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Caminhos para a prevenção da Aids no Brasil e no mundo

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids ou Sida, em Português) é uma das doenças que mais matam pessoas no mundo, assim como a malária, a hepatite e a tuberculose.


Por Bernadeth Vasconcelos e Larissa Carvalho
Alunas do Curso de Jornalismo da Unifor


De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,6 milhão de indivíduos morrem e 2,6 milhões são infectados por ano, sobretudo em países pobres. O primeiro caso da doença registrado no mundo foi no ano de 1980, mas somente em 1986 um remédio, popularmente conhecido como Azidotimidina (AZT), foi desenvolvido. Não há cura para a Aids, apesar de recentemente ter sido anunciada a cura de um portador do HIV, no Reino Unido. Médicos e pesquisadores estudam a situação com cautela, mas o tratamento, por enquanto, é feito a partir de uma medicação já testada e distribuída de forma gratuita em vários países.

Os países mais atingidos pela doença hoje são os da África sub-saariana, como Uganda, Malaui, Moçambique, Zâmbia, Namíbia, Zimbábue e África do Sul. Na África do Sul, a Aids é um problema de destaque, pois a enfermidade acomete 5,6 milhões de pessoas nativas e imigrantes que vivem no país.

Diante desse cenário, muitas organizações humanitárias vêm desenvolvendo ações para minimizar o sofrimento das pessoas ao redor do mundo. Uma das preocupações de Médicos Sem Fronteiras, por exemplo, é o acesso à saúde por todos, de forma imparcial, ou seja, independentemente de classe social, religião, etnia, preferência política ou de país. Esse acesso deveria ser visto como prioridade, também, por todas as instituições e organizações do mundo, governamentais e não governamentais, principalmente aquelas que são movidas por interesses corporativos.

Formas de transmissão
A doença é adquirida a partir de fluidos corporais, que carregam o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) que ataca o sistema imunológico. O vírus é transmitido, principalmente, por meio de relações sexuais (oral, vaginal e anal) sem o uso de preservativo. Outras formas de transmissão incluem transfusões de sangue (com o uso de seringa ou agulha contaminada) e transmissão vertical (de mãe para filho) durante a gravidez, o parto ou a amamentação. Ao atacar o sistema imunológico, o vírus se multiplica e rompe os linfócitos, destruindo, assim, todas as células de defesa do organismo. Com isso, é gerado um aumento do risco de infecção, deixando a pessoa mais vulnerável a diversas doenças, como tumores e tuberculose.

Brasil
No Brasil, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DAHV) é o responsável pelo tratamento e prevenção da doença. O DAHV disponibiliza todos os medicamentos de forma gratuita para a população e mantém uma rede de atenção, pois o uso irregular dos antirretrovirais também pode prejudicar a supressão do vírus no sangue. O tratamento facilitado pelo DAHV impede a progressão da doença.

No Ceará, em 2016, foram registrados 509 casos de Aids. Em Fortaleza, foram 171 registros de pacientes diagnosticados, segundo a Secretaria de Saúde do Estado. Para alguns médicos, a falta de prevenção é o principal motivo para a incidência da doença na capital cearense.

No Estado, funcionam hoje 24 serviços de Assistência Especializada em HIV/Aids, com o objetivo de prestar atendimento integral e de qualidade aos pacientes, por meio de uma equipe de profissionais de saúde. Além disso, também é possível fazer testes de HIV e sífilis, bem como outros exames necessários para avaliar o quadro das pessoas e analisar qual é o tipo de medicamento adequado para cada um.

Para combater a doença, os medicamentos mais utilizados são chamados de antirretrovirais, e têm a função de impedir que o vírus se espalhe pelo corpo. Os médicos utilizam pelo menos três medicamentos combinados entre si, e mesmo com eventuais efeitos colaterais, como diabetes, problemas nos ossos, rins, dores e vômitos, o paciente aumenta a qualidade de vida.

Já é possível prevenir o HIV antes de sua aquisição, por meio da chamada Profilaxia Pré-exposição (PrEP). A PrEP uma estratégia de prevenção que envolve a utilização de um medicamento antirretroviral (ARV), por pessoas não infectadas, para reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. No Brasil, um estudo atualmente em andamento, com a participação de centros de pesquisa de referência, verifica a eficácia desse tipo de profilaxia em voluntários.

Fato é que vidas inteiras são assombradas com o fantasma da AIDS em todo o mundo, quer seja pela política de exclusão do portador da doença pela sociedade ou pelo conflito interno gerado dentro de um paciente, que não partilha das informações devidas.  Para amenizar isso, o apoio da sociedade, junto ao governo e a organizações, como Médicos Sem Fronteiras, facilitam a adesão ao tratamento para quem tem essa doença.

Desse modo, as medidas de prevenção e tratamento devem estar ligadas aos valores de respeito, solidariedade e compromisso humano, sobretudo, quando lidamos com causas que afetam diretamente milhares de vidas.

Aviso importante: o conteúdo e as opiniões expressas neste artigo são de inteira responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente o posicionamento oficial de Médicos Sem Fronteiras.