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Médicos Sem Fronteiras (MSF) continuou a responder à epidemia de Ebola na Guiné, oferecendo apoio aos centros de tratamento de Ebola e auxiliando em práticas funerárias seguras, promoção de saúde, vigilância comunitária e rastreamento de contatos.

Passado um ano desde o início da epidemia de Ebola, tornou-se evidente que eram necessárias novas maneiras de combater a doença, e MSF se envolveu em pesquisas e estudos para descobri-las. Foi incluído o teste de uma vacina voltada para os profissionais de saúde que atuam diretamente no combate ao Ebola em Conacri, capital do país, e nas cidades de Forécariah e Coyah, e para pessoas que estiveram em contato com novos casos confirmados. MSF também iniciou um estudo de infecção, analisando quais são os fluidos corporais que apresentam maior risco de transmissão da doença e por quanto tempo após a recuperação.

Entre janeiro e março, MSF estruturou uma equipe móvel de resposta rápida com capacidade de viajar para onde quer que fossem identificados novos casos de Ebola, analisando rapidamente as necessidades e propondo uma abordagem adaptada. Essa equipe foi mobilizada duas vezes, até Faranah e Kissidougou.

Em abril, o centro de tratamento de Ebola em Guéckédou foi fechado e uma instalação antes usada pelo Ministério da Saúde como centro de trânsito (preparada com o apoio de MSF) em Forécariah foi transformada em um centro de tratamento de Ebola pela Cruz Vermelha francesa. MSF ofereceu apoio à transferência de pacientes, à identificação de novos casos e à promoção de atividades de conscientização.

Em julho, MSF inaugurou novos centros de tratamento de Ebola em Nongo, uma área de Conacri, e na cidade de Boké. O centro de Nongo tinha capacidade para 72 leitos, e as atividades foram transferidas do hospital de Donka para este novo local. O resultado foi uma melhoria na qualidade do tratamento e mais foco em soluções inovadoras para o atendimento aos pacientes, como a digitalização das fichas de pacientes usando câmeras e sua transferência das áreas de alto risco para áreas de baixo risco.

O fim da epidemia de Ebola na Guiné foi declarado no dia 29 de dezembro . Desde o seu início, em março de 2014, foram identificados 3.804 casos e 2.536 mortes foram confirmadas, entre elas as de 110 profissionais de saúde.

Adesão ao tratamento contra o HIV

A epidemia de Ebola teve consequências graves para os guineanos HIV-positivo, que necessitam de tratamento contínuo e vitalício. Muitos pacientes abandonaram o tratamento por medo de irem às instalações de saúde e contraírem Ebola. MSF combateu o problema e tentou limitar o risco de infecção com a implementação de uma estratégia de reabastecimento semestral (R6M) de medicamentos entre abril e junho de 2014. Com isso, pessoas em condições estáveis só teriam de vir buscar seus medicamentos duas vezes ao ano. Graças a essa estratégia, mais de 90% das pessoas que vivem com HIV incluídas no R6M ainda estavam em tratamento em março de 2015; outros provedores de saúde registraram uma adesão significativamente mais baixa.

A prevalência de HIV na Guiné é relativamente baixa, afetando 1,7% da população. Mas, no momento, apenas uma em cada quatro pessoas com HIV recebe tratamento antirretroviral. MSF tem oferecido atendimento de alta qualidade para os casos de HIV na Guiné desde 2003; isso inclui estratégias experimentais como a R6M, bem como garantir que o monitoramento da carga viral esteja disponível para as pessoas (trata-se de uma importante medição laboratorial da quantidade de HIV no sangue que pode indicar o sucesso ou fracasso do tratamento). MSF mantém atualmente uma instalação de nível intermediário em Matam, onde alguns leitos estão disponíveis para casos simples, oferecendo apoio a seis centros de saúde onde o tratamento para HIV é oferecido juntamente com outros serviços básicos de saúde, com treinamento e orientação. No total, MSF trabalha com um quinto das pessoas identificadas como portadoras de HIV no país e em tratamento.

MSF atua no país desde 1984.

História de paciente:

Nubia, a bebê, a última paciente de Ebola na Guiné

Ninguém esperava que um bebê nascido com Ebola sobrevivesse por muito tempo. Anteriormente, nenhum bebê nascido de mãe infectada tinha sobrevivido por mais do que algumas horas. Apesar do prognóstico ruim, e os desafios de cuidar de uma recém-nascida numa zona de isolamento, usando roupas de proteção, a equipe médica estava determinada a salvá-la. Nubia recebeu dois novos medicamentos experimentais e, gradualmente, seu estado de saúde melhorou. Um mês depois, exames revelaram que ela tinha vencido o vírus e, no dia 28 de novembro, a bebê recebeu alta.


 

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Diário de Bordo

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Início da Atuação: 
1984
Atividades Médicas: 
Cólera
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Malária