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Doença do sono

A Tripanossomíase Humana Africana (HAT, na sigla em inglês), ou doença do sono, é uma infecção parasitária encontrada na África subsaariana e transmitida pela mosca tsé-tsé.

A Tripanossomíase Humana Africana, ou doença do sono, é uma infecção parasitária transmitida pela mosca tsé-tsé. Médicos Sem Fronteiras é responsável pelo suprimento e distribuição eficientes dos medicamentos utilizados para combater a doença no mundo.

Geralmente conhecida como doença do sono, a Tripanossomíase Humana Africana é uma infecção parasitária transmitida por moscas tsé-tsé. Essas moscas podem ser encontradas em 36 países da África subsaariana, colocando em risco cerca de 60 milhões de pessoas. A infecção ataca o sistema nervoso central, causando distúrbios neurológicos graves. Sem tratamento, a doença é fatal.
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 95% dos casos reportados são causados pelo parasita Trypanosoma brucei gambiense, encontrado nas regiões Oeste e Central da África. O restante dos casos é causado pelo Trypanosoma brucei rhodesiense, encontrado nas regiões Leste e Sul da África. 70% de todos os casos são reportados na República Democrática do Congo (RDC).
 
Em 2010, 7.200 casos de doença do sono foram registrados. No entanto, a OMS acredita que o número corresponda apenas a uma fração da quantidade real de ocorrências, que estão próximas das 30 mil por ano.
 
O que causa a doença do sono?

O parasita que causa a doença do sono é transmitido para humanos por moscas tsé-tsé infectadas, que procriam em regiões quentes e úmidas. Habitando a vasta savana da África subsaariana, as moscas entram em contato com as pessoas, com o gado e com animais selvagens, todos agindo como hospedeiros dos parasitas do Trypanosoma.
 
Sintomas da doença do sono
O primeiro estágio da doença do sono apresenta sintomas não específicos, como febre, dores de cabeça, fraqueza, coceira e dores nas juntas. Nesse estágio, a doença do sono é facilmente tratável, mas de difícil diagnóstico. Sem tratamento, o parasita invade o sistema nervoso central da pessoa infectada e o segundo estágio da doença tem início.
 
O segundo estágio pode ser caracterizado por sintomas mais específicos, como confusão, comportamento violento ou convulsões. A doença leva o nome de seu sintoma mais marcante: os pacientes vivenciam a inabilidade de dormir durante a noite, mas são frequentemente vencidos pelo sono durante o dia.
 
Diagnosticando a doença do sono
É difícil diagnosticar a doença do sono antes do segundo estágio devido aos sintomas não específicos do estágio inicial. Uma vez que o parasita é detectado, uma punção lombar dolorosa precisa ser feita para examinar o fluido cérebro-espinhal do paciente. Isso vai determinar o estágio da doença e o tratamento adequado.
 
Tratando a doença do sono
O tipo de tratamento depende do estágio em que se encontra a doença.
 
Os medicamentos utilizados no primeiro estágio da doença são de baixa toxicidade e fáceis de administrar. No entanto, o sucesso do tratamento no segundo estágio da doença depende de um medicamento que pode ultrapassar a barreira hemato-encefálica. A combinação terapêutica nifurtimox-eflornitina, ou NECT, é o tratamento atualmente recomendado pela OMS.
 
O NECT é muito mais seguro que o melarsoprol, medicamento utilizado anteriormente para tratar a doença. Desenvolvido em 1949, o melarsoprol é frequentemente descrito pelos pacientes como “fogo nas veias” – entre 5 e 20% das pessoas tratadas com o medicamento morrem devido a complicações associadas a sua toxicidade. Novas moléculas estão atualmente na fase de testes clínicos, na esperança de que seja desenvolvido um tratamento seguro e efetivo para ambos os estágios da doença que possa ser administrado oralmente.
 
Atualmente, MSF é responsável pelo suprimento e distribuição eficientes de todos os medicamentos utilizados para combater a doença do sono no mundo. Os esforços de prevenção, como o controle vetorial, são cruciais para manter a doença do sono sob controle. No entanto, os testes exaustivos demandam um grande investimento em recursos humanos e materiais.
 
Esta página foi atualizada em maio de 2013.

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