Editorial

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Quando Lia, nossa jornalista e responsável por esta revista, reuniu-se comigo para apresentar a pauta desta edição, dizendo que faria algumas entrevistas com colegas brasileiros que passaram pelo Haiti pós-furacão Matthew para nos darem uma ideia da evolução do cenário, minha resposta foi: “Será que é uma boa ideia? Evolução? Não vai ser exatamente o contrário?” Obviamente, o resultado dessas histórias reflete uma realidade há anos recorrente no Haiti: o povo do país continua perdendo familiares para a cólera, que é provocada pelas más condições de água e saneamento, que parecem não melhorar. Em poucas palavras: quem é que pode falar em evolução? O Haiti concentra um número enorme de organizações não governamentais tentando ajudar, mas a pergunta persiste: por que tudo está na mesma? Ainda que sem resposta objetiva e imparcial à pergunta, questionamos a premissa: e tudo estando na mesma, é razão para baixar os braços? Nossa resposta é, e vai ser sempre, não.

 

A mesma sensação de recorrência tenho ao falar sobre os tantos milhares de humanos que continuam morrendo no Mediterrâneo tentando escapar ao bombardeamento de suas casas, suas escolas e seus hospitais. Entre aqueles que não engrossaram as estatísticas de vidas perdidas no mar, muitos vi enfrentar um terrível verão na Grécia, amontoados em tendas sem janelas, debaixo de um sol escaldante, somente para vê-los enfrentar novo sofrimento agora, em janeiro passado, sujeitos às temperaturas do rigoroso inverno europeu. Bem mais assustador do que a continuidade desse sofrimento é o aumento dos sentimentos de nacionalismo e xenofobia que temos observado não só na Europa, mas agora também aqui no continente americano. Nos países de baixa e média rendas, o índice de homicídios registra média de 28,5 mortes a cada 100 mil habitantes. E disso, meu caro leitor, as pessoas desejam escapar, tendo nos Estados Unidos uma possibilidade de destino onde vislumbram encontrar paz e trabalho.

 

Uma das coisas mais fascinantes que tenho vivido no Brasil tem sido conhecer tanta gente de origens diferentes que para cá vieram também à procura de uma vida digna, e que acabaram ajudando a construir este incrível país. Acredito que o melódico sotaque brasileiro, a culinária, a vivacidade e o otimismo da população não seriam o que são se não tivesse esta nação sido construída pela esperança de tanta gente diferente, a amálgama cultural raiz deste belíssimo caldeirão. Outro dia escutei a música do senegalês Youssou N´Dour embalada pelo rádio de um vendedor de óculos também senegalês na areia de Copacabana. Nos segundos seguintes, eram os vendedores brasileiros que traziam seu samba, seu funk. O mundo está atravessando um momento muito complexo, quando muitos milhares de pessoas necessitam ser acolhidas, sendo o Brasil um destino crescentemente procurado. Espero que você que nos acompanha se junte a nós sem medos, e em sua casa, no condomínio, na padaria ou no local de trabalho advogue pelo acolhimento e integração dessas pessoas. Torçamos para que o país se prepare para recebê-las, se beneficiando do acréscimo de seus novos condimentos à já rica culinária brasileira.

 

Susana de Deus

Diretora-geral de MSF-Brasil

MAR MEDITERRÂNEO © Kevin McElvaney

MÉXICO © Christina Simons/MSF

HAITI © Joffrey Monnier/MSF

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MAR MEDITERRÂNEO © Kevin McElvaney

MÉXICO © Christina Simons/MSF

HAITI © Joffrey Monnier/MSF

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MAR MEDITERRÂNEO © Kevin McElvaney

MÉXICO © Christina Simons/MSF

HAITI © Joffrey Monnier/MSF

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Quando Lia, nossa jornalista e responsável por esta revista, reuniu-se comigo para apresentar a pauta desta edição, dizendo que faria algumas entrevistas com colegas brasileiros que passaram pelo Haiti pós-furacão Matthew para nos darem uma ideia da evolução do cenário, minha resposta foi: “Será que é uma boa ideia? Evolução? Não vai ser exatamente o contrário?” Obviamente, o resultado dessas histórias reflete uma realidade há anos recorrente no Haiti: o povo do país continua perdendo familiares para a cólera, que é provocada pelas más condições de água e saneamento, que parecem não melhorar. Em poucas palavras: quem é que pode falar em evolução? O Haiti concentra um número enorme de organizações não governamentais tentando ajudar, mas a pergunta persiste: por que tudo está na mesma? Ainda que sem resposta objetiva e imparcial à pergunta, questionamos a premissa: e tudo estando na mesma, é razão para baixar os braços? Nossa resposta é, e vai ser sempre, não.

MAR MEDITERRÂNEO © Kevin McElvaney

A mesma sensação de recorrência tenho ao falar sobre os tantos milhares de humanos que continuam morrendo no Mediterrâneo tentando escapar ao bombardeamento de suas casas, suas escolas e seus hospitais. Entre aqueles que não engrossaram as estatísticas de vidas perdidas no mar, muitos vi enfrentar um terrível verão na Grécia, amontoados em tendas sem janelas, debaixo de um sol escaldante, somente para vê-los enfrentar novo sofrimento agora, em janeiro passado, sujeitos às temperaturas do rigoroso inverno europeu. Bem mais assustador do que a continuidade desse sofrimento é o aumento dos sentimentos de nacionalismo e xenofobia que temos observado não só na Europa, mas agora também aqui no continente americano. Nos países de baixa e média rendas, o índice de homicídios registra média de 28,5 mortes a cada 100 mil habitantes. E disso, meu caro leitor, as pessoas desejam escapar, tendo nos Estados Unidos uma possibilidade de destino onde vislumbram encontrar paz e trabalho.

MÉXICO © Christina Simons/MSF

Uma das coisas mais fascinantes que tenho vivido no Brasil tem sido conhecer tanta gente de origens diferentes que para cá vieram também à procura de uma vida digna, e que acabaram ajudando a construir este incrível país. Acredito que o melódico sotaque brasileiro, a culinária, a vivacidade e o otimismo da população não seriam o que são se não tivesse esta nação sido construída pela esperança de tanta gente diferente, a amálgama cultural raiz deste belíssimo caldeirão. Outro dia escutei a música do senegalês Youssou N´Dour embalada pelo rádio de um vendedor de óculos também senegalês na areia de Copacabana. Nos segundos seguintes, eram os vendedores brasileiros que traziam seu samba, seu funk. O mundo está atravessando um momento muito complexo, quando muitos milhares de pessoas necessitam ser acolhidas, sendo o Brasil um destino crescentemente procurado. Espero que você que nos acompanha se junte a nós sem medos, e em sua casa, no condomínio, na padaria ou no local de trabalho advogue pelo acolhimento e integração dessas pessoas. Torçamos para que o país se prepare para recebê-las, se beneficiando do acréscimo de seus novos condimentos à já rica culinária brasileira.

 

Susana de Deus

Diretora-geral de MSF-Brasil

HAITI © Joffrey Monnier/MSF

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MAR MEDITERRÂNEO © Kevin McElvaney

MÉXICO © Christina Simons/MSF

HAITI © Joffrey Monnier/MSF

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