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MSF amplia ações para deslocados da erupção vulcânica na República Democrática do Congo

22/01/2002
Já atuando no país, MSF envia suprimentos e pessoal capacitado para assistir à população deslocada. Provisão de água e prevenção de doenças são as primeiras ações de emergência.

A organização humanitária internacional da área de saúde Médicos Sem Fronteiras (MSF) ampliou suas operações a oeste de Ruanda e a leste da República Democrática de Congo (RDC) para ajudar a população deslocada pela erupção do Monte Nyiragongo, em Goma, RDC.

A ajuda de emergência, que inclui materiais médicos, abrigo e material de saneamento, foi enviada de Kigali, capital de Ruanda, para a cidade de Gysenyi. Uma equipe internacional de MSF já trabalha em Gysenyi para ajudar as pessoas que fogem de Goma. Uma equipe adicional de MSF se juntou a eles no domingo.

MSF instalou tanques de água nos arredores de Gysenyi, na direção de Ruhengeri, disponibilizando água potável aos deslocados. No entanto, possivelmente devido a novos tremores, a estrutura está defeituosa no momento. Médicos Sem Fronteiras, junto com a Prefeitura de Kigali, enviou também caminhões com água a Ruhengeri, mas a capacidade ainda precisa ser reforçada. Os caminhões devem chegar ainda hoje. Já Gysenyi deve receber um reforço de água amanhã, quando chegarão mais três caminhões com água enviados pelas equipes de MSF em Kampala.

MSF trabalhará também em dois antigos campos de refugiados perto de Gysenyi ­ em Mudende e Nkamira – onde milhares de refugiados podem ser recebidos. MSF já está promovendo cuidado médico, saneamento e água potável no local.

As equipes de MSF em campo continuam a monitorar a situação local de saúde de modo a estar pronta para dar apoio extra no caso de aparecimento de doenças. Dois casos de sarampo já foram confirmados em Nyundo e a equipe de MSF está planejando uma campanha de vacinação para conter a expansão da doença.

Avaliações preliminares da organização indicam que entre 20 e 35% da cidade de Goma foi destruída ou atingida pelas lavas vulcânicas. Equipes de MSF avaliam que 80% dos deslocados já começam a voltar.

Estimativas ainda não confirmadas indicam que 400 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas por causa da erupção. No entanto, a maior parte de Goma ainda está preservada. A lava devastou principalmente o centro residencial e comercial da cidade, embora as áreas mais populosas tenham sido poupadas. Ainda há uma grande quantidade de fumaça sobre a área.

Com a contaminação do rio local pelas lavas vulcânicas, MSF instalou três tanques de água com capacidade de 15 mil litros em sua margem. Um quarto da água já foi consumido. Em Goma, ainda há uma estação de água intacta, mas ela não está funcionando. Amostras estão sendo recolhidas para avaliar sua potabilidade. A água, como a eletricidade, ainda está disponível em algumas partes da cidade, mas o grau de cobertura é incerto.

Dois hospitais ainda funcionam. Contudo, com o número de pessoas indo e vindo de Goma, aumenta o risco de um surto de cólera e sarampo na região. Essas doenças tornam-se mais prováveis com o afluxo de grandes contingentes de deslocados e, por isso, elas estão contempladas nos programas regulares de emergência de Médicos Sem Fronteiras. A organização está transportando suprimentos para o tratamento de cólera para o local, além de preparar uma campanha de vacinação contra o sarampo. A malária também é endêmica na região.

A erupção vulcânica aumenta os desesperadores problemas humanitários que os congoleses há anos vêm passando. A fome, o deslocamento, a falta de cuidados de saúde e epidemias fazem parte do cotidiano dessa região do país também atingida pela guerra.

MSF já trabalha em vários projetos de assistência no oeste da RDC, incluindo assistência básica de saúde, nutrição, programas de controle de surtos epidêmicos, como também a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e HIV/AIDS. MSF também está presente em Ruanda e dispõe de consideráveis estoques de emergência na região. Isto ajudou a organização a responder rapidamente a esta recente emergência.

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