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Somália: ajuda humanitária está sob ameaça

12/01/2012
MSF condena os ataques aos trabalhadores de ajuda humanitária e pede a libertação de suas duas profissionais sequestradas

Dois profissionais da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), Phillipe Havet e Andrias Karel Keiluhuo, foram assassinados a tiros na última semana de dezembro, enquanto participavam de projetos de assistência emergencial em  Mogadíscio. Há três meses, outras duas profissionais de MSF que também prestavam ajuda emergencial à população somali, Montserrat Serra e Blanca Thiebaut, foram sequestradas no acampamento de refugiados de Dadaab, no norte do Quênia. 

 
Os ataques a profissionais de ajuda humanitária precisam ser veementemente condenados. Eles põem em risco a existência de projetos médicos essenciais, que sequer são capazes de suprir todas as necessidades médicas da população somali.
 
MSF está enfrentando o difícil dilema de trabalhar em um contexto como a Somália, onde as necessidades são extremamente altas, mas os riscos para a segurança de nossas equipes também. Tendo plena consciência deste dilema, a organização pede a todos os envolvidos, especialmente às autoridades que controlam as áreas da Somália onde nossas duas colegas estão detidas, que façam todo o possível para facilitar a libertação de Montserrat Serra e Blanca Thiebaut.
 
MSF está presente na Somália desde 1991, oferecendo assistência à população somali, independente do lado do conflito que eles apoiam. Nos últimos seis meses, MSF tratou 225 mil pacientes na Somália, vacinou 110 mil crianças e cuidou de 30 mil crianças com desnutrição em 14 projetos. Além disso, MSF oferece assistência aos refugiados somalis em nove projetos no Quênia e na Etiópia, onde é um desafio cada vez maior é ponderar a relação entre o atendimento das grandes necessidades médicas da população e os riscos que as equipes de MSF têm que enfrentar. O resultado final dessa ponderação é que a população somali – extremamente vulnerável após 20 anos de guerra civil, de intervenções internacionais e de colapsos institucionais – acaba recebendo menos assistência que precisa.
 
“Para dar continuidade ao nosso trabalho médico-humanitário na Somália, e dar apoio à população, MSF precisa que todas as partes envolvidas no conflito, as lideranças e o povo somali apoiem o nosso trabalho e garantam a segurança dos trabalhadores humanitários no país”, disse o Dr. Unni Karunakara, presidente internacional de MSF. “Para nossos colegas Philippe e Kace, a falha nesse apoio foi trágica. Facilitar para a libertação segura e imediata de Blanca e Mone é responsabilidade das lideranças e do povo somali.” 
 
MSF trabalha na Somália continuamente desde 1991 e atualmente conduz 13 projetos no país, incluindo atividades médicas relacionadas à emergência atual, campanhas de vacinação, além de intervenções nutricionais. MSF também assiste refugiados Somalis nos campos de Dadaab, no Quênia, e Dolo Ado, Etiópia.

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