Como MSF surgiu?
Médicos Sem Fronteiras foi criada na França, em 1971, por um grupo de jovens médicos e jornalistas. A organização surgiu com o objetivo de levar cuidados de saúde para quem mais precisa, independentemente de interesses políticos, etnia, credo ou nacionalidade. Em 1972, MSF fez sua primeira intervenção, na Nicarágua, após um terremoto que devastou o país.
Hoje, mais de 28 mil profissionais trabalham com MSF em mais de 60 países. Em reconhecimento ao seu trabalho humanitário, a organização recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1999.
Quem financia MSF?
Os recursos de MSF são originários de duas fontes: os fundos privados e os fundos institucionais.
Internacionalmente, os fundos privados representam mais de 85% dos recursos disponíveis, com o restante originário dos fundos institucionais.
Quem são os fundadores de MSF?
Médicos Sem Fronteiras foi fundada por 12 pessoas: Dr. Jacques Beres; Philippe Bernier; Raymond Borel; Dr. Jean Cabrol; Dr. Marcel Delcourt; Dr. Xavier Emmanuelli; Dr. Pascal Greletty-Bosviel; Gérard Illiouz; Dr. Bernard Kouchner; Dr. Gérard Pigeon; Vladan Radoman; Dr. Max Recamier; e Dr. Jean-Michel Wild.
MSF trabalha em quantos países?
MSF organiza intervenções médicas em mais de 60 países. Todo ano, são enviados 3 mil médicos, enfermeiros, especialistas em logística e engenharia sanitária, administradores e outros profissionais para estes projetos, onde trabalham com aproximadamente 25 mil pessoas contratadas localmente.
A organização inicia e encerra missões todo ano, respondendo a graves crises, repassando a administração de projetos ao poder local, e monitorando e mantendo-se flexível para qualquer mudança necessária em todas as missões. Vários projetos podem acontecer simultaneamente em um país, dependendo das necessidades.
Onde MSF trabalha?
MSF trabalha em mais de 60 países no momento, sendo que 65% dos projetos estão no continente africano. Trabalhamos também na Ásia, América Latina, alguns países da Europa e do Oriente Médio.
Como são escolhidos os países onde MSF trabalha?
Para iniciar uma missão, profissionais experientes da organização realizam uma avaliação in loco onde buscam analisar: as condições de saúde da população; as instituições/organizações presentes; o papel de MSF, com suas especificidades, neste local. É feito um planejamento e então o projeto inicia-se. Procedemos de maneira semelhante para definir o fechamento de projetos.
A abertura de projetos sempre respeita critérios previamente estabelecidos e que normalmente tem relação com a quantidade de população afetada por uma doença ou um fenômeno (como no caso da violência urbana), com o tipo de intervenção que somos capazes da fazer (por exemplo, não montamos hospitais, a não ser em situação de conflito, pós-conflito e catástrofe, o que não é o caso do Brasil) e com a resposta já oferecida pelas autoridades locais.
A decisão sobre os locais onde teremos projetos é, então, sempre baseada nas necessidades de saúde da população, e não em opiniões políticas, ideológicas ou religiosas quaisquer.
Quem são as pessoas que vocês atendem?
Atendemos populações vítimas de conflitos, catástrofes naturais, epidemias e/ou situações precárias de saúde, sem discriminação de raça, credo, ideologias políticas, nacionalidades, gênero ou idade.
Quais são os projetos de saúde, em linhas gerais, que vocês desenvolvem?
Trabalhamos prioritariamente com situações de emergência e urgência, mas desenvolvemos também serviços nas áreas da saúde básica, saúde da mulher e da criança, saúde dos refugiados, doenças negligenciadas, saúde mental e cirurgias.
Isso pode significar, em termos práticos: um hospital geral; um centro de nutrição infantil; uma clínica para vítimas de violência sexual; uma clínica voltada para um doença específica (HIV/Aids, doença do sono, cólera, etc); atendimento móvel; campanhas de vacinação, entre outros projetos.
MSF oferece treinamento médico ou outro tipo de capacitação?
Nós oferecemos treinamentos apenas para os profissionais que trabalham conosco: MSF não é uma organização de formação profissional dirigida ao público em geral.
As equipes de MSF andam armadas?
MSF é uma organização humanitária cujo propósito é levar cuidados de saúde a quem não tem acesso. Desse modo, nosso intuito principal não é impedir guerras e muito menos apoiá-las. Apesar de termos recebido o Prêmio Nobel da Paz em 1999, nossa atuação não se propõe a promover necessariamente a paz, mas sim cuidar das pessoas que são vítimas, por exemplo, de conflitos.
Por ser independente, neutro e imparcial, MSF não tem interesse em defender grupos políticos ou ideológicos específicos quando decide atuar num país. É essa independência que nos dá, entre outras coisas, segurança para atuar em situações ditas de risco. Na grande maioria de nossos projetos não temos necessidade de ter seguranças armados em nossos equipamentos de saúde, casas e escritórios e na verdade buscamos mesmo nos diferenciar de outras intervenções militares humanitárias presentes em muitos dos contextos onde atuamos.
No entanto, podemos chegar a ter seguranças armados se o contexto onde estamos impossibilita um reconhecimento geral por parte da população de nossa neutralidade. O único local hoje onde fazemos uso desse tipo de mecanismo de segurança é a Somália.
Qual foi a primeira missão de MSF no Brasil? Onde, no Brasil, MSF já realizou projetos?
Uma epidemia de cólera na Amazônia trouxe Médicos Sem Fronteiras para o Brasil em 1991. MSF continuou trabalhando na região até 2001, atuando na saúde preventiva de tribos indígenas.
Desde 2001, MSF realizou diversos projetos no Brasil. A organização levou assistência médica e psicossocial a comunidades carentes e afetadas pela violência no Rio de Janeiro, tais como Vigário Geral (1995-1998), Costa Barros (1998-2001), Marcílio Dias (2003-2005) e Complexo do Alemão (2007-2009). MSF também levou cuidados médicos para pessoas em situação de rua no Rio de Janeiro por meio do projeto Meio-Fio (200-2001), ao mesmo tempo em que promoveu campanhas de comunicação para sensibilizar os profissionais de saúde pública e a sociedade sobre as necessidades dessa população.
MSF também atuou pontualmente em desastres naturais no Brasil. Equipes de MSF atuaram nas enchentes que afetaram o Vale do Jequitinhonha (2002) e Alagoas (2010). Em 2011, psicólogos de MSF com experiência em catástrofes naturais treinaram profissionais de saúde mental que atuaram na região serrana do Rio de Janeiro.
Veja a lista completa dos projetos que MSF já realizou no Brasil
Além de intervenções médicas, que outros trabalhos MSF promove no país?
MSF já realizou no país seis capacitações: quatro em segurança (com orientações para médicos, enfermeiras e agentes comunitários sobre como agir diante das situações de violência nas áreas onde trabalham) e duas sobre população de rua (com o objetivo de compartilhar a experiência de MSF obtida durante os quatro anos em que realizou o projeto Meio-Fio, que oferecia assistência médica, social e psicológica aos moradores em situação de rua da cidade do Rio de Janeiro).
No Brasil, MSF também apoia o acesso a medicamentos para doenças negligenciadas, como chagas e malária. A Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês) é o nome da organização, co-fundada e financiada por MSF, que faz trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para essas doenças.
Gostaria de saber o motivo de concentrarem seus projetos brasileiros no RJ. Por que não ampliar?
O escritório do Rio de Janeiro é a sede brasileira dos projetos de MSF desde 1993, quando a organização começou a trabalhar com comunidades carentes na região. Como a maioria das atividades hoje realizadas por MSF no Brasil (como o recrutamento de profissionais, a captação de recursos e a divulgação de crises humanitárias) pode ser feita a partir de um único escritório, e de forma a manter os custos administrativos reduzidos, MSF mantém apenas o do Rio de Janeiro.
Mas não há predileção por um local. Outros projetos de MSF foram realizados em outras localidades.