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MSF nasceu da frustração de jovens médicos
que vivenciaram os limites da ajuda humanitária durante o
conflito de Biafra, no final da década de 60. Entre esses
limites, estava o silêncio imposto pelas organizações
de ajuda humanitária, que se calavam diante de abusos e violações
testemunhados em campo.
Em oposição a esta atitude, MSF vê o testemunho
ou sensibilização como uma extensão
das suas atividades operacionais. Se, por um lado, reagimos ao sofrimento
físico oferecendo assistência à saúde
a populações em perigo, por outro, respondemos às
situações injustas presenciadas no campo falando publicamente
sobre suas motivações em conseqüências.
Acreditamos que essa é mais uma forma de tentar melhorar
as condições de vida e proteger os direitos fundamentais
das populações que atendemos.
A proximidade com os beneficiários de nossos projetos, que
constitui um dos princípios do trabalho de MSF, é
condição essencial para a realização
de um testemunho legítimo. É essa proximidade que
nos faz compreender as pressões e dificuldades que as populações
atendidas sofrem. Além disso, pela natureza do nosso trabalho,
presenciamos as conseqüências de opressões, conflitos,
negligências, ou outras violações na saúde
dos indivíduos, uma vez que, naturalmente, o estado de saúde
de uma população é um importante indicador
das condições às quais ela é submetida.
MSF vem, cada vez mais, trabalhando em contextos de violência
extrema onde a população civil é alvo de ataques
e manipulações. Durante a 1ª Guerra Mundial,
90% das vítimas eram militares. Em 1945, na 2º Guerra,
esse número caiu para 50%. Atualmente, nos diversos conflitos
que existem no mundo, apenas 10% das vítimas são militares.
Esse contexto nos impeliu a reforçar nossas ações
de testemunho e sensibilização, adaptando métodos
de pesquisa epidemiológica de forma a obter informação
quantitativa sobre violações de direitos humanos de
populações em situação de violência.
O primeiro inquérito com esse perfil aconteceu na prisão
superlotada de Gitarama, Ruanda, em 1995, através do qual
MSF conseguiu chamar atenção internacional para o
drama da população que vivia na prisão. Após
este evento, MSF utilizou estes recursos em diversas outras situações,
como, por exemplo, em 1997, para chamar a atenção
para o massacre sistemático de refugiados ruandeses nas florestas
do Congo; em 1999, em Serra Leoa, para provar que os civis estavam
sendo alvos de ataques deliberados. Em 1999, através de outro
inquérito, MSF também provou que 70% dos kosovares
que se refugiaram na Albânia e em Montenegro haviam fugido
de pressões e ameaças das forças Sérvias.
Em todos os casos, o objetivo primordial de MSF é contribuir,
com nossa indignação e testemunho, para a melhoria
das condições de vida das populações
vítimas de agressões e violações diárias
nas mais diversas partes do mundo.
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