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“Eu me sinto envergonhada”

Ela tinha 13 anos e veio ao Centro de Apoio à Família da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Tari, na Papua Nova Guiné, pela primeira vez com a sua mãe.



Advertência: essa história contém informações sobre abuso e/ou violência sexual que podem ser perturbadoras para pessoas que enfrentaram ou enfrentam experiências similares.

Sentada na sala de proteção para crianças, ela explicou que um rapaz de seu vilarejo a havia levado a força para dentro de sua casa, tirado suas calças, e tentado estuprá-la. Mas ela também revelou que no ano anterior, o mesmo homem, de 18 anos, já a havia estuprado duas vezes.

Na primeira vez, ela foi estuprada na mata. Na segunda vez, estava voltando da escola e o menino a levou para a mata, ameaçando cortar seu pescoço. A mãe e a criança foram ao tribunal do vilarejo e à polícia, sem resultado. O rapaz ainda está no vilarejo e nega que o incidente tenha ocorrido.

Entretanto, a mãe explicou: “Eu trouxe a minha filha até aqui para ser examinada. Não estamos com medo de voltar para casa porque os líderes comunitários resolverão isso.”

Mas a menina de 13 anos continuava claramente perturbada: “Eu contei tudo e agora estou com medo de ir para casa. Nós temos de usar a mesma estrada. Porque eu contei tudo, me sinto envergonhada, já que todos os meus amigos estão rindo de mim.”

Apesar de registrar uma das taxas mais altas de violência contra mulheres e meninas no mundo em áreas livres de conflito, existem apenas seis casas de proteção na Papua Nova Guiné, e nenhuma em Tari, na província de Hela, onde MSF apoia o hospital de Tari e mantém o Centro de Apoio à Família.