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Libéria: reinício dos conflitos fecha novamente o único hospital público em Monróvia

25/06/2003
Libéria: reinício dos conflitos fecha novamente o único hospital público em Monróvia

Pela segunda vez em menos de duas semanas, funcionários e pacientes tiveram que abandonar o Hospital Redemption, em Monróvia, capital da Libéria. Junto com a ala cirúrgica JFK, gerenciada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Redemption era o único hospital público que oferecia assistência à saúde à população civil. Uma equipe de Médicos Sem Fronteiras evacuou todos os pacientes, quando os conflitos entre grupos rebeldes e forças governamentais se aproximaram da região norte da cidade.

A batalha entre os rebeldes do grupo LURD (Liberianos Unidos pela Reconciliação e Democracia) e o exército liberiano pelas ruas de Monróvia iniciou no dia 5 de junho. Grande número de pessoas desabrigadas há anos se deslocou para a cidade onde descobriu que abrigos, comida, água potável e assistência à saúde não estavam disponíveis. O número de desabrigados cresceu à medida que os moradores da região norte de Monróvia também começaram a fugir em busca de lugares mais seguros.

A assinatura do cessar-fogo e a retirada das tropas rebeldes da cidade tornaram possível a oferta mínima de assistência à população deslocada. Muitos retornaram aos acampamentos nos arredores de Monróvia. Desde ontem, eles estão novamente tentando sobreviver e mais uma vez a ajuda humanitária corre o risco de ser suspensa se a cidade entrar numa onda ainda maior de violência.

“Essas pessoas já passaram pelo inferno e agora estão diante dele novamente,” diz Christopher Stokes, diretor operacional de MSF. “Já ouvimos muitas estórias de pessoas que perderam seus familiares durante tentativas anteriores de buscar segurança. Pessoas que ficaram presas em pântanos ou que se afogaram enquanto atravessavam rios. Os liberianos que estão nos acampamentos ou nas ruas já suportaram tudo o que uma pessoa é capaz de suportar.”

O Hospital Redemption foi reaberto há 4 dias. MSF instalou uma segunda unidade de tratamento de cólera, isolada das outras alas para impedir que a doença se espalhe. No momento da evacuação, ontem, a equipe de MSF estava tratando 35 pacientes nas unidades de tratamento de cólera. MSF também abriu um Centro de Nutrição Terapêutica para dar assistência às crianças com sérios problemas de desnutrição.

Ontem, MSF evacuou todos os pacientes do Hospital Redemption. Alguns estão agora recebendo tratamento em duas áreas de MSF na região de Mamba Point em Monróvia, onde já funcionaram hospitais para atender de forma emergencial casos de internação ou mesmo para consultas.

“Hoje, temos que decidir se reduziremos nossas equipes,” conclui Christopher Stokes. “Estamos comprometidos com o povo liberiano, mas temos que reconhecer no momento que as necessidades deles são ainda maiores que eram, e nossa capacidade de oferecer ajuda humanitária está reduzida como conseqüência da violência e da insegurança”.

MSF faz um apelo às partes envolvidas no conflito que respeitem à população civil, permitindo o acesso irrestrito às estruturas de saúde e garantindo a segurança das organizações de ajuda humanitária de forma que as necessidades primordiais do povo liberiano sejam atendidas.

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