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Chade: milhares de refugiados sudaneses vivem desastre humanitário

16/09/2003
Um avião cargueiro com 42 toneladas de material médico e logístico chegará amanhã ao Chade, assim como uma equipe de onze profissionais de MSF. Infecções respiratórias, sarampo e coqueluche, além da fome e outras epidemias ameaçam a vida dos refugiados.

Bruxelas / N´Djamena ; 16 de setembro de 2003 – Hoje, a organização médica de ajuda humanitária, Médicos Sem Fronteiras (MSF) está enviando uma equipe de onze profissionais internacionais – a maioria médicos e logísticos – para o leste do Chade. Milhares de refugiados sudaneses fugiram do estado de Darfur, no oeste do Sudão, escapando dos conflitos entre o governo e os rebeldes, buscando refúgio no vizinho Chade. Um avião com equipamentos médico e logístico chegará ao leste do Chade amanhã.

“Milhares de refugiados sudaneses, a maioria mulheres e crianças, tiveram que fugir das suas casas e do seu país de mãos vazias, e estão chegando em péssimas condições ao Chade,” diz Sonia Peyrassol, coordenadora operacional de MSF para o Chade. “Muitos deles estão ficando nos vilarejos de Tine e Birak, no leste do Chade. A princípio, a população local cuidou deles, mas com o aumento do número de refugiados a capacidade da população local de suportar a situação já está no limite e aqueles que estão chegando agora estão abandonados. Por causa disso, não há tempo a perder, temos que enviar profissionais e suprimentos o mais rápido possível para atender as necessidades crescentes.”

O nordeste do Chade é seco, semelhante a um deserto, e quase impróprio para o cultivo agrícola. A disponibilidade de alimentos e água potável é bastante limitada. O clima é de altas temperaturas durante o dia e noites muito frias e a época de chuvas ainda não acabou. Devido a essas circunstâncias, os refugiados que buscam abrigo estão vulneráveis a infecções respiratórias. Outros riscos de saúde são doenças fatais tais como sarampo e coqueluche. Os índices de desnutrição, maiores que o normal, ainda não são alarmantes. No entanto, como não há praticamente nenhuma comida disponível, a situação deve piorar.

“No momento, nossa equipe ainda não identificou epidemias ou fome, mas as condições indicam que pode haver uma rápida deteriorização da situação. Não há infra-estrutura para receber os refugiados, os centros de saúde estão vazios e os hospitais de referência de Iriba e Guereda não têm água, medicamentos nem laboratório. Estruturar postos de saúde para os refugiados é, portanto, crucial. Por isso, estamos doando medicamentos e equipamentos médicos para as estruturas de saúde que atendem a população local,” continua Sonia Peyrassol.

Esta noite, onze profissionais internacionais de ajuda humanitária – médicos, enfermeiros, logísticos e administradores – partirão de Bruxelas para o leste do Chade. Eles irão trabalhar nos vilarejos de Tine e Birak, oferecendo assistência aos refugiados, instalando postos de saúde e realizando consultas médicas. Os maiores problemas de saúde no momento são infecções respiratórias e diarréia. O problema mais recente em Birak é o fato de a única água disponível no momento estar vindo de um riacho.

Amanhã, às 8 horas da noite – horário local – um avião cargueiro partirá de Ostend na Bélgica com 42 toneladas de material, tais como equipamentos sanitários, médicos, cirúrgicos, kits nutricionais, medicamentos, purificadores de água e outros equipamentos logísticos. “Os suprimentos chegarão a Abeche por ar e de lá serão transportados em caminhões para Tine e Birak. Nossas equipes devem estar iniciando as operações de emergência no início da próxima semana,” conclui Sonia Peyrassol. Mais adiante, MSF irá enviar uma equipe de psicólogos ao leste do Chade para tratar os casos de violência sexual tão comuns em guerras no Sudão.

O estado de Darfur no Sudão vive um intermitente conflito entre o governo e os rebeldes SLA-SLM. 75% da população refugiada no leste do Chade são mulheres e crianças. Muitas mulheres não sabem o paradeiro dos seus maridos já que eles permaneceram com o gado para evitar furtos.