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“Tratando crianças o mais rapidamente possível e próximo às comunidades no Níger”

09/10/2017
Durante o pico anual de desnutrição e malária, Médicos Sem Fronteiras (MSF) amplia suas equipes nas regiões de Zinder, Tahoua e Maradi.
 “Tratando crianças o mais rapidamente possível e próximo às comunidades no Níger”

Foto: Sarah Pierre

No Níger, a estação de seca antes das colheitas é a época em que o número de casos de desnutrição está em seu ápice, coincidindo com a chegada de chuvas e o aumento da quantidade de mosquitos transmissores de malária. Essa combinação pode ser letal para crianças pequenas se elas não receberem o tratamento a tempo. Durante esse período, Médicos Sem Fronteiras (MSF) está empregando mais de 1.430 pessoas em estruturas de saúde e vilarejos a fim de prevenir, detectar e tratar as principais doenças que afetam crianças com menos de 5 anos de idade. O foco é na prevenção e nas estratégias de tratamento de crianças o mais rapidamente e próximo das comunidades possível.

Tratando crianças gravemente doentes

Desde 2005, MSF está trabalhando com o Ministério da Saúde nas unidades de pediatria dos hospitais de Madaoua, Madarounfa e Magaria. No ano passado, a unidade pediátrica de Dungass também foi reaberta. No total, há mais de 1.200 leitos disponíveis para atender às necessidades dos menores de cinco anos.

“Em casa, não há mais grãos de painço e não temos mais reserva de alimento. Minha filha mais nova, Binta, começou a perder peso e seus membros começaram a inchar. Vim à unidade pediátrica ontem para que ela recebesse atendimento médico. Acho que ela já está melhorando”, diz Hassira, mãe de três filhos.

No Níger, mais de 800 mil crianças correm risco de sofrer de desnutrição aguda moderada e grave, de acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês). As regiões de Maradi, Zinder e Tahoua são as mais gravemente afetadas. Entre junho e meados de setembro, mais de 6.400 crianças com desnutrição grave e moderada, agravada por complicações como anemia, foram tratadas nos centros de nutrição terapêutica apoiados por MSF.

A maioria das crianças admitidas na unidade pediátrica de MSF sofre de desnutrição associada a outras condições médicas, como a malária. Essas crianças são examinadas para doenças como HIV e tuberculose (TB), às quais elas são mais vulneráveis, e vacinadas, se necessário. Seus responsáveis também são testados para HIV e TB.

Muitas mortes de crianças e recém-nascidos no Níger ainda são ligadas a doenças que podem ser facilmente diagnosticadas e tratadas. Para lutar contra isso, uma abordagem abrangente e integrada é necessária. Ela pode melhorar o acesso a cuidados médicos para crianças que sofrem das doenças mais comuns da infância. Ao trabalhar com comunidades e apoiar hospitais, MSF desenvolve essa abordagem com o Ministério da Saúde. 

Nas regiões de Maradi e Zinder, MSF apoia as autoridades de saúde oferecendo uma série de serviços que combinam tratamento ambulatorial para desnutrição, exames de detecção de malária e cuidados médicos para outras doenças típicas da infância. As equipes estão trabalhando em 16 centros de saúde e três postos médicos. As crianças mais gravemente doentes são tratadas de imediato e levadas a alas de estabilização antes de serem transferidas a um hospital, se necessário. Em seis centros de saúde do distrito de Madaoua, MSF também está preparada para apoiar as autoridades de saúde em caso de um influxo de pacientes durante picos de doenças.

A prevenção é melhor que a cura

Em 44 vilarejos de Maradi, agentes de saúde comunitária treinados e apoiados por MSF examinam e tratam pacientes com casos simples de malária. Entre junho e meados de setembro, 13 mil crianças foram tratadas em suas casas gratuitamente e 750 foram encaminhadas para alguma instalação de saúde. Essa abordagem comunitária torna os cuidados médicos mais acessíveis.

A promoção de saúde para problemas que impactam diretamente a saúde das crianças também é muito importante. Em colaboração próxima com profissionais de saúde e agentes de sensibilização comunitária, as equipes vão de um vilarejo a outro para discutir tópicos como amamentação, a importância da vacinação e o uso de mosqueteiros com inseticidas, além dos riscos de usar unicamente a medicina tradicional para tratar certas doenças.

Desde o início do pico de malária em junho, mais de 108 mil crianças foram tratadas por MSF em vários hospitais e programas comunitários nas regiões de Zinder, Tahoua e Maradi.