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Dia Mundial da Saúde: por que comemorar?

05/04/2002
Através da manifestação ‘Saúde para quem?’, Médicos Sem Fronteiras e moradores de rua protestam contra a falta de acesso à saúde para as populações excluídas.

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.”

Através deste artigo, a constituição brasileira garante a todos os cidadãos o acesso igualitário aos cuidados básicos de saúde. Trabalhando desde 1993 com assistência à saúde e social a populações carentes do Rio de Janeiro, a organização internacional Médicos Sem Fronteiras é testemunha de que esse discurso não se traduz em medidas práticas. “Mesmo com todos os nossos esforços para garantir atendimento de saúde aos moradores de rua, ainda nos deparamos com situações extremas”, conta Eriedna Barbosa, enfermeira do projeto. “Uma vez encontramos um morador de rua em estado grave de saúde, sem conseguir se mexer. Ele tinha tuberculose e HIV e precisava de internação imediata, mas só conseguimos que ele fosse internado duas semanas depois. Seu estado de saúde se agravou ainda mais e ele acabou morrendo.”, lamenta.

Sem alternativas públicas de qualidade e sem condições de pagar por saúde privada, milhões de pessoas ficam sem acesso à saúde. Quanto mais pobre maior é a carência. No final da fila dos excluídos está a população de rua, que sofre com a doença, mas também com o preconceito e o descaso no sistema público de saúde. Trabalhando com essa população há cerca de um ano, através do projeto Meio-fio, Médicos Sem Fronteiras tenta reverter essa situação, mas se depara com inúmeras barreiras impostas pelo sistema público de saúde. Moradores de rua são barrados nas portas das unidades de saúde por não possuírem referência domiciliar nem documentação, ou mesmo por preconceito.

É para chamar a atenção para esse grave problema que Médicos Sem Fronteiras e os moradores de rua promoverão a manifestação Saúde para quem?. Aproveitando a comemoração do Dia Mundial da Saúde (celebrado anualmente no dia 7 de abril), Médicos Sem Fronteiras pretende instigar um questionamento acerca da falta de acesso das populações excluídas a uma saúde que deveria ser para todos. O evento acontecerá na segunda-feira, 8 de abril na Cinelândia, e contará com o apoio da Rede Solidariedade, uma iniciativa de Médicos Sem Fronteiras que congrega mais de 50 instituições comprometidas com os problemas da população de rua do Rio de Janeiro. “Precisamos chamar a atenção para as realidades enfrentadas por essas pessoas, que têm seus direitos mais básicos negados diariamente e denunciar a situação de exclusão social em que vivem. Este é um compromisso e um dever de toda a sociedade”, conclui Lourdilena Santos, assessora psicossocial do projeto Meio-fio.


Dia: Segunda-feira, 8 de abril
Hora: 16 horas
Local: Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores