Quais são os profissionais que vocês NÃO selecionam para trabalharem como expatriados até o momento
São eles: fisioterapeutas, odontólogos (estes dois primeiros podem ser aceitos eventualmente), assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, professores, tradutores, técnicos e auxiliares de enfermagem, entre outros.
Sou estudante e gostaria de fazer um estágio com MSF em um dos projetos da organização.
Nós infelizmente não podemos oferecer estágios em nossos projetos. A formação e a experiência profissional são critérios de seleção essenciais para nós porque garantem um nível suficiente de conhecimentos teóricos e práticos para realizar o trabalho que nos propomos a fazer.
Quais são os critérios gerais de seleção?
São:
- motivação
- formação e experiência profissional na área de atuação
- disponibilidade (de 12 meses, que pode ser dividido em missões menores dependendo do perfil profissional)
- comprometimento
- afinidade com os valores e com a proposta de MSF de ajuda humanitária
- ótimos conhecimentos em inglês e/ou francês, de preferência em ambas as línguas;
- flexibilidade, adaptabilidade e facilidade para trabalhar em equipe
- capacidade de trabalhar e viver em condições por vezes básicas
- capacidade de lidar com grande carga de trabalho e com estresse
- estar em boas condições de saúde física e mental.
Por que vocês têm esses critérios de seleção/não aceitam algumas categorias profissionais?
Tanto os critérios de seleção quanto as categorias profissionais que citamos são as que procuramos para trabalhar no exterior, ou seja, como profissionais expatriados, que saem do Brasil e vão trabalhar em outros países nas missões de MSF.
Os profissionais que procuramos são os que têm capacidade para gerenciar e trabalhar nos projetos de saúde que criamos, dentro dos contextos onde MSF trabalha. Por exemplo: nós nos propomos a trabalhar em situações de conflito onde muitos de nossos atendimentos serão de pessoas feridas por armas brancas ou de fogo: para isso, precisamos e cirurgiões e anestesiologistas. Além disso, os países onde trabalhamos em geral sofrem de problemas de saúde relacionados à doenças tropicais, violência, fome, epidemias, falta total de acesso a cuidados básicos de saúde.
Um outro exemplo: a maioria dos projetos de MSF está no continente africano, que foi colonizado por diferentes países europeus ao longo dos séculos. Isto que dizer que a língua administrativa que é falada nestes países é, em geral, inglesa ou francesa, com algumas exceções para o português e o espanhol (América Latina). Em todos os casos, os profissionais brasileiros expatriados irão fazer parte de uma equipe internacional de trabalho, o que requer no mínimo ótimos conhecimentos em inglês e/ou em francês.
Por fim, vale lembrar que trabalhar com MSF é um grande desafio profissional e pessoal, o que significa que procuramos profissionais que sejam bem formados e também que tenham experiência nas áreas que precisamos.
Estas categorias podem mudar um pouco no futuro, na medida em que formos abrindo novos projetos em áreas onde ainda não atuamos, assim como a necessidade de profissionais muda de acordo com o volume de projetos em uma ou outra área ao longo do tempo.
Por que não posso trabalhar no exterior se só falo português?
MSF trabalha prioritariamente na África (mais de 60% dos projetos), Ásia e América Latina. Se considerarmos a história da colonização desses países, veremos que foram Inglaterra, França, Bélgica e, em menor medida, Espanha e Portugal que os dominaram por diversos anos. Desse modo, as línguas oficiais e administrativas presentes hoje são essas: inglês, francês, espanhol e português. Os países têm também uma série de línguas locais, que não exigimos que nossos profissionais dominem, mas para podermos nos comunicar com a população local precisamos de intérpretes. Vale lembrar que, para nós, é também importante encontrar profissionais que dominem um pouco de árabe, apesar deste não ser um critério excludente no processo de seleção.
Além disso, MSF é formado por cinco escritórios operacionais, ou seja, escritórios que coordenam nossos projetos, que ficam na Europa: Suíça, França, Bélgica, Espanha e Holanda. Isso significa que todos os documentos, reuniões, produções científicas, treinamentos que fazemos a respeito de nossos projetos são em inglês ou em francês, e não em português.
Também buscamos ser uma organização internacional, composta por pessoas de diversas nacionalidades, o que significa dizer que em um projeto ou escritório de MSF encontram-se belgas, brasileiros, alemães, americanos, filipinos, dinamarqueses, etc. Desse modo, faz-se necessário ter idiomas comuns.
Por fim, nós buscamos profissionais que possam ser “polivalentes”, ou seja, que possam ser enviados para qualquer uma de nossas missões, e não apenas para um ou dois países (no caso dos que só falam português).
Há um limite de idade para se candidatar?
MSF não tem nenhum limite de idade estabelecido, mas buscamos pessoas que estejam em boas condições de saúde física e psíquica, além de estarem ainda ativas no mercado de trabalho em suas áreas profissionais. Como as condições de vida e trabalho em nossos projetos podem ser muito básicas, além de contarem com uma certa dose de estresse, necessitamos que todos os profissionais selecionados realizem uma consulta médica e nos forneçam atestados médicos assegurando boas condições para o tipo de trabalho que realizamos.
Gostaria de contribuir com trabalho voluntário. Como fazer?
Nós ocasionalmente temos vagas para voluntários que desejam apoiar as atividades do nosso escritório no Brasil. Por favor, envie um e-mail para recrutamento@rio.msf.org ou uma carta para nós com seu currículo, sua disponibilidade e uma carta explicando como acha que poderia ajudar. Nós entraremos em contato quando houver vagas disponíveis.
Gostaria de trabalhar no Brasil. Como proceder?
Por favor, consulte regularmente o nosso site, onde anunciamos as vagas abertas para trabalhar no Brasil.
O que tenho que fazer para me candidatar?
Quem estiver interessado em trabalhar com MSF deve acessar nosso site e verificar as informações sobre a organização e sobre como é trabalhar conosco. Em seguida, deve verificar os critérios de seleção e, caso os cumpra, deve seguir as instruções do site para enviar sua candidatura.
É importante lembrar que para o cadastramento o currículo deve estar em inglês ou francês, pois será analisado também pelo departamento correspondente em nossos escritórios operacionais (fora do Brasil).
Em seguida, o profissional será convidado a preencher um formulário específico da organização, será contatado pelo telefone para maiores informações e, se tudo estiver de acordo, será convidado a participar de uma Reunião Informativa e de um Dia de Recrutamento, a etapa final do processo seletivo, onde faremos uma entrevista e exercícios individuais e em grupo sobre o trabalho de MSF. A decisão sobre a seleção (ou não) dos candidatos vem em seguida.
Todo este processo de seleção acontece no Brasil: o profissional só é encaminhado para nossos escritórios centrais na Europa depois de selecionado.
Quanto tempo dura uma missão?
A duração de uma missão vai variar de acordo com o perfil profissional: para cirurgiões, anestesiologistas e alguns especialistas pode durar de 1 a 3 meses; para os outros profissionais, dura em geral 12 meses, podendo haver missões também de 3, 6 e 9 meses.
Para todos os profissionais, MSF exige um comprometimento de pelo menos 12 meses de trabalho em projetos da organização, mesmo que não sejam todos de uma vez – buscamos pessoas que queiram fazer carreira na organização.
Qual é a remuneração?
O salário pode variar de 700 a 1.040 euros para quem vai trabalhar com MSF pela primeira vez. A remuneração aumenta ao longo do tempo de experiência com a organização, assim como por conta de experiências e formações profissionais prévias.
É importante lembrar que o salário não deve ser a motivação principal para pessoas quererem trabalhar na organização.
Além disso, junto com o salário as pessoas recebem:
- ajuda de custo diária no país da missão (que varia de acordo com o custo de vida daquele país)
- seguros (de vida, de saúde, de repatriação, em caso de incapacitação e para roubo de bagagem)
- despesas com o trabalho pagas por MSF: transporte (inclusive aéreo), equipamentos para trabalho, moradia.
Por fim, vale ressaltar que os contratos que assinamos no momento são realizados em nossos escritórios no exterior e que são de duração determinada, ou seja, só valem no tempo de vigência da missão.
Posso voltar para o Brasil no meio da missão?
Os profissionais, quando estão em missão, têm direito a uma semana de férias a cada três meses, ou a um total de 30 dias de férias num período de 12 meses, dependendo do escritório operacional que fez o contrato.
Ë possível, se aprovado pela administração da missão, que uma pessoa opte por tirar 2 semanas de férias em seguida após 6 meses de trabalho e então, se quiser, voltar ao Brasil no período.
Vale lembrar que MSF não paga nenhuma despesa de férias de nenhum profissional, nem as passagens aéreas se houverem, mas que todos continuam recebendo a ajuda de custo diária nos dias em que estão de férias e que os dias de férias a que têm direito são pagos junto com o salário mensal.
Posso escolher para onde vou?
Não. Para MSF, é importante que os profissionais sejam motivados pelos valores e pelo tipo de trabalho que a organização faz em qualquer um dos países em que trabalhamos e que sejam flexíveis o bastante para aceitar missões em qualquer um deles. Por outro lado, uma pessoa pode sim recusar um projeto ou país que não a interesse por alguma razão clara, e nós vamos também procurar missões que correspondam ao perfil de cada um.
Quando o profissional já tem algum tempo de experiência de trabalho com a organização, aí sim é oferecida a possibilidade de escolher trabalhar nos projetos que lhe sejam mais interessantes.
Como vocês selecionam os países de destino dos expatriados?
De acordo com as qualificações profissionais e pessoais (por exemplo, conhecimento em línguas estrangeiras) e com o tempo de disponibilidade da pessoa. Por vezes, devemos também usar outros critérios: em alguns paises, não é possível enviar uma mulher para um posto de coordenação, enquanto que em outros não é possível para um homem trabalhar como ginecologista. Alguns países também não permitem a entrada de um profissional de uma determinada nacionalidade, porém este não é o caso, até o momento, da nacionalidade brasileira.
MSF oferece treinamento médico ou outro tipo de capacitação?
Nós oferecemos treinamentos apenas para os profissionais que trabalham conosco: MSF não é uma organização de formação profissional dirigida ao público em geral.
Como vocês fazem para garantir a segurança dos profissionais em locais em conflito?
MSF trabalha sempre com regras estritas de segurança que devem ser respeitadas por todos que trabalham conosco, além de sempre divulgar, em todos os contextos onde estamos, que nosso trabalho é neutro, imparcial e independente, e que não estamos em um país ou região para favorecer politicamente um determinado grupo social, ou para transmitir valores sociais ou religiosos.
Alguns exemplos de regras de segurança: toque de recolher, obrigação de sempre andar com um rádio comunicador ligado e de avisar de seus movimentos, impossibilidade de circular em algumas zonas do país ou cidade previamente estabelecidas, sempre andar acompanhado de um staff local, sempre andar com uma identificação da organização (carros, casas e hospitais com bandeiras com nosso logotipo, camisetas, etc); ter um plano de evacuação onde seja necessário.
Algum profissional já morreu durante um projeto?
MSF trabalha em zonas em conflito e em contextos de pós-conflito exatamente por que essas populações são as grandes vítimas da falta de acesso aos cuidados básicos de saúde. Dessa maneira, quando um profissional decide trabalhar conosco, mesmo que vá trabalhar em uma área considerada "pacífica", nunca terá um risco zero de sofrer algum ataque violento.
Para lidar com isso da melhor forma, MSF trabalha sempre com regras estritas de segurança que devem ser respeitadas por todos que trabalham conosco, além de sempre divulgar, em todos os contextos onde estamos, que nosso trabalho é neutro, imparcial e independente, e que não estamos em um país ou região para favorecer politicamente um determinado grupo social, ou para transmitir valores sociais ou religiosos.
Mesmo assim, já houve casos de ataques contra nossas equipes, o mais grave nos últimos anos contra um veículo da organização no Afeganistão em 2004, onde morreram cinco pessoas.
É interessante lembrar, no entanto, que as maiores ameaças à saúde de nossos profissionais são os acidentes de trânsito e a malária, e que todos os que trabalham conosco contam com seguros de saúde, de vida, incapacitação profissional, roubo de bagagem e repatriação.
O que acontece depois da primeira missão?
Quando o profissional volta de uma missão, deve em primeiro lugar tomar um tempo para descansar e repousar de seu trabalho. Se for o caso, alguns profissionais deverão aprimorar alguns conhecimentos técnicos (por exemplo, em uma língua estrangeira que não dominem, ou em algum aspecto do trabalho), seja praticando por conta própria, seja fazendo um curso de MSF.
Em seguida, iremos propor uma nova missão para essa pessoa, de acordo com suas características e com o tempo que tem de disponibilidade. De acordo com isso também, o profissional poderá ter outros tipos de posto de trabalho, como por exemplo, os postos de coordenação.
Quem paga os custos com o recrutamento, se houver?
Os custos com o recrutamento (passagem; acomodação, alimentação) são pagos pelo candidato.
Quem paga os custos com a missão?
Os custos com a missão (transporte, moradia, vacinas, vistos) são pagos por MSF.
Quem seleciona os candidatos?
Os candidatos são selecionados de acordo com o perfil profissional pelo escritório de MSF no Rio de Janeiro. O currículo deve ser aprovado também pelo departamento correspondente em nossos escritórios centrais na Europa.
Como é o processo de seleção?
O processo de seleção consiste da avaliação do currículo, da carta motivacional e do formulário de candidatura (e outros específicos, se houver) e da participação de uma Reunião Informativa e do Dia de Recrutamento, composto por uma entrevista individual, exercícios individuais e em grupo sobre o trabalho de MSF.
Quanto tempo tenho que esperar no Brasil antes da primeira missão?
Esse tempo é bastante variável, indo desde uma semana até alguns meses. Isto depende da disponibilidade da pessoa e da situação das missões no momento do recrutamento.
Eu tenho que levar equipamento médicos/ técnicos para a missão?
Não, tudo é fornecido por MSF.
Quem são os integrantes de uma equipe numa missão standard de MSF?
As equipes têm sempre três estruturas: a parte médica, a administrativa/financeira e a logística. Além disso, há sempre uma equipe de coordenação, onde estão os responsáveis pela missão, e em cada projeto há profissionais específicos relacionados ao objetivo do projeto: num projeto que trata pessoas que vivem com HIV/Aids, por exemplo, haverá um médico infectologista, um enfermeiro, etc; num projeto cirúrgico haverá o cirurgião, o anestesiologista, etc.
E se eu desistir no meio da missão, posso voltar para casa?
Sim. Claro que esse não é o objetivo, mas sempre é possível que alguém retorne antes do final da missão para casa. Pode acontecer também que MSF decida terminar antes o contrato de trabalho com algum profissional por avaliar que determinada pessoa não corresponde às expectativas para o trabalho. Também é possível que MSF decida evacuar uma equipe de uma determinada região ou país por razões de segurança e, então, os profissionais precisarão voltar ao país de origem antes do previsto.
Tenho esposa/marido e filhos. Eles podem me acompanhar numa missão?
Num primeiro momento não. Isso pode acontecer apenas para os profissionais que tem mais experiência com MSF, e em contextos que tenham uma infraestrutura mínima para receber especialmente crianças.
O que eu tenho que fazer, depois de selecionado, para me preparar para a missão?
Preparar documentos administrativos, fazer uma consulta médica, tomar vacinas, ler sobre o projeto e sobre MSF, organizar sua vida pessoal e profissional para poder sair do Brasil.
Onde é assinado o contrato de trabalho? Por quê?
Em Bruxelas ou em outro de nossos escritórios centrais, porque o escritório do Brasil ainda não está preparado para realizar contratos, devido a questões administrativas.
Quantos brasileiros estão em missão hoje?
Hoje há 31 brasileiros em missões.