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Bangladesh

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Médico Sem Fronteiras (MSF) continuou a oferecer tratamento essencial a grupos vulneráveis de Bangladesh: refugiados não documentados, mulheres jovens e pessoas de áreas remotas e favelas urbanas.

Muitas pessoas do povo rohingya, que fugiram da violência e da perseguição em Mianmar, estão vivendo em campos provisórios perto da fronteira com Bangladesh há décadas, mas ainda sofrem com discriminação e exclusão do acesso a cuidados de saúde. Perto do campo temporário Kutupalong em Cox’s Bazar, MSF mantém uma clínica que oferece serviços de saúde básicos e emergenciais, internações e serviços de laboratório para refugiados rohingya e a comunidade local. Durante o ano, as equipes atenderam cerca de 93 mil pacientes ambulatoriais, realizaram 2.700 internações e fizeram 3.300 consultas de saúde mental. Quase 8 mil mulheres receberam consultas de pré-natal iniciais, e aproximadamente 16 mil consultas de pré-natal e 5 mil de pós-natal foram realizadas.

Condições de vida precárias nas favelas

Em Kamrangirchar e Hazaribagh, os profissionais visitaram fábricas e curtumes, e realizaram mais de 8 mil consultas ambulatoriais. MSF está buscando formas de ampliar o acesso à saúde para os trabalhadores que moram em favelas, muitos deles expostos a condições de risco por muitas horas.
MSF implantou seu programa de violência do parceiro sexual e íntimo em Kamrangirchar, oferendo apoio médico e psicológico a quase 400 pessoas que foram estupradas. MSF também prestou atendimento psicológico a mais de 700 vítimas de violência do parceiro íntimo.

Resposta emergencial em Dhaka

De janeiro a abril, MSF deu apoio à unidade de queimados do hospital-escola de Dhaka, oferecendo suporte psicológico a 68 vítimas de incêndios criminosos durante um período de inquietação política na cidade.

Pesquisa de calazar

MSF fechou o projeto em Fulbaria, no distrito de Mymensingh, após concluir sua pesquisa sobre o tratamento aprimorado da leishmaniose dérmica pós-calazar, uma doença que representa uma ameaça à saúde pública, pois promove a disseminação do calazar primário. A pesquisa foi um sucesso e contribuiu para a aprovação de um novo regime de tratamento com base nos resultados.

Depoimento

Ambia Hkatun, paciente de 39 anos com leishmaniose dérmica pós-calazar (PKDL), vilarejo de Solimpur, subdistrito de Trishal de Mymensingh.

“Eu trabalho em casa e meu marido tem um emprego em um restaurante chinês de Dhaka. Houve muitos casos de calazar neste vilarejo. Na nossa família, dois dos três membros pegaram a doença. A calazar me pegou cinco anos atrás. Tinha febres frequentes, fiquei muito fraca e até perdi o apetite. Fui ao médico em Mymensingh, mas eles não diagnosticaram calazar. Finalmente, no subdistrito de Trishal, me trataram com comprimidos por um mês. Depois disso, me senti bem, mas depois de um ano e meio desenvolvi PKDL. Fui novamente a Trishal, mas os medicamentos não ajudaram. MSF fez testes comigo e me encaminhou para a clínica deles, em Fulbaria. Com o tratamento, minhas lesões quase desapareceram. É fundamental ser curado de PKDL. Eu sei que o vírus do calazar estava nas minhas lesões. Felizmente, me livrei dele.”

MSF trabalhou no país pela primeira vez em 1985.