Você está aqui

Brasil

Brasil

Ajuda humanitária a haitianos em Tabatinga (2011 -2012)

Médicos Sem Fronteiras iniciou suas atividades em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, em dezembro de 2011. Naquela época, mais de mil haitianos, que haviam chegado ao Brasil fugindo das dificuldades de um país devastado por um terremoto, aguardavam um protocolo da polícia Federal que lhes permitiria sair da cidade e trabalhar. Enquanto aguardavam, grande parte vivia em condições extremamente precárias e com acesso limitado a cuidados de saúde, sem qualquer assistência das autoridades locais, estaduais ou federais.

Em oito semanas, Médicos Sem Fronteiras distribuiu mais de 1.800 kits de higiene contendo itens como escova e pasta de dente, sabão, balde, toalha, para facilitar a manutenção de condições mínimas de higiene e evitar, assim, a degradação do estado de saúde deles.  Foram distribuídos também cerca de kits família, com vasouras e água sanitária e outros produtos de limpeza.

A equipe de Médicos Sem Fronteiras também realizou atividades de promoção de saúde com o objetivo de melhorar a prevenção de doenças e facilitar o acesso dos haitianos ao sistema público de saúde, fazendo a ponte entre os serviços locais e a população de imigrantes.  Para isso, MSF desenvolveu material de educação em saúde em creole, a língua falada no Haiti.

As condições de vida difíceis e a incerteza sobre futuro provocaram sintomas de stress agudo como insônia, perda de apetite, dificuldades para respirar e dores corporais. Por isso, além do trabalho educacional e da distribuição dos kits, MSF também ofereceu apoio em saúde mental individual e em grupo.

Os principais problemas de saúde observados foram dermatites, doenças gastrointestinais, febres sem causa esclarecida e infecções respiratórias, doenças normalmente associadas às condições de vida e de habitação. No entanto, MSF avaliou que o sistema de saúde público poderia dar conta dessa demanda. A equipe de Médicos Sem Fronteiras também realizou, então, atividades de promoção de saúde, que além de melhorar a prevenção de doenças, tinha o objetivo de facilitar o acesso dos haitianos ao sistema público de saúde, fazendo a ponte entre os serviços locais e a população de imigrantes.

Em meados de fevereiro, após encerrarem as atividades em Tabatinga, profissionais de MSF foram para Manaus para trabalhar com haitianos, que de posse do protocolo de visto, documento que lhes permite viajar dentro do país e trabalhar haviam ido para capital do estado atrás de emprego. Foi uma rápida passagem de 20 dias em que MSF trabalhou junto com profissionais locais para montar uma estratégia de inserção dos haitianos no sistema público de saúde e de atendimento de saúde mental.

 

Capacitação na região de Itaperuna (2012)

Duas psicólogas de Médicos Sem Fronteiras (MSF) foram enviadas a Itaperuna, cidade situada entre os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, para organizar treinamentos para capacitar os profissionais locais a oferecer assistência psicológica às vítimas das enchentes na região. Diversas cidades do entorno sofreram com as fortes chuvas, em janeiro de 2012, que causaram sérias enchentes e deslizamentos e que deixaram dezenas de mortos e desabrigados.

Mais de 50 pessoas participaram da primeira capacitação. O trabalho foi uma resposta a um convite feito pela Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro.

 

Capacitação na região serrana do Rio de Janeiro (2011)

Cidades na região serrana do Rio de Janeiro foram atingidas por fortes chuvas, em janeiro de 2011, que fizeram mais de 700 vítimas fatais. Equipe de psicólogos de Médicos Sem Fronteiras (MSF) treinaram profissionais de saúde mental que trabalharam na região atingida pelas cheias. A capacitação foi o principal foco do trabalho de MSF nesta emergência. A estratégia de trabalhar com a qualificação dos profissionais em vez de fazer atendimento direto à população também tem o objetivo de atingir um público grande mesmo com uma equipe reduzida. Além dos treinamentos, MSF colaborou na organização dos voluntários que estão trabalhando na cidade para que não houvesse multiplicação de esforços desnecessários.

Depoimento

"Essa capacitação me deu um novo olhar sobre o que está acontecendo e me despertou para coisas que estavam passando despercebidas por mim. E o mais importante é que a presença das psicólogas de Médicos Sem Fronteiras me deu segurança para trazer à tona tudo o que eu já sabia. Por também ter sido vítima eu estava muito abalada". Ozimar Verly, neuropsicóloga.

 

Auxílio para as vítimas de Alagoas (2010)

Em junho de 2010, fortes enchentes atingiram os estados de Pernambuco e Alagoas no nordeste do Brasil. As inundações deixaram milhares de casas completamente destruídas. Em alguns lugares, a população inteira foi afetada pelo desastre e muitas famílias perderam todos os seus pertences. Equipes de MSF ofereceram apoio psicológico, distribuição de kits, melhoria das condições de água e saneamento, monitoramento e treinamento.
MSF doou conjuntos de material para limpeza de latrinas, adaptou vários tanques de água, construiu locais para banho, distribuiu kits de higiene (sabonete, toalha, bacias, escova de dente) e kits não-alimentares (lonas plásticas, colheres e baldes), realizou monitoramento para detectar o surgimento de casos de doenças como leptospirose, dengue, diarreia, doenças de pele e infecções respiratórias e ofereceu treinamento em cuidados de saúde mental para o pessoal médico e não-médico local, para ajudá-los a identificar problemas psicológicos nos pacientes.

 

Unidade de Emergência do Complexo do Alemão (2007 - 2009)

Em outubro de 2007, Médicos Sem Fronteiras (MSF) inaugurou na Comunidade da Fazendinha, no centro do Complexo do Alemão, a Unidade de Emergência de MSF. Na clínica, equipes de MSF ofereciam atendimento de emergência, cuidados de saúde mental, transferência em ambulância para hospitais da região e orientação sobre a rede pública de saúde do município.

A Unidade de Emergência MSF funcionou até o final de 2009, quando as atividades na clínica foram encerradas. Nos mais de dois anos em que funcionou, a equipe de MSF atendeu majoritariamente pacientes com problemas de saúde primária, tendo realizado mais de 19 mil consultas médicas. Além disso, prestou também atendimento emergencial, com 650 resgates de ambulância, e ofereceu cuidados de saúde mental a 2 mil pacientes. A maioria destes atendimentos foi composta por mulheres adultas apresentando quadros depressivos, ansiosos e psicossomáticos (aproximadamente 47%), e crianças e adolescentes com problemas de aprendizagem e agressividade (aproximadamente 43%).

A unidade de saúde do Complexo do Alemão, a exemplo de outras que MSF abriu em outras comunidades do Rio de Janeiro, deveria ser retomada pela Prefeitura, segundo acordo assinado em 2008. Com o descumprimento do acordo por parte da Prefeitura, MSF, uma organização que não se propõem a substituir o poder público, se viu obrigada a dar fim às atividades em novembro de 2009, como previsto desde o início do projeto.

 

Oficinas de Capacitação em Gestão de Risco (2006)

Em maio de 2006, MSF inicia, em parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro, Oficinas de Capacitação em Gestão de Risco para equipes do Programa de Saúde da Família, que atuam em áreas de vulnerabilidade social na cidade.

Até agora, mais de 700 médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde receberam treinamento de profissionais de MSF, com recomendações sobre como agir diante das situações de violência nas áreas onde trabalham. A tarefa dos participantes é não só ouvir e trocar experiências, mas também apresentar propostas para a elaboração de um guia de segurança.

 

Centro de Atenção Integral à Saúde de Marcílio Dias (2003-2005)

Marcílio Dias é uma comunidade carente situada em uma área de difícil acesso na região norte da cidade do Rio de Janeiro, localizada no Complexo da Maré. Seus mais de 7 mil moradores enfrentam, além da violência e das dificuldades econômicas geradas pelo alto índice de desemprego, dificuldades de acesso a serviços de saúde.
Para melhorar o acesso dos moradores de Marcílio Dias a cuidados de saúde e psicossociais, Médicos Sem Fronteiras deu início, em 2003, a um projeto naquela comunidade. As atividades foram iniciadas em um consultório improvisado na Associação de Moradores da comunidade, enquanto um espaço estava sendo adaptado para funcionar como Centro de Saúde. Em julho de 2003, com a conclusão das obras, MSF inaugurou o Centro de Atenção Integral à Saúde de Marcílio Dias.

O objetivo do projeto era melhorar as condições de saúde e psicossociais da população através da implantação de uma Unidade Básica de Saúde na comunidade, que contou com uma equipe multidisciplinar: médicos, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, entre outros profissionais.

Neste período, o Centro de Saúde ofereceu atendimento de clínica geral, pediatria e ginecologia à população, além de consultas de psicologia, apoio de serviço social e atividades socioeducativas, tais como oficinas de artesanato, fuxico, crochê e bordado realizadas por voluntários.

MSF também organizava grupos de reflexão com mulheres e jovens na comunidade. Um grupo de adolescentes escrevia e editava o jornal comunitário "Jovens em Ação" com supervisão de uma psicóloga e da equipe de comunicação de MSF.

Ao longo de quase três anos, MSF realizou 25.927 mil consultas médicas, 6.602 mil consultas de enfermagem e 43.778 procedimentos de enfermagem, 3.236 mil atendimentos psicológicos e 5.057 atendimentos sociais, 6 campanhas nacionais de vacinação e 2 Ações Sociais Comunitárias. Pode-se dizer que 99% dos pacientes receberam toda a medicação prescrita e 3.891 mil pessoas participaram de atividades psicossociais (como grupos de jovens e mulheres e atividades culturais e desportivas).

Em dezembro de 2005, o Centro de Saúde de Marcílio Dias passou a ser gerido pela ONG comunitária Movimento de Gestão Comunitária (MOGEC), com verbas da Secretaria Municipal de Saúde. O MOGEC foi criado a partir de um projeto de capacitação de gestores comunitários de MSF (1997 e 2001).

 

Projeto Meio-fio (2000-2004)

Num país marcado pela desigualdade social e pelo aumento dos índices de pobreza nas últimas décadas, o Rio de Janeiro, como outras grandes cidades brasileiras, assiste a um crescimento do número de pessoas morando nas ruas, desabrigadas e cada vez mais excluídas socialmente.

Buscando oferecer uma melhor qualidade de vida para essas pessoas, com um processo de escuta diferenciado das demandas desta população e encaminhando os casos de saúde e psicossociais aos serviços públicos existentes, Médicos Sem Fronteiras deu início, no ano 2000, ao projeto Meio-fio. O projeto também desenvolveu, ao longo desses quatro anos e meio, atividades de sensibilização para reduzir o nível de preconceito tanto da sociedade, quanto dos profissionais dos serviços públicos.

Ao longo desse período, uma equipe multidisciplinar de MSF – formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e educadores de rua – percorria as ruas do centro do Rio de Janeiro abordando os beneficiários na própria rua, oferecendo uma assistência primária no local, e, quando necessário, encaminhando-os para os serviços existentes.

Atividades realizadas

A proposta de MSF nunca foi a de substituir o poder público local, mas estimular uma atenção diferenciada das autoridades municipais, estaduais e federais a esta população tão marginalizada. Por isso, concomitantemente a um trabalho de sensibilização dos profissionais de saúde e das autoridades locais, MSF forneceu instrumentos para que a população em situação de rua pudesse ser autossuficiente na busca pelos seus direitos.

Durante o funcionamento do projeto Meio-fio foram distribuídos 2000 guias de serviços com endereços úteis e informações relevantes sobre os serviços públicos e gratuitos oferecidos na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, MSF disponibilizou um guia de procedimentos aos profissionais de instituições públicas; realizou em parceria com outras instituições dois seminários sobre a população em situação de rua; promoveu oficinas e palestras de sensibilização para profissionais de instituições públicas; participou da formação de uma rede de instituições capaz de oferecer assistência e defender a elaboração de políticas públicas; fundou - em parceria com outras entidades públicas e não governamentais - a Comissão Permanente de Monitoramento das Políticas Públicas para a População em Situação de Rua, que funciona até hoje dentro da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro; realizou uma exposição fotográfica para sensibilizar a sociedade sobre as dificuldades enfrentadas por esta população; entre tantas outras atividades.

Denúncias sobre desrespeito

MSF também denunciou às autoridades locais e às diversas comissões de Direitos Humanos do país, situações de desrespeito e brutalidade testemunhadas ao longo desses anos pela equipe do projeto Meio-fio. Guardas Municipais, acompanhados de caminhões da Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana da Cidade do Rio de Janeiro), realizam com frequência uma operação conhecida como Cata-tralhas, para recolher os pertences dos moradores de rua. Esta operação tem consequências sérias, já que, além de recolher o lixo deixado nas ruas por essa população, recolhe também medicamentos, roupas, instrumentos de trabalho e objetos pessoais como documentos e fotografias. Além do desrespeito, essas operações contribuem para piorar os já sobrecarregados serviços públicos oferecidos, uma vez que os moradores de rua retornam aos serviços para requisitar novamente os medicamentos, os exames e os documentos recolhidos.

Depoimento

“Hoje, os Médicos Sem Fronteira são a minha família. Como é que pessoas, um grupo, uma organização não governamental acolhe com tanto carinho as pessoas em situação de rua, e trata delas? Eu tenho que ter carinho comigo mesmo para ser digno do carinho que dão para mim. Então, acho que a primeira coisa para sair desta situação é se amar, e eles me mostraram o caminho do amor”. Lísias Valério Bergo, beneficiário do projeto Meio-fio.

 

Vale do Jequitinhonha (2002)

Em janeiro de 2002, o nordeste de Minas Gerais foi atingido por fortes chuvas que causaram a cheia dos rios Jequitinhonha e alguns afluentes, deixando cidades isoladas e milhares de pessoas desabrigadas. Uma equipe de Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi enviada ao Vale do Jequitinhonha para avaliar a situação e estudar a possibilidade de intervenção. A aproximadamente 800 Km de Belo Horizonte, os municípios atingidos tiveram acesso ainda mais restrito com a queda de pontes e interdição de estradas.

Médicos Sem Fronteiras visitou os municípios de Rubim, Jacinto e Almenara, e pôde constatar a precariedade dos recursos governamentais para lidar com a emergência. Em 43 municípios, foi decretada situação de emergência e em 25, estado de calamidade pública. As famílias desabrigadas e desalojadas foram acolhidas em escolas municipais e estaduais. Os estoques de medicamentos essenciais de Rubim e Jacinto eram escassos e, com o advento das chuvas, o risco de epidemias torna-se ainda maior.

Diante da dificuldade das autoridades locais em responder à catástrofe e da inexistência de outras instituições capazes de prestar socorro às vítimas da enchente, Médicos Sem Fronteiras decidiu então intervir no Vale do Jequitinhonha. Foi enviada ao local uma uma equipe multidisciplinar, composta por 3 enfermeiros, uma psicóloga e uma responsável logística, que atuou nos municípios de Rubim, Jacinto, Almenara e Sta. Maria do Salto, identificados como locais de maior necessidade de apoio.

As consultas de enfermagem se concentraram no município de Jacinto e seus distritos – Bom Jardim, Jaguarão e Avaí. Além do atendimento nas unidades de saúde locais e das vistas domiciliares, foram realizadas atividades de sala de espera, que abordaram temas como hanseníase, leishmaniose e aleitamento materno. O trabalho possibilitou o levantamento dos problemas mais comuns da região, como alta incidência de verminose e de hipertensão, além das deficiências estruturais do sistema de saúde local.

O atendimento psicológico se concentrou na cidade de Rubim. Durante o trabalho, foram detectados tanto problemas pontuais, decorrentes do trauma da enchente, como problemas pré-existentes, que haviam sido potencializados pela vivência da crise. Além de atendimentos individuais, foram feitos trabalhos também com casais, famílias e em grupos. Com as crianças que estavam abrigadas em uma escola local, foram desenvolvidas atividades lúdicas, que incluíram jogos e brincadeiras, além de um grande desenho coletivo, através do qual as crianças puderam representar situações emocionais.

Além do apoio profissional, MSF também enviou ao local 400 caixas de suprimentos de saúde, contendo uma variedade de 120 itens, desde de medicamentos básicos a material hospitalar. Uma responsável logística, enviada por MSF, supervisionou e coordenou a entrega do material às secretarias municipais de saúde da região, assim com a distribuição de 390 kits de higiene, enviados às famílias desalojadas e desabrigadas pela enchente.

Um dossiê sobre a falta de resposta do poder público também foi preparado e enviado às autoridades responsáveis, na tentativa de que sejam tomadas medidas concretas que resolvam os problemas de saúde e moradia das vítimas da enchente no Vale do Jequitinhonha. A intervenção emergencial de Médicos Sem Fronteiras no Vale durou 9 dias.

Depoimento

“No Vale do Jequitinhonha, há desigualdade social, uma infraestrutura precária de saúde e a população fica a mercê da ineficácia de ações de saúde. Enquanto estávamos lá, as consultas lotavam o dia inteiro sem intervalo. Quando chegávamos nas cidades, as pessoas anunciavam no microfone da igreja: chegaram!” Eriedna Barbosa, enfermeira de MSF que atuou na enchente do Vale do Jequitinhonha.

 

Barra Mansa e Resende (2000)

Intervenção de emergência após enchente nas cidades de Resende e Barra Mansa, no Rio de Janeiro

No início de 2000, chuvas fortes no Sudeste do Brasil atingiram São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No interior do Rio de Janeiro, os municípios de Resende e Barra Mansa sofreram mais com as chuvas, devido à presença do rio Paraíba do Sul e alguns de seus afluentes, que transbordaram e atingiram a população ribeirinha.
Nestes municípios, aproximadamente 200 famílias ficaram desabrigadas, e mais 1673, desalojadas. Com o apoio da Secretaria de Estado de Ação Social, elas receberam ajuda financeira de um salário mínimo no período de três meses, cestas básicas, roupas e colchões. Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi solicitada pela Secretaria de Estado de Ação Social para estudar o que a organização poderia fazer para apoiar o trabalho de assistência a esta população. Diante da avaliação feita no local, MSF criou uma proposta de trabalho conjunto com as prefeituras para levar conhecimentos técnicos e organizacionais específicos para enfrentar situações de emergência.

Numa primeira fase do projeto, uma assistente social de MSF atuou nos 2 municípios. Em contato com a realidade local, apoiou as Secretarias de Ação Social para a assistência das vítimas e iniciou a articulação dos setores interessados.

Na segunda fase, MSF ampliou sua equipe com um consultor internacional - especializado em gestão de desastre -, que trouxe os conceitos de sistema de gestão de desastre natural e capacitou os participantes do projeto.
Na terceira fase, ficaram estabelecidas a elaboração dos planos de emergência e a formação das equipes de intervenção, para posteriores discussões e análises desses planos junto a MSF.

Durante o projeto, MSF realizou visitas à população e aos locais atingidos pelas inundações e analisou as medidas já tomadas pelo município. O plano de ação de MSF buscou também orientar os participantes para o desenvolvimento de um trabalho sócio-educativo junto à população atingida e para um trabalho articulado junto aos setores da sociedade civil e aos órgãos governamentais.

 

Médicos Solidários (1998-2001)

De um lado, pessoas que vivem em situação extrema de carência e têm dificuldade de acesso à saúde. De outro, médicos que se dispõem a doar algumas horas para atender, em seus próprios consultórios, aqueles que precisam. Foi para unir esta demanda e oferta que surgiu Médicos Solidários.

O projeto consiste em uma rede de médicos voluntários que atende moradores de comunidades carentes do Rio de Janeiro, encaminhados por instituições sociais, como associações de moradores, creches comunitárias, ONGs e entidades filantrópicas. Uma central de atendimento recebe os pedidos e agenda as consultas. Os exames solicitados são realizados gratuitamente por laboratórios parceiros do projeto.

Médicos Solidários teve início em outubro de 1998, oferecendo uma média mensal de 26 consultas e chegou a 2001 com uma média mensal de 931 consultas. Hoje, a rede conta com mais de 170 médicos cadastrados, das mais variadas especialidades, e 42 instituições sociais beneficiadas.

Para realizar o trabalho, Médicos Solidários conta com uma assistente social, que faz o acompanhamento de todas as instituições cadastradas e beneficiadas. Em 2001, este projeto se tornou a ONG Médicos Solidários, gerida por um conselho formado por alguns dos médicos participantes da rede. A organização MSF mantém-se ligada à nova ONG, como integrante do seu conselho curador.

 

Unidade Municipal de Assistência Médica Primária de Costa Barros (1998-2001)

Em 1998, Médicos Sem Fronteiras (MSF) iniciou um projeto na Unidade Municipal de Saúde de Costa Barros (UMAMP Sylvio Frederico Brauner), situada em uma área muito pobre e violenta do Rio de Janeiro, em parceria com a Prefeitura da cidade, com o objetivo de criar uma noa dinâmica para o atendimento à saúde.

Costa Barros é uma área formada por 7 comunidades carentes, onde moram aproximadamente 45 mil pessoas. A UMAMP era a única unidade de saúde local e não estava funcionando em sua plena capacidade devido ao contexto de violência na comunidade – o atendimento estava cada vez mais difícil e chegou a cair para algumas centenas de consultas ao mês, sendo que a unidade tinha capacidade para 4.500 atendimentos por mês. A parceria estabelecida entre MSF e a Prefeitura do Rio de Janeiro foi caracterizada por um modelo de co-gestão, segundo o qual uma equipe de MSF trabalhava lado a lado com uma equipe da Prefeitura. Com a intervenção de Médicos Sem Fronteiras, a unidade passou a oferecer assistência ginecológica – incluindo obstetrícia e oferecendo pré-natal –, pediátrica e psicológica, e aumentou a cobertura das atividades curativas e preventivas.

Além do atendimento primário à saúde nos programas da mulher, da criança, de hipertensão e diabetes, entre outros, a unidade conta também com a atuação de agentes comunitários de saúde, que são moradores locais, treinados pelo projeto. Eles fazem o elo entre o Posto de Saúde e a comunidade, realizando visitas domiciliares e atividades de prevenção. A equipe também assessora a organização de fóruns locais, quando a comunidade se reúne para identificar problemas e buscar soluções.

A UMAMP é também a primeira referência para o Programa da Saúde da Família (PSF) que Médicos Sem Fronteiras desenvolveu no conjunto habitacional de Portus. Em 2001, o projeto em Costa Barros foi repassado para a ONG Campo.

Depoimento

“Eu queria conhecer essa realidade. É um mundo totalmente diferente. Aqui você fica realmente perto dos pacientes. Eu amo os meus velhinhos, eles são demais, eles são super up. Tenho uma paciente de 82 anos que eu tive de alertar para usar camisinha, porque ela é muito namoradeira”. Dra. Rosana Chaowey Wo, médica de MSF.

 

Núcleo Comunitário, Social e de Saúde de Portus (1998-2001)

Portus é uma comunidade do bairro de Costa Barros, na zona norte do Rio de Janeiro, formada com o objetivo de abrigar moradores de rua e de áreas de risco de diversas partes do Rio, contabilizando quase 1000famílias. Nesta época, Médicos Sem Fronteiras (MSF) já trabalhava com parte das pessoas transferidas na favela do Coqueirinho, debaixo de um viaduto da cidade, e acompanhou-as até Portus. Lá, as pessoas receberam uma casa, porém ainda havia a necessidade de a eles serem oferecidos apoio à integração social e assistência à saúde. Foi neste âmbito que MSF desenvolveu seu trabalho na nova comunidade, através do Programa de Saúde da Família (PSF).
O atendimento é realizado a partir do Núcleo Comunitário Social e de Saúde de Portus, através de uma equipe formada por um médico, um enfermeiro, um técnico de enfermagem, uma assistente social e cinco agentes comunitários de saúde. Todas as famílias são cadastradas e monitoradas pelos agentes, através de visitas domiciliares.

A assistência à saúde é feita principalmente com ações preventivas. As pessoas que precisam de um atendimento mais especializado são referenciadas à Unidade Municipal Social e de Saúde de Costa Barros ou a outras unidades da rede pública de saúde, e a equipe de MSF acompanha os tratamentos.

Em Portus, são também desenvolvidas atividades sociais e de educação em saúde. Uma assistente social orienta e auxilia na obtenção de documentos e busca de trabalho. A equipe presta assessoria para a realização de fóruns comunitários, que são encontros mensais onde os moradores se reúnem para levantar os principais problemas da comunidade.

As atividades sociais foram realizadas em parceria com a ONG comunitária CIACOM (Centro Integrado de Ações Comunitárias), montada por moradores que participaram do curso de Capacitação de Gestores Comunitários, organizado por Médicos Sem Fronteiras

Em outubro de 2001, foi realizada uma pesquisa para medir a satisfação da comunidade com o serviço. Os resultados mostraram que, nos 6 meses anteriores, 76,2% das famílias da comunidade haviam freqüentado o núcleo de saúde da família pelo menos uma vez, sendo que 39,6% disseram se tratar exclusivamente em Portus. 77,1% das famílias que freqüentam o núcleo consideram que o atendimento recebido resolveu seus problemas de saúde e 86,2% das casas receberam visita domiciliar médica. Em novembro de 2001, o projeto foi repassado para a ONG Campo.

Depoimento

"Muitas vezes a gente não tem dinheiro pra gente próprio ir ao médico ou pra levar um filho da gente. A gente já tem médico aqui perto, às vezes a criança passa mal, a gente não precisa ir tão longe que aqui mesmo tem". Norivalda Isaías, moradora de Portus - Rio de Janeiro – RJ.

 

I e II Projetos de Capacitação de Gestores Comunitários (1997-2001)

Capacitação de Gestores Comunitários

Capacitar moradores de comunidades carentes para que eles possam gerir organizações comunitárias ou atuar nas já existentes, desenvolvendo projetos sociais e de saúde, foi o principal objetivo do projeto de Capacitação de Gestores Comunitários (CGC), que Médicos Sem Fronteiras (MSF) desenvolveu entre 1997 e 2000 no Rio de Janeiro.
A necessidade de capacitar pessoas da própria comunidade surgiu a partir da experiência de Médicos Sem Fronteiras em Vigário Geral, em 1997, quando foi realizado o primeiro curso de capacitação de gestores, do qual participaram moradores de Vigário Geral e de outras comunidades.

O projeto realizou dois cursos, em média, de um ano e meio de duração cada um, sendo um semestre de curso teórico e um ano de aplicação prática. Os dois projetos de Capacitação de Gestores Comunitários (CGC I e II) contaram, no total, com a participação de 54 alunos de 13 comunidades diferentes, que tiveram aulas de Redação e Expressão, Relações Humanas, Contextualização Social e Política, Ética Comunitária e Administração e Gestão de Projetos Comunitários, entre outras disciplinas. A partir dos cursos, foram criadas seis entidades comunitárias, que atuam nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Portus (Costa Barros), Marcílio Dias (Maré), Dique (Jardim América) e Telégrafos (Mangueira).

Durante um período de 10 meses, as entidades contaram com recursos de um fundo, mantido por MSF, de R$ 300,00 por mês para cada entidade, com o qual elas puderam iniciar e consolidar o trabalho junto às suas comunidades.

Em 10 meses, foram gastos R$ 48 mil, que beneficiaram diretamente mais de 8 mil pessoas. Com isso, a média de custo por pessoa beneficiada pelos projetos foi de apenas R$ 0,59 por mês. Estes resultados foram apresentados durante seminário realizado no início de junho de 2000, com o objetivo de apoiar os gestores na busca de novos financiadores.

Os projetos desenvolvidos abrangem uma série de atividades: educação (reforço escolar e alfabetização de adultos), escolinhas de capoeira e de futebol, projetos de geração de renda e crédito popular, produção de multimistura para combater a desnutrição infantil e palestras de orientação aos pais.

Outros cursos de capacitação comunitária, inspirados no projeto de Médicos Sem Fronteiras, foram realizados por organizações governamentais e não governamentais no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Salvador.
Pessoas beneficiadas pelo trabalho das organizações ou núcleos comunitários por mês:

CIACOM (Portus) 1500
CIATE (Mangueiras) 1500
CPS LUCAS (Parada de Lucas) 110
GMCD (Marcílio Dias) 223
MOGEC (Vigário Geral) 4700
NIADS (Dique) 1500
TOTAL 9533

Depoimento

"O grande saldo deste desafio foi a possibilidade de transformação: no lugar da violência e da corrupção dos vários poderes existentes nas comunidades, encontramos ética e transparência; no lugar do abandono, encontramos compromisso, cuidado, solidariedade; no lugar da omissão, encontramos participação e organização rumo ao fortalecimento da cidadania."- Elaine Monteiro, ex-coordenadora social de Médicos Sem Fronteiras/Rio.

 

Programa Local de Prevenção a DST/Aids (1996-2001)

Na década de 90, o perfil epidemiológico da Aids mudou: cada vez mais mulheres e jovens heterossexuais, especialmente da população socialmente excluída, foram contaminados. Entre 1998 e 2001, Médicos Sem Fronteiras (MSF) desenvolveu, em comunidades empobrecidas da zona norte do Rio de Janeiro, um projeto piloto de banco de preservativos. A ação consistiu na distribuição regular de preservativos para usuários cadastrados e na realização de oficinas temáticas para homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais.

O objetivo era envolver as populações empobrecidas na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST) e da Aids, através de atividades em que elas pudessem receber informações, aprender a se prevenir e ter acesso gratuito a camisinhas.

O diferencial deste projeto, nomeado “Programa Local de Prevenção a DST/Aids”, foi que o banco de preservativos era gerido por voluntários das próprias comunidades beneficiadas, com assessoria da equipe de MSF. A resposta favorável da população estimulou a organização a ampliar o número de comunidades atendidas.

Em 2001, os bancos de preservativos foram repassados para duas áreas de planejamento do município do Rio de Janeiro (CAP 3/1 e CAP 3/3) e para unidades de saúde mais próximas, que ficaram responsáveis pela coleta de dados nas comunidades, reciclagem e abastecimento de preservativos

Depoimento

“O Programa Local de Prevenção em DST/Aids (PLP) é uma experiência pioneira pela visão social que possui, porque ensina a implementar, fomentar e gerir os bancos de preservativos, contribuindo para o fortalecimento das lideranças comunitárias e a da própria comunidade. (...) A forma como MSF desenvolveu o projeto fez com que os líderes comunitários se preparassem para caminhar com suas próprias pernas”. Ângelo Márcio da Silva, presidente do CIADS (Centro Integrado de Ações de Desenvolvimento Social), ONG originada pelo Curso de Capacitação de Gestores Comunitários que gerencia um dos bancos de preservativos.

 

Dentemania (1998-1999)

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que, no Brasil, crianças de 12 anos já têm, em média, cinco dentes, num total de 28, prejudicados pela cárie de forma permanente. Esta realidade é ainda mais grave entre crianças de famílias carentes.

Entre julho de 1998 e dezembro de 1999, Médicos Sem Fronteiras realizou um trabalho de ensino e manutenção da higiene bucal com meninos e meninas de 4 a 12 anos vivendo na rua, e em comunidades carentes como Vigário Geral e Caju. No atendimento odontológico, a equipe enfrentou o desafio de dar informações e tirar dúvidas quanto à saúde bucal, de uma maneira criativa, prática, simples e barata. Foi assim que surgiu o Dentemania, um conjunto de jogos educativos que pode ser explorado de diferentes formas e que permite ao público infantil utilizar a experiência e a linguagem do seu dia-a-dia.

O Dentemania estimula os jogadores, ao mesmo tempo em que facilita o desenvolvimento das atividades educacionais. Compõe-se de um jogo de memória, um tabuleiro, um cartaz desmontável que simula detalhes da anatomia da boca e um manual explicativo. Em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação (SME/RJ), Médicos Sem Fronteiras treinou professores e coordenadores pedagógicos da rede municipal de ensino fundamental para serem agentes multiplicadores na utilização do material educativo. 3500 unidades foram distribuídas gratuitamente a escolas municipais de ensino fundamental no Rio de Janeiro, postos de atendimento odontológico da rede pública, unidades básicas de saúde, instituições de assistência a crianças e a alguns municípios fora do Rio (Belo Horizonte, Salvador, Recife, São Paulo e Brasília). O número de crianças nas instituições beneficiadas pode ser estimado em mais de 1 milhão.

Depoimento

“Eu achei o jogo muito legal. Aprendi que não pode deixar a escova de dente de cabeça para baixo no copo...”. Gisele, 6 anos.

 

Vigário Geral (1995-1998)

Em agosto de 1993, a chacina de Vigário Geral chamou a atenção da opinião pública internacional para a situação de exclusão social e violência cotidiana em que vive grande parte da população do Rio de Janeiro. Depois de uma avaliação de campo, onde foram checadas as condições de saúde e psico-sociais da comunidade, em janeiro de 1995, Médicos Sem Fronteiras (MSF) decidiu intervir em Vigário Geral.

As atividades iniciaram-se com a instalação de um Posto de Saúde na comunidade. O desafio deste projeto foi mostrar que, mesmo em um contexto precário, é possível intervir, montar e fazer funcionar um bom serviço de assistência à saúde, com a participação da comunidade. Inicialmente, o atendimento no Posto estava voltado somente a crianças e adolescentes, mas a demanda por parte dos adultos tornou-se cada vez maior. Com o envolvimento da comunidade, através da criação de uma cooperativa de saúde popular, o atendimento aos adultos foi viabilizado. No Posto, além do atendimento de clínica geral, ginecologia e obstetrícia e pediatria, eram oferecidos serviços de odontologia, psicologia, serviço social, consultas e procedimentos de enfermagem. O Posto de Saúde de Vigário Geral oferecia também os programas de Saúde da Mulher, Pré-natal, da Criança e do Adolescente, Prevenção do Câncer de Mama e Colo do Útero e Prevenção de DST/Aids. No final de 1997, havia 1573 crianças e adolescentes regularmente inscritos no serviço, e mais 120 gestantes e 200 adultos, totalizando 1893 inscritos.

 

Amazônia (1991-2002)

A primeira equipe de Médicos Sem Fronteiras (MSF) chegou ao Brasil em 1991, para combater uma epidemia de cólera entre o Amazonas e a Colômbia. Com o aumento dramático de casos de malária no estado de Roraima, principalmente entre as populações indígenas, nas terras dos índios Yanomami, Médicos Sem Fronteiras foi convidada a desenvolver um projeto de longo prazo na área em saúde preventiva.
Em 1994, a equipe estendeu suas atividades a outros grupos, atendendo também algumas populações do noroeste do estado do Amazonas como os Macuxi, Wapixana, Ingariko, Tuarepang, Patamona e Wai-wai.

Em 1997, um novo projeto foi iniciado nas terras dos Yanomami, onde MSF instalou um sistema básico de saúde funcional para as populações indígenas, que passou a ser administrado pelos próprios índios.

Na região do Vale do Javari, as equipes desenvolveram a formação de Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Microscopistas Indígenas de Malária (MIM) entre as etnias Matis, Kanamary, Marubo, Maioruna e Culina.

Em 1999, Médicos Sem Fronteiras iniciou mais um trabalho em Tefé, que atingiu as etnias Miranha, Kanamary, Kambeba, Kokama, Maku, Ticuna, Deni, Madija-Kulina, Mayuruna e Katukina. O trabalho, em parceria com a FUNASA (Fundação Nacional de Saúde) e a Uni-Tefé (União das Nações Indígenas de Tefé), ajudou a suprir a carência de um trabalho de saúde preventiva entre as populações indígenas, normalmente mais suscetíveis a qualquer forma de doença e infecção. Os maiores desafios foram combater a malária, a tuberculose, infecções respiratórias e diarréias, respeitando e promovendo a saúde tradicional dos índios.

No final de 1999, o governo brasileiro criou os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) para oferecer aos indígenas atendimento médico e de enfermagem, vacinação, saúde bucal, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, educação em saúde e encaminhamento aos hospitais mais próximos. A partir desta iniciativa, Médicos Sem Fronteiras passou a trabalhar com o governo na estruturação dos DSEIs durante dois anos. Com a implementação dos DSEIs, MSF finalizou suas atividades planejadas e decidiu, após 10 anos, terminar suas ações na região, uma vez que os povos indígenas atendidos por MSF já tinham acesso a cuidados básicos de saúde.