uma ONG local. As visitas domiciliares tiveram início em agosto. Mais de 20 mil consultas foram realizadas com novos pacientes nessas clínicas ao longo do ano.

Atendimento de maternidade

Um projeto de maternidade e saúde neonatal administrado por MSF foi transferido em janeiro para um hospital especializado e as cesarianas de emergência foram realizadas ali a partir de fevereiro. Até o fim do ano, a equipe tinha recebido mais de 3.900 gestantes e auxiliado em 3.400 partos. Também foram realizadas consultas de saúde mental com 274 pacientes, dos quais três quartos tinham testemunhado uma morte violenta e um terço tinha perdido um parente próximo e/ou o lar. A unidade de terapia intensiva neonatal foi ampliada para oito leitos, quatro incubadoras e quatro catres em 2015, e a equipe tratou seu primeiro paciente com pressão nasal positiva contínua em setembro. No total, 498 bebês foram recebidos ali durante o ano.

Cirurgia para trauma e atendimento pós-operatório

MSF continua a tratar sírios feridos pela guerra no hospital governamental de Ar Ramtha, província de Irbid, na fronteira com a Síria. Trabalhando com o Ministério da Saúde, MSF oferece cirurgia de emergência e atendimento geral de internação, bem como sessões de psicoterapia e apoio psicossocial. Em 2015, a equipe da sala de emergência atendeu 863 pacientes feridos, dos quais 315 foram encaminhados para cirurgia. Também foram realizadas mais de 1.600 sessões individuais de orientação.

MSF mantém uma instalação pós-operatória com 40 leitos no campo de refugiados de Zaatari, província de Mafraq, que recebe pacientes de Ar Ramtha e outros hospitais jordanianos para atendimento voltado para reabilitação e convalescença. Mais de 1.540 sessões psicossociais foram realizadas em 2015.

Cirurgia reconstrutiva em Amã

O projeto de cirurgia reconstrutiva em Amã oferece cirurgia ortopédica, plástica e maxilo-facial, bem como fisioterapia e apoio de saúde mental, principalmente a pacientes feridos na guerra vindos de países vizinhos que não teriam acesso ao atendimento especializado. Em fevereiro, o projeto foi transferido para um novo hospital onde os cirurgiões realizaram mais de 880 intervenções cirúrgicas. Uma rede de médicos da região encaminha pacientes para o programa e, este ano, 58% deles eram vindos da Síria, 30% do Iraque e 7% da Palestina. MSF abriu um laboratório de microbiologia totalmente equipado no hospital para melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes com infecções resultantes de seus ferimentos. Infecções resistentes a antibióticos são um desafio médico comum e importante na região. A abertura do laboratório vai melhorar a qualidade das intervenções médicas para pacientes com ferimentos decorrentes do conflito que tenham desenvolvido complicações infecciosas.

MSF atuou no país pela primeira vez em 2006.
 

Início da Atuação: 
2006
Atividades Médicas: 
Saúde mental