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Haiti

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O sistema de saúde do Haiti enfrenta sérias dificuldades para atender a algumas das necessidades médicas mais elementares dos haitianos, como o tratamento para traumas e os serviços de maternidade.

Enquanto uma parcela da população consegue pagar pelo atendimento de saúde em clínicas particulares ou fora do país, os serviços de saúde estão fora do alcance de grande parte da população haitiana. Há poucos profissionais nas instalações médicas, que carecem de recursos para cobrir os custos operacionais e adquirir suprimentos médicos em quantidade suficiente. Na ausência de investimento de longo prazo por parte do governo do país e de doadores internacionais, as pessoas em situação mais vulnerável continuarão impossibilitadas de acessar os serviços dos quais necessitam. Médicos Sem Fronteiras (MSF) continua a preencher lacunas essenciais no serviço de saúde haitiano - a maioria delas antecede o terremoto de 2010.

Serviços de saúde em Porto-Príncipe

Um grande número de haitianos vive em ambientes superlotados e pouco seguros, onde os acidentes domésticos se tornaram comuns. A violência (incluindo a violência sexual) também é um problema de saúde pública, mas os serviços de emergência acessíveis são escassos.

MSF mantém uma unidade de queimaduras no hospital de Drouillard, que na prática se tornou o centro nacional de encaminhamento para pacientes com queimaduras, dos quais quase a metade (47%) tem menos de 5 anos de idade. Em 2015, foram feitas mais de 17.550 consultas, incluindo mais de 3.550 intervenções cirúrgicas, 12.100 sessões de fisioterapia e 1.600 consultas de saúde mental. MSF planeja treinar mais profissionais médicos e instituir um sistema de encaminhamento para melhorar o acesso e a qualidade do atendimento de saúde para os pacientes com queimaduras.
Em Tabarre, o hospital de Nap Kenbe, com 122 leitos, administrado por MSF, oferece atendimento para traumas e cirurgia. A equipe atendeu mais de 13 mil pacientes emergenciais em 2015 e mais de 6.400 intervenções cirúrgicas foram realizadas. Também foram oferecidos a psicoterapia e o apoio ao atendimento de saúde mental e social para a reabilitação.

Serviços de funcionamento contínuo estão disponíveis no centro de estabilização e emergência de MSF em Martissant, e a equipe atendeu 50 mil pacientes esse ano. Destes, 30 mil receberam tratamento para traumas acidentais e 5 mil para trauma violento. O restante sofria de queimaduras, complicações obstétricas e outros ferimentos.

Atendimento sexual e reprodutivo

A violência sexual e de gênero é uma emergência que recebe pouca atenção no Haiti. Em maio, MSF abriu a clínica Pran Men’m, instalação que oferece a assistência médica de emergência necessária durante as 72 horas seguintes a um episódio de violência, bem como o atendimento médico emergencial de prazo mais longo e o apoio psicológico. Mais de um terço dos 258 pacientes tratados na clínica tinham menos de 18 anos de idade.

Localizado no bairro de Delmas 33, em Porto-Príncipe, o Centre de Référence des Urgences en Obstétrique (Cruo, na sigla em francês) de MSF, com 148 leitos, oferece atendimento a gestantes envolvidas em complicações graves e possivelmente letais como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, hemorragia obstétrica, obstruções no parto ou ruptura uterina. Os serviços incluem atendimento de pós-natal, planejamento familiar e prevenção à transmissão do HIV de mãe para bebê, bem como o atendimento neonatal e o apoio de saúde mental. Em 2015, a equipe realizou mais de 18.300 consultas, ajudou em mais de 6 mil partos e recebeu 2.500 bebês na ala neonatal. Na ala conhecida como “colernidade”, com 10 leitos, que oferece atendimento especializado para gestantes com cólera, 144 pacientes foram recebidos.

Crise de cólera em andamento

A epidemia de cólera que teve início após o terremoto de 2010 ainda é uma ameaça à saúde pública. Em 2015, mais de 2.300 pacientes foram recebidos no centro de tratamento de cólera (CTC) de Diquini, com 55 leitos, em Delmas, administrado por MSF em parceria com o Ministério da Saúde, e cerca de 750 pacientes foram tratados no CTC de Delmas Figaro. MSF fechou o CTC de Martissant em maio, mas ainda há uma equipe envolvida em atividades de resposta e vigilância.

Fechamento do hospital de Chatuley

MSF vinha reduzindo suas atividades no hospital de Chatuley, em Léogâne, desde 2013, e a instalação foi finalmente fechada em agosto. O hospital foi construído com contêineres em 2010 como ampliação de uma resposta inicial ao terremoto, com dois blocos cirúrgicos oferecendo atendimento médico às vítimas de acidentes de trânsito e gestantes com complicações. Em 2015, a equipe ajudou em 747 partos, recebeu 300 bebês na ala neonatal e tratou 60 crianças na ala pediátrica.

MSF começou a atuar no país em 1991.
 

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Diário de Bordo

Haiti
Início da Atuação: 
1991
Atividades Médicas: 
Cólera
Saúde mental