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Quênia: instalação de saúde em contêiner oferece cuidados materno-infantis

20/04/2017
Centro de saúde de Mrima fornece cuidados médicos essenciais a mães e bebês em Likoni; muitas regiões do país têm índices de mortalidade materna elevados
Quênia: instalação de saúde em contêiner oferece cuidados materno-infantis

Foto: Yann Libessart/MSF

Quando Lena Makunye entrou em trabalho de parto para dar à luz seu segundo filho, ela não imaginava que teria de ser submetida a uma cirurgia de emergência para salvar sua vida e a do bebê. “Eu fiquei em trabalho de parto por muito tempo, mas o bebê não vinha. Quando me disseram que eu seria encaminhada para o centro cirúrgico, fiquei em pânico: nunca tinha passado por isso antes. Eu sentia muita dor e meu coração estava angustiado, mas os médicos conversaram comigo e me encorajaram. Meu filho chegou aos meus braços pouco tempo depois”.

Hoje, gestantes como Lena têm acesso a cuidados obstétricos de emergência no centro de saúde de Mrima, em Likoni. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), em parceria com o Departamento de Saúde da Província de Mombasa, aprimorou a instalação para que mulheres que enfrentam complicações na gravidez pudessem dar à luz de forma segura e gratuita. Desde janeiro, um centro cirúrgico estruturado em contêineres permite que mulheres que precisam de cesarianas sejam operadas mais perto de suas casas. Essa é uma medida temporária, até que uma instalação permanente seja construída.

Antes de janeiro, não havia instalações que oferecessem cuidados obstétricos de emergência em Likoni, e as mulheres que enfrentavam complicações durante o parto precisavam ser transferidas para outro hospital, ao qual só era possível chegar de barco.  As longas esperas durante a noite representavam um grande perigo para as vidas das mães e dos bebês.

Hoje, as gestantes da região contam com uma alternativa melhor, visto que o centro de saúde de Mrima foi modernizado para oferecer cuidados obstétricos de emergência. “Essa instalação salvou vidas na região”, diz Josephine Masikini, obstetriz e coordenadora de projeto de MSF em Likoni. “Hoje, as mulheres podem ficar tranquilas porque sabem que têm a possibilidade de dar à luz de forma segura em caso de emergência, sendo assistidas por profissionais qualificados”.

Reduzindo a mortalidade materna e de recém-nascidos

Embora as taxas de mortalidade materna do Quênia tenham diminuído nos últimos anos, óbitos por complicações na gravidez e no parto ainda representam metade do número de mortes de mulheres em idade reprodutiva. Cerca de 40% das mulheres não dão à luz em instalações de saúde, nem são assistidas por obstetrizes ou qualquer profissional qualificado.  

Além disso, há muitas regiões no país em que as taxas de mortalidade materna são muito superiores à média nacional, devido ao fato de muitas mulheres não terem acesso a instalações de saúde por falta de dinheiro ou devido à distância.
Em 2015, aproximadamente 34 mil bebês morreram no Quênia antes de completarem um mês de vida.
Porém, com a assistência de obstetrizes qualificadas e com o acesso apropriado a medicamentos e equipamento, as vidas dessas mulheres e seus bebês podem ser salvas.

“Após sua ampliação e a renovação, temos a esperança de que o centro de saúde de Mrima se torne uma referência de cuidados materno-infantis para outras províncias do Quênia, nas quais as taxas de mortalidade materna e de neonatos continuam altas”, diz Masikini. “Também planejamos, para o início de 2018, treinar profissionais de saúdes de outras províncias, a fim de contribuir para a redução do número de mortes de mães e bebês nessas regiões”.

Em janeiro de 2017, 737 bebês nasceram no centro de saúde de Mrima, sendo que 143 do total foram por cesarianas. Além disso, as equipes médicas da instalação conduziram 2.273 consultas de pré-natal. MSF começou a trabalhar em Likoni em fevereiro de 2016 assistindo partos e transferindo mulheres com complicações para o Hospital Geral Coast Provincial. A construção do centro cirúrgico no contêiner começou no fim de 2016. A instalação começou a funcionar oficialmente em 27 de janeiro deste ano, quando o primeiro bebê nasceu por cesariana.  

MSF também oferece cuidados de saúde em outras regiões do Quênia, como a parte leste de Nairóbi e Kibera, onde a organização vem atuando nas últimas duas décadas. Além disso, equipes médicas de MSF trabalham no campo de refugiados de Dagahaley (em Dadaab), em Homa Bay, em Ndhiwa e estão iniciando um programa para tratamento e controle de doenças não contagiosas na província de Embu.

 

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